WT S AECA co V mo oe janwr« <■ ’C O N T. LEGAL lYÍSTA »&JABftlM BBTAUIf • WPK^FB.&^ESTAL SciELO/JBRJ, RODRIGUÉSIA - revista do Jardim Botânico, destina-se a publicar trabalhos originais ou de finalidade didática sôbre qualquer dos ramos da botânica, e a divulgar notícias das atividades do alu- dido instituto. Trabalhos de redação a cargo de F. R. Milanez Os autores dos artigos publicados em RODRIGUÉSIA terão di- reito a 100 separatas dos mesmos, a título de retribuição. É somente permitida a transcrição dos artigos e notícias sob a condição de serem claramente mencionados esta publicação e o Jar- dim Botânico. RODRIGUÉSIA é distribuída em permuta com outras publica- ções especializadas, nacionais e estrangeiras. Tôda a correspondência deverá ser endereçada a Rodri- guésia. Jardim Botânico — Gávea — Rio de Janeiro. RODRIGUÉSIA A liEK M 1 X A Ç A O D A C A R X A L' li E I K A Há. nas regiões semi-áridas do Nordeste, nas terras de aluvião exce- lentes que pcrlongam os cursos dágua, uma palmeira de grande valor econômico, a Carnaubeira (Copernicia ceritera), cujo aproveitamento ainda não se fêz com a dezdda amplitude, Faltam mesmo, parece-me, c c pena ser verdareiro, trabalhos experimentais sobre a sua cultura. Há anos, quando Diretor da Escola de Agronomia do Nordeste, que se encontra n o município de Areia, Paraíba, a 600 metros de altitude, fora, portanto, do habitat dessa palmeira, fia algumas experiências de germinação, cujos resultados passo a descrever. A germinação se processa dentro de 20 dias. O embrião surge e se desenvolve, formando o eixo hipocotilcdonário . Êste desce, penetrando no solo, até uns dez centímetros, lançando então a primeira raiz cujo cresci- mento é rapidíssimo . Surgem, depois, raízes laterais que vão contribuindo para a formação do vigoroso sistema radicular. São notáveis as precauções que a carnaubeira parece tomar 'desde os primeiros dias de vida para se defender da sêca. O coleto se coloca não ao nível do solo, mas muito abaixo, o que é um meio de aproximá-lo da umidade que deve existir no subsolo, onde ele terá de encontrar água rela- trvamente abundante, mesmo nas épocas mais secas do ano. O rapidíssimo desenvolvimento do sistema radicular, principalmente o seu vertiginoso aprofundar-se, é- outra particularidade útil à planta para assegurar-lhe a água de que necessita. Quarenta dias depois do plantio, quando a raiz já mede 15 cm de profundidade, a primeira fôlha surge ii superfície. Sessenta dias após a semeadura, a primeira fôlha mede cêrca de 22 cm de comprimento, estando _ grande parte abaixo do nível do solo, mas a raiz primária já alcançou mais de 50 cm de profundidade. .SciELO/ JBRJ — 2 — Dez meses mais tarde, a pequena planta tem apenas três folhinhas, A mis, porem, já se encontra a metro e meio ele profundidade. O crescimento da rais c, portanto, rapidíssimo. A carnaubeira prepa- ra-se, assim, para enfrentar e resistir, vitoriosamente, às longas estações secas que surgirão, sendo que a primeira delas não se fará esperar por muito tempo. E o crescimento das raízes continua acelerado c ininterrupto, chegando a atingir dimensões excepcionais, dezenas de metros de comprimento. Uma raiz de 13 m foi encontrada por um técnico. Esta c uma das causas que explicam a extraordinária resistência da carnaubeira às estiadas, resistência que permite mostrar-se virente e magnífica c conservar o seu crescimento mesmo depois de longos meses de sêea completa. E’ verdade que, mesmo assim, algumas carnaubeiras marcam , por estrangulamento no estipe, as secas excepcionaVtnentc grandes. Todos os dados que aí ficam são dos agrônomos Esmerino Parente c Humberto R. Andrade. Enquanto, porém, coligia dados e escrevia esta monografia, recebi do Ceará, graças à gentileza do agrônomo Esme- rino Gomes Parente, algumas sementese de carnaubeira que me permi- tiram fazer, na Escola de Agronomia do Nordeste, as experiências que passo a descrever. a) Pêso das sementes — Tomei 25 sementes sadias, com casca, 25 sementes perfuradas pelo Pachinerus nuclearum e 25 sementes que des- casquei. Encontrei o seguinte pêso : 25 sementes com casca, perfeitas 75,0 gramas 25 sementes com casca, perfuradas 69,4 gramas 25 sementes sem casca, perfeitas 57,0 gramas b) Rapidez da germinação — Coloquei-as no germinador a 30 de abril. Peséi-as a 17 de maio, verificando o aumento de pêso que dou abaixo, graças à absorção dágua : QUALIDADES DAS SEMENTES PESO EM GRAMAS ÁGUA ABSORVIDA 30 de abril 17 de maio 75.0 09,4 57.0 98.1 97.1 82.6 23,1 27,7 25,0 SciELO/JBRJ 11 12 13 cm — 3 — SEMENTE!* liERJ! ! NADAM COM U Dias 16 Dias 17 Dias 21 Dias 21 Diar 2!) Dias 32 Dias 37 Dias De ge- rminação Sementes perfeitas 0 0 0 8 10 11 13 13 52 Sementes perfuradas 0 0 0 1 2 2 2 2 8 Sementes descascadas .... 4 7 14 13 13 13 15 15 60 A germinação das sementes perfuradas foi ruim, o que ê natural. Nasceram, certamentc, as que não tinham o embrião prejudicado pelo Pachirus nuclearuni. As sementes descascadas apresentaram a melhor percentagem de germinação — 60 c /c . E as com casca e perfeitas — 52%. Isto acontecerá normalmente? O pequeno número de sementes empregadas, faltavam-me elementos para melhorar as condições da experiência, — não permite conclusões definitivas. 0 que fica plena mente esclarecido c que a retirada da casca apressa sensivelmente a germinação. Assim, nos 17 pri- meiros dias, quase todas as sementes descascadas tinham germinado, en- quanto tal não acontecera com qualquer das sementes com casca. A germi- nação total das sementes perjuradas exigia 2-1 dias c a das sementes com casca e perfeitas, 32 dias. 0 furo facilitou, não resta dúvida, a penetração da água. c) O aparecimento da plúmula — As sementes eram consideradas germinadas desde que apontasse a radiada. Esta, como veremos adiante, tem um desenvolvimento muito rápido. Dias depois da germinação, bem abaixo do ponto cm que se encontra a semente, nas nossas experiências a cêrca de 105 mm, surgia a plúmula que se dirigia para cima. Este pro- cesso redunda cm aproximar a planta da umidade que possivelmente deve existir no subsolo. E a plúmula aparece com bastante demora. Foi, pcld menos, o que observamos eu e o então agronomando Estélio Fonseca Fer- reira, que muito me auxiliou nesta experiência. Assim, no dia 9, apare- ceram, nas sementes perfeitas, as duas primeiras plúmtilas. A 12 de agosto apontava mais uma. A 26 do mesmo mês tínhamos seis plúmulas em pleno desenvolvimento. Seu aparecimento nas sementes descascadas foi muito irregular. A primeira surgia a 10 de agosto; a segunda, a 19; a terceira, a 28. SciELO/JBRJ — 4 — A distância entre a semente e o ponto em que a plúmula sai do eixo embrionário é bastante variável, como c fácil verificar pelos dados colhidos cm 10 sementes germinadas. Distância em milímetros entre a semente c o ponto de partida da plumula. Sementes Primeira 108 Segunda 100 Terceira 105 Quarta 120 Quinta 115 Sexta ‘ 125 Sétima 100 Oitava 102 Nona 70 Décima 173 Média 105 d) O crescimento da raiz — Para estudar o crescimento da raiz da carnaubeira, preparei duas caixas de madeira, 1,60 m de altura, 28 cm de largura c de 10,5 cm de espessura. Um dos lados era provido de uma tela de arame e sobre cie colocavam-se cinco espécies de janelas , providas de dobradiças que podiam ser abertas indcpendcntcmcntc c à vontade. Enchi-as com solo argilo-silicoso do pomar de fruteiras de climas tempe- rados da Escola de Agronomia do Nordeste. Examinávamos o desenvol- vimento da raia cm cada caixa separadamente. Caixa 1 Foi plantada uma semente descascada a 21 de maio, às 13 horas. No dia 23 de agósto, cerca de três meses depois do plantio, surgiu a plúmula ao nível do solo. A fôlha apenas aflorava à superfície. Medimos a raiz. A sua extremidade se encontrava a 408 mm de profun- didade. A raiz se mostrava não ramificada, branca e com cerca de 4 mm de diâmetro. No dia 2 de setembro, a plúmula, — representada por uma fôlha única, — media 39 mm. A extremidade da raiz, que descia vcrticalmcnte, estava a 478 mm de profundidade. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm - 5 — A 18 de setembro a folha tinha 59 min. A 2 de outubro, media 90 mm. A extremidade da raia se encontrava a 630 mm. E a raia continuava nãd ramificada. Caixa 2. Plantamos a 3 de junho, às 9 horas, a 5 cm de profundidade, uma semente sem casca, germinada no dia anterior. No dia 8 de agosto, a plútftula apontava à superfície. No dia 18 de agosto, tinha 23 mm de altura. No dia 21, 38 mm, e a raia, 534 mm. A 2 de setembro, a folha media 93 mm de altura e a raia se encontrava a 579 mm da superfície. Descia, então, verticalmente c indivisa. A 13 de setembro contaz'a 120 mm de comprimento acima do solo. A extremidade da raia atingira 658 mm de profundidade . A raia continuava indiiisa . Deslocara-se ligeiramente para a direita, sem raaão aparente. R. PiMENTF.L Gomes - SciELO/JBRJ TRABALHOS ORIGIKAIS (*) UMA NOVA BIGNONIÁCEA DA SERRA DOS ÓRGÃOS por J. G. KUHLMANN Diietor do Jardim Botânico Schlegelia organensis, Kuhlmann n. sp. Planta scandens semiepiphytica, ramis lignosis, subcompressis, cincris, radicantibus, glaberrimis, sparce verrucosis; folia simplicia, disticha; petiolus crassiusculis usque ad médium cinerascentibus 8-12 mm. longus et 2 mm. crassus, supra canaliculatus ; lamina glaberrima, ovato-elliptica 12-16 cm. longa et 4,5-6.5 cm. lata, coriacea, utrinque attenuata ad apicem acutiuscula, in utraque face nitidula, subtus magis pallida quam supra; nervis utriusque latere 6-7, subparallelis, obliquis et anti marginem anastomo- santibus inter se 1,5-2, 5 cm. distanbus; nervo mediano supra plano subtus prominen- tibus, rete venularum prominula, lamina subtus justa patiolum pauci glanduligera, glandulis minimis. Inflorescentia fasciculata; pedicelo paulo infra calicem articulato, glabro; cálice liemispherico, campanulato 7-8 mm. lato subinciso-crenato. 1- ructus baccatus sphaericus 9 mm. crassus, scmina angulata. I-egit J. G. Kuhlmann, Parque da Serra dos Órgãos. Teresópolis, Estado do- Rio, Serviço Florestal (Jard. Bot.) n.° 46.750, 1-9-1940. A colheita de uni representante do gênero Schlegelia na Serra dos Órgãos não deixa de ser interessante, * pois, êsse gênero de Bignoniaceae só era conhecido, até agora, das Guianas e da Amazônia brasileira. Essa dispersão, aliás, nota-se em vários outros gêneros da mesma família botâ- nica, cujos representantes são encontrados em quase todo o território- nacional. Poucas, entretanto, são as espécies comuns aos dois extremos geográficos do Brasil. A Phryganocyda corymbosa (V.) Bur. é, porém, exceção à regra, pois, sendo da flora amazônica, é encontrada com fre- qüência na flora sulina, indo até a Argentina. As Bignoniáccas, em geral, embora muito bem caracterizadas, como- família distinta no sistema, apresentam sérias dificuldades, trantando-se, sobretudo, de material apenas florífero, para inclui-las no respectivo gênero. (*) Entregue para publicação em 30-10-45. cm 1 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 8 — Citarei, por exemplo, os gêneros Arrabidca e Adenoccúymma, dos quais liá espécies que, sem o auxílio dos frutos, se tornam impossíveis de identi- ficar. Hodiernamente, recorre-se até à morfologia do pólen, mas nem assim os resultados têm sido satisfatórios em todos os casos. Os frutos, geralmente, são os elementos decisivos para a distinção gené- rica. Uma das maiores dificuldades, porém, é reunir sempre material com- pleto do mesmo indivíduo na ocasião da colheita de elementos para o seu estudo, pois, nem sempre, existem, simultâneamente, flores e frutos, razão j>or que não é de se estranhar que nas Bignoniáceas se verifiquem mudanças para outros gêneros, de espécies cujos frutos eram desconhecidos. A espécie aqui descrita foi colhida sem flores, mas os caracteres dos frutos e outros permitiram-me reconhecer, imediatamente, o gênero Schle- gelia que se caracteriza, além dos detalhes florais, por serem os seus frutos pequenas bagas esféricas, as suas folhas simples e dísticas, com numerosas e pequenas glândulas na página dorsal, situadas próximo à base; além disso, é planta epifitica ou semiepifitica. ESTAMPA I ELUCIDAÇÃO DAS FIGURAS SchUgelia organensis, Kuhlm. Fig. 1 — raminho com folhas cm m.n. ” 2 — haste com frutos em m.n. ’’ 3 — fruto secionado, longitudinalmente, aument. duas vèzc- 4 — fruto secionado. transversalmente, aument. duas vêzes SciELO/JBRJ, ) 11 12 13 14 cm (*) RETIFICAÇÃO DA DIAGNOSE GENÉRICA DE SECONDATIA E APRESENTAÇÃO DE ESPÉCIE NOVA PARA O BRASIL por DAVID DE AZAMBUJA Agrônomo do Jardim BotAniuo (**) Secondalia A.D.C. emend. Azambuja. JUSTIFICATIVA Ao determinarmos o material n.° 50.978, enviado ao Jardim Botânico pelo naturalista A. Ducke, constatamos não só a existência de mais uma espécie para o Brasil, Secondatia Schlimiana Muell.-Arg., como. também, a presença do fruto (pie desde há muito constituía dúvida na diagnose gené- rica de Secondatia. Êste trabalho versa, portanto, sôbre a retificação da diagnose de Sccondatia e inclue a descrição da espécie que motivou a presente modi- ficação. * * * KSTUDO ÜA MODIFICAÇÃO PROPOSTA As alterações que vinha sofrendo a descrição dos frutos de Secon- i/uf/o, desde sua criação por A. De Candolle, em 1844, eram devidas ao desconhecimento dos mesmos nas diversas espécies que constituíam aquele genero. Das seis espécies existentes, a única que tem fruto conhecido é (*) Entregue a 31 de outubro de 1945. (**) Baseado no art. 47 das R.I.N.B. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. — 10 — Sccondatia densiflora A.DC., e foi sobre ela que se basearam os diversos autores, ao fazer a diagnose do gênero. Os botânicos A.DC. (3), Muell.-Arg. (1) e Miers (4). descreve- ram o fruto como “ovóideo-fusifonne”, “anguste lineari-ovoidei”, “broad- and fusiform”, respectivamente. Bentuam e Hookek (2) foram os primeiros a dar a verdadeira diag- nose dos frutos de Sccondatia: “folliculi lineares v. fusiformi-incrassati, teretes". K. Seu um AN N, monografista da familia Apocynaccac na obra, (5), cujo trabalho c posterior ao de Bkntham e Hoocker, também acertou, dizendo serem os frutos: “folículos lineares, cilíndricos ou fusiformes". Mas, apesar da interpretação correta dos autores acima citados, a dúvida persistiu, e isso porque as observações haviam sido feitas sobre frutos jovens . Woodson, atualmente o maior especialista da subíamiiia Echitoidcac, escrevendo sôbre o assunto diz (6) : íThc immaturc fruit of this species is figured by Poeppig ( loc . cit. pl. 281. fig. 9. 1845) as broadly ovoid, anon this cvidcnce, believing the fruit of the genus to be narrowly linear. The only folheies known of the type species (Martius 967 in Hcrb. Vindob. and Manso s.n. in llerb. Brux), however. are broadly fusiform, and are suggestcd idainly by Poeppigs drawings of the immaturc mcricarps of S. peruviana. It aj>pears wholly probablc tiiat the fruits of S. densiflora and S. peruviana are no more than specifically distinct when mature;” e na diagnose do gênero Sccondatia o fruto é dito como sendo; “follicles 2, a|MKarpous, broadly fusiform”. Com o material que possuimos, agora, podemos resolver, definitiva- mente, esta questão. As características florais, o hábito c demais aspectos morfológicos da espécie que estudamos, se enquadram, perfeitamente, no gênero Sccondatia , o fruto, porém, tem a forma linear, cilíndrica, tal como consideraram Schumann e Bentuam & Hooker. Assim sendo, e não havendo razões para afastar .S. SchUimiana Muell.-Arg. do género cm apréço, pelas razões já expostas, propomos a seguinte diagnose para os frutos de Sccondatia : L. SciELO/JBRJ 11 Folliculi 2, apocarpi fusifonni-incrassati v. lineares, levitcr torulosi, teretes, ventre dehisccntes ; setnina numerosa, oblonga v. linearia, com- pressa, apice basique attenuata tamen rostrata; apice coma decídua coro- nata. (Estampa n.° II). Secondatia Schlimiana Muell.-Arg. MuELL.-Arg. Linnaea 30:416 (1860); Mieks, Apoc. SO. Am. 227 (1878); Woodson, Ann. Mo. Bot. Gani. 22:228 (1935). Caule pouco rijo, ligeiramente puberulento-papiloso, quando muito jovem (6, pág. 228), tomando-sc mais tarde glabro e conspicuamente len- ticulado ; fôlhas amplas, de ovais a ovado-eliticas, tendo de 4 yí - 1 1 Yi etn (***) de comprimento (seg. Woodson: 6, pág. 228, de 3. 7-6.0 cm) e 2.0-5. 4 cm de largura (seg. Woodson: 6, pág. 228, de 3. 7-6.0 cm) com apice acuminado-subcaudado, base ampla, obtusa ou arredondada; glabras, ntembranáceas, tendo a mesma còr em ambas as faces ou levemente pálida °a página inferior, com nervuras imersas e relativamente obscuras; pecío- los de 0.5-1 cm de comprimento; in florescência subcorimbosa, terminal ou terminal e lateral, muito menor que as fôlhas que a subentendem, com inúmeras flores, cheirosas, pequenas e alvas; pedicelos de 0.3-0.8 cm de comprimento (seg. Woodson: 6, pág. 228, de 0.2-0. 4 cm), ligeiramente papilosos c glabros; brácteas uvado-oblongas, de 0. 1-0.2 cm de compri- mento, escamosas ou ligeiramente foliaceas; lacínios do cálice ovado-subor- lãculares a ovado-agudos. (seg. Woodson, 6, pág. 228, accntuadamente obtusos ou arredondados de 0.15-0.2 cm de comprimento), ligeiramente pubcrulento-papilosos, externamente, escamosos ; corola hipocrateriíorme, glabra externamente, com tubo de 0.7-0. 8 cm de comprimento, pubcscente 03 parte interna e com cerca de 0.17 de diâmetro na base, não conspicua- mente dilatado na inserção dos estames, ligeiramente estreitado jia abertura <1° tubo, e aí puberulento. com lacínios oblongos dolabri formes, “obtusos 1)11 mren londados, 0.9- 1.2 cm de comprimento (seg. Woodson 6, pág. 228, de 0.9-1 cm), glabros, reflexos ou divergentes; estames inseridos na parte mferior do tubo, tendo anteras de 0.4-0.45 cm de comprimento, levemente puberulentas no dorso; estigma de 0.19-0.2 de comprimento (seg. Woodson, 228, 0.18-0.2 cm de comprimento), com estilete de tamanho quase ’gnal ao io Jardim Botânico há cêrca de 30 anos. Usaram-se ramos de diâmetros vários. Entregue para publicação a 12-1-46 2 3 4 5 ; SciEL0/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 14 — O líquido de Benda (1) e a mistura F. A. A. (ò) toram os fixadores empregados. A esta última se deu a composição seguinte: Álcool a 50* 90 cm 3 Formol a 40°% 7 cm 3 Ac. acético glacial 3 cm 3 Quase todo o material foi incluído em parafina; parte pequena foi im- pregnada dc gelatina e cortada mediante refrigeração. Certa porção do material lenhoso, fixado em F. A. A., foi secionado diretamente sem inclusão. Kxpcrimcntaram-se vários métodos de coloração. A hematoxilina férrica, em combinação com o verde rápido, ou com éste e a fucsina básica, fenicada. foi o corante que melhores resuhados proporcionou ao estudo do material jovem. Algumas lâminas foram coloridas com a hematoxilina de Delafield, cujo mordente não dissolve os cristais de oxalato de cálcio, ao contrário do cloreto e do alume íérricos. Paru o material lenhoso ensaiamos com absoluto sucesso um método novo que nos foi sugerido pela técnica aconselhada por Wodehouse (23) l*ara grãos de |>ólen ; esta consiste na coloração e montagem, simultânea- mente, com a gelatina glicerinada de Brandt, referida por Bolles Lee (1), à qual se acrescentaram gotas de solução saturada de verde de metila em álcool a 50°. O método que imaginamos, especialmente para colorir as membranas lenhosas e a óleo-resina, é o seguinte: colorir os cortes de mate- rial cortado sem impregnação em parafina (fixado em F. A. A.) pelo Su- dan IV em álcool a 70° (sol. saturada) ; lavar em álcool a 50° retirar o excesso de liquido com papel absorvente; montar na gelatina glicerinada aludida. O contraste obtido é ótimo, como se pode inferir da Est. XII, 1. Nesta dupla coloração somente as membranas lenhificadas e a óleo-resina se coram. Podemos transformá-la em coloração tríplice, intercalando o tratamento j>ela hematoxilina de Delafield prèviamente filtrada, por cinco minutos. Os resultados são inda mais brilhantes: as membranas lenhificadas coram-se de verde; as celulósicas, dc azul-roxo; os núcleos, de roxo, e a óleoresina, de alanrajado. II. CANAIS SECRETORES DA ESTRUTURA 1‘RIMÁRIA Várias observações existem sóbre os canais resini feros das Simaruhá- ceas, especialmente no que concerne a sua ocorrência e distribuição. As cm l JSciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 15 — principais acham-se resumidas no manual de Solereder (17). Menção à parte merece a tese de Jadin (5), pelo grande número de dados que contém. Do primeiro colhemos desde logo valiosa informação: “According to Van ] ieghen, resin-canals are absent in the root as well as in the entire embryo.” Hã que tratar, portanto, apenas do caule e das folhas. Com exceção do gênero anóiiTalo Koeberlinia (compreendendo a espé- cie única — K. spinosa Zucc.), que se caracteriza pela presença de canais resint feros na casca, êstes ocorrem somente na margem da medula (16) (17). Aliás, nem todos os gêneros os possuem. Segundo Jadin (5), êles se encontram nos seguintes: Simaruba, Simaba (pro parte), Oldyendea, Hannoa, Eurycoma, ílnicea, Picrasma, Picrolemma, Ailanthus, Sonlamea, Picrocan/ia, Amararia. Em Klaincdoxa, Irvingia e Picrodnidron há lacunas niucilaginosas, ao invés de canais resiní feros. A propósito do peciolo, os dados colhidos pelo mesmo pesquisador (pág. 219) permitem-nos concluir que o rastro foliar se compõe de três feixes que, fusionados, formam o cilindro vascular ôco, envolvendo certa porção de medula onde se observam um ou diversos pequenos feixes lilie- rolenhosos inc'usos; não há tais feixes em Picrammia e Ahktradoa. Com bastante freqüência, os canais acompanham os feixes foliares. De acordo com Van Tieghen (citado por Solereder (17) : “in species jiossessing resin-canals in the peripheral portion of the pith of the branches, they are to be found in similar positions in the petiole. in the nredian vein of the Pmnules, and occasionally even in the lateral veins”. Localização dos Canais. — Bem escassa é a bibliografia que conse- guimos reunir sobre o assunto. Muller (8) descreve os canais secretores das Llusiaceac, Hypcricaccac, Dipterocarpaccac c Tcmstroemiaceae, situan- do-os na medula. Seguem-se, cronologicamente, dois trabalhos de Van rtEGiiEN (19) (20) segundo os quais os referidos condutos estariam compreendidos dentro das saliências do parênquima do lenho, fazendo parte integrante do protoxilema. Em um estudo sobre as Dipterocarpáceas das Índias Holandesas, Burck (2) trata da localização dos canais resiniferos primários e volta a considerá-los medulares, confirmando o parecer de Muller. Definiam-se, assim, os dois pontos de vista, entre os quais oscilaria a opinião dos autores que, jiosteriormente, tratassem do assunto : — o primeiro admitia que os canais secretores se originavam na medula, de suas cama- SciELO/JBRJ — 16 — «las periféricas ; o segundo afirmava que tais condutos surgiam no próprio ienho primário e. mais precisamente, pertenciam ao protoxilema. An- tes do trabalho de Birk (2), já Soí.rreder (16), no seu ensaio sòbre anatomia do lenho dos Dicotilédones, havia adotado, em parte, êsse modo de ver de Va n Tiegiiex, dizendo cautelosamente (pág. 93): “em resumo, os canais secretores das Simarubáceas que, como os medulares de 3'. amara, também podem, às vezes, ser caracterizados no lenho primário, etc.". Em 1891. o próprio Van Tieghen (21) se convertia às idéias de seus antagonistas, baseando-sc exclusivamente no critério tojiográfico, o (pie vale dizer, abandonando ]x«r completo a noção de ontogêiiese. Parece-nos opor- tuno transcrever suas próprias i»'avras: “M’attach:mt aujourd’hui stric- tement à la définition |X)sée au debut de ce travail pour la limite interne du faisceau libero-ligneux. admettant, commc il a été dit. que tout ce qui est en dedans du bord interne des vaisseaux les plus intérieurs quelle que soit la forme et la nature des cellules constitutives, revient à la moelle, j’ai été conduit nécessairement, commc on l’a vu, ã renoncer à ma premiére opi- nion." Com a abjuração do próprio criador da doutrina, era de sujxir-se sua ]>ronta extinção. Entretanto, por motivos ocasionais, na verdade injusti- ficadamente, como veremos, autores modernos adotaram o primitivo ponto dc vista de Van Tieghen. Assim, por exemplo. Encher (3), na monografia sòbre Siviarubaccae, escreve (pág. 360) : “Das três famílias, Rutaceac, Ihirscraccae e Simaru- baccae, tão próximas entre si, enquanto as duas primeiras se caracterizam por uma peculiaridade anatômica marcante, o mesmo não acontece à ter- «eira. E’ verdade que Van Tieghen observou em certo número de gêne- ros da> Simarubáceas, no hadroma, un? circulo jxirimedular dc canais resi- níferos, etc....” E óbvio, jxirtanto, que Engler atribuiu ao lenho os canais secretores. Todavia, a causa dessa opinião ressalta ao exame da bibliografia, onde somente estão citados os dois primeiros trabalhos de Van Tieghen; falta o terceiro, mais importante, jwr mais moderno. Ca-o ainda mais estranho é o de Webber (22) que, em estudo anatô- mico recente do lenho «Ias Simarnbaceaes, afirma: “ Normal vertical gum ducts were reported by Jadin as characteristc of thc primary wood of Sinta- ruba, etc". O que há de interessante nesta citação c que, justamente, Jadin (5 i é um «los que se manifestaram decididamente a favor da natureza me- — 17 — clular dos canais resiníferos. Se, na maioria das vêzes, usou o qualificativo, “perimcdular”, em outras empregou a palavra “medular” ou a expressão na medula”. Em certo trecho da sua tese, descrevendo os caracteres ana- tômicos do caule de Picrasma, asseegura (pág. 270) : “Canaux sécréteurs niedulaircs entourés de bonne lieure d’un tissu lignifié; il s’ensuit que les canaux sécréteurs semblent situés dans le bois. Ccpendant si on étudie la tige jeune, on voit que les canaux sécréteurs sont nettement situés dans la moelle.” Não padece dúvida, portanto, seu ponto de vista pessoal. Houve, certamente, da parte de Webber, confusão com o trabalho de Van Tiegiien, (20) também referido na mesma bibliografia... I erccbe-se, em suma, à vista do curto resumo bibliográfico apresentado, que a terceira memória de Van Tiegiien, de uma série de estudos sôbre a sede e distribuição dos canais secretores das plantas, inclusive Simarubá- ceas, não teve a difusão e, portanto, a repercussão que seria de esperar, pre- valecendo sua opinião primeira, exatamente oposta à contida neste último trabalho. Daí, haverem os anatomistas modernos voltado à concepção primi- tiva de pertencerem ao lenho os citados canais, mesmo na ausência de novos estudos que a justificassem. No caso de Webber acresce, ainda, uma razão teonca com que concordamos plenamente, c que decorre da observação desta autora sôbre a presença de canais secretores no lenho secundário de quase todos os gêneros que os possuem no primário. (Vide Cap. III). * * * ^ os cortes transversais dos brotos, feitos para surpreender os primeiros estádios da diferenciação dos tecidos do caule, observamos, de fora para dentro (Est. 1,1): protoderme, meristema' fundamental do córtex, procâm- bio e meristema fundamental medular. O penúltimo, que mais nos interessa, embora, ainda, não tipicamente diferenciado, por isso oue está constituído de células curtas, já se acha nitidamente esboçado, distinguindo-se dos meriste- mas fundamentais, externo c interno, pelas dimensões muito menores das células e pelo núcleo volumoso (relativamente ao diâmetro celular) que geralmente possui dois nuclcólos. Ainda no mesmo corte é possível verificar que o esboço do procâmbio »ão apresenta largura uniforme, mas, de espaço a espaço, mostra espessa- mentos mais acentuados internamente, o que vale dizer, salientes no meris- tema medular. As características dêsses meristemas primários acentuam-se rapidamente c os cortes efetuados pouco abaixo (Est. I, 2) já mostram o procâmbio SciELO/JBRJ — 18 — com seu aspecto típico. Os espessameutos referidos aumentam de volume e se individualizam no tecido procambial, mercê de caracteres citológieos que nas preparações coloridas pela hemartoxilina férrica conferem, a tais células e aos grupamentos que constituem, intensa cromofilia. O corfe em questão nos deixa ver dois desses grupamentos que correspondem a dois- Zf * FIG. 1 futuros canais secretores. E' muito perceptível em amlx)S a fraca adesão entre os elementos respectivos; com nraior ampliação (Fg. 1) obscrva-sc que tal aspecto resulta de dois fatos principais: alterações das células, com plasmólise intensa, e dissolução mais ou menos completa das paredes pecto- cclulósicas. SciELO/JBRJ — 19 — Ainda, no mesmo corte, podem ser vistos dois outros canais em fases muito anteriores do processo formador. Queremos ressaltar, por ora, que o aparecimento dos condutos secretores, mesmo dos primeiros, não se faz siinultâneamentc, mas sucessivamente, e, ainda mais, que o mesmo sempre se realiza ao nível do procâmbio. Outra observação da mais alta importância pode ser colhida na men- cionada fig. 1 : no pólo interno do grupamento há duas células que evolvem nitidamente para elementos condutores do lenho. Em uma delas, com espe- cialidade, já se apresenta a parede apreciavelmente espessada e no início da modificação química peculiar a tais elementos. E’ possível que não chegue a completar-se sua diferenciação, talvez, por se verem envolvidos no processo Hsigêno do canal em cuja vizinhança imediata se encontram. Sua pre- sença, nessa fase do desenvolvimento, é, porém, indiscutível. Acrescente-se, todavia, que somente cm alguns poucos esboços de canais pudemos encon- tra-los. A Est. II reproduz o corte transversal completo do caule jovem, pra- ticado bem mais abaixo. Vários fatos interessantes ressaltam do exame dessa fotomicrografia : 1. ° Ao passo que certo número de canais já se apresentam bem diferenciados, com cavidade secretora bastante desenvolvida, outros apenas começam a se esboçar. A formação de canais até certa fase da estrutura primária é, realmente, contínua. O número total desses canais já constituídos e em formação ultrapassa meia centena. 2. ° Alguns dos canais evolvem muito próximos uns dos outros e acabam por se fusionar. Há pelo menos um exemplo insofismável de tal fusão, assinalado na Est. II. 3. ° A formação dos canais precede a diferenciação vascular, com exceção dos casos jxnico frequentes, como o apontado na Est. I, 2. -f.° Os esboços dos feixes foliares (que devem percorrer tra- jetos muito oblíquos e longos, já que se observam em tão grande número no corte em apreço) possuem quase sempre um, às vêzes dois, canais secretores. A formação sucessiva de canais, expressa no item 1, é particularmente util ao estudo da questão da sua exata natureza e posição relativamente aos SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. — 20 — elementos condutores do lenho. A partir de certa época, tais elementos se constituem ao mesmo tempo que se diferenciam novos canais, na mesma re- gião, e suas relações reciprocas ressaltam mais claramcnte. Assim, na fo- tomicrografia 1, da Est. III, aparece uma fileira radial de elementos pro- cambiais, em várias fases da evolução para vasos do lenho, em cuja extremi- dade externa há um canal secretor pequeno, já nitidamente diferenciado. Nos casos mais felizes é mesmo possível caracterizar tais células secre- toras em uma fileira radial completa do procâmbio. E’ o que sucede á fotomicrografia 2 da Est. III. Aí se observam duas fileiras radiais com- pletas, compreendendo líber no pólo externo e lenho, no interno. Em uma delas, o canal já mostra pequena cavidade, ao passo que na segunda (à direita) apenas se distinguem, mas com tòda nitidez, as células secretoras plasmolisadas de citoplasma denso e fortemente corado. Como conscqüência dessa atividade do procâmbio, de que resultam ele- mentos condutòfêâ e células secretoras, observam-se disposições variáveis desses dois tipos de células, entre si. Na Est. IV, 1, por exemplo, o canal menor, à esquerda, possui um raso típico no pólo interno e dois outros à sua direita; o canal maior apresenta dois vasos no pólo externo, um dos quais em contato imediato com. as células secretoras. Por fora desses vasos, há uma fileira de células indiferenciadas (que também passa externamente ao canal menor) de que provirá o cambio. Além da mencionada fileira, são aparentes os elementos do liber c as células do períciclo que se diferencia- rão em fibras de esclerênquima . Na fotomicrografia 2 da mesma estampa, aparecem três vasos lenhosos em evolução, na parte inferior da face lateral direita. E’ de notar-se aqui, novamente, o contato imediato de tais vasos com os elementos secretores e sua posição especial, como se fôssem parte integrante do grupamento de células secretoras de que se originará o canal secretor. Convém acrescentar que o estudo da evolução do procâmbio, nas bases dos pecíolos, confirmam êsses resultados. A Est. V, 1, mostra um aspecto típico. Aí se vêm cinco canais cm fases diferentes de desenvolvimento. O que há de mais interessante a notar é a diferenciação muito frequente nos pólos externos c internos dos mesmos, de elementos libcrianos e lenhosos, respectivamente, como se se tratasse de simples feixes líbero-lenhosos. As vêzes, só se observa o primeiro elemento crivado do protofloema; outras vezes, também se vê. no extremo oposto, a primeira célula condutora do pro- toxilcma. O esbôço aassinalado na fotomicrografia 2 aparece desenhado e SciELO/ JBRJ — 21 — ampliado na fig. 2. Pode-se verificar a coexistência, no mesmo, dos dois elementos condutores citados. As conclusões sôbre a verdadeira natureza dos canais secretores e o local exato de sua origem, que se impõem à luz das observações relatadas, Podem ser assim resumidas: 1. ° Os primeiros canais se formam à custa do procâmbio. 2. ° Nos seus esboços existem, embora raramente, células situa- das no pólo interno, que iniciam a evolução para elementos conduto- res do lenho. 3. ° Novos canais surgem mais tarde, ainda da atividade do pro- câmbio, ao mesmo tempo que se diferenciam os elementos conduto- res do. lenho primário ; as relações recíprocas que, então, estabelecem (elementos vasculares lenhosos no pólo interno, no externo, ou nas faces laterais dos esboços dos canais secretores) e o contato íntimo, imediato, entre ambos os tipos celulares demonstram que as células que lhes deram origem possuíam idênticas potencialidades. 4. ° Assim, as células secretoras pertencem ao lenho e é neste, não na medula, que se formam os canais. E’ interessante frisar que o critério proposto por Van Tieghen no seu terceiro trabalho (21) é tão desvalioso que se o adotássemos no exame dos cortes de caule jovem, onde às vêzes existem vasos no pólo interno dos ca- nais, chegaríamos à conclusão de que êstes canais pertencem ao lenho, ao passo que os outros, de aspecto idêntico, situados no mesmo nível, mas sem aquéles elementos, deveriam ser considerados medu- lares. Formação dos Canais. — Muito pouco se tem escrito sôbre o desenvol- vimento dos canais secretores em aprêço. Solereder (17) nos afirma que ° mesmo é usualmente considerado como esquizógeno, mas, de acôrdo com as investigações mais recentes de Siek (15) sôbre espécies de Ailanthus e urucca, é esquizolisígeno (pág. 187). Harada (4), a propósito dos canais s ccretores de Rhus succedanca, em trabalho publicado há somente nove anos, adverte que, apesar da opinião de Engler (3) de que as Anacardiá- ceas possuem canais esquizógenos, foi levado, por suas próprias observa- ções. a conclusão diversa e assim a expõe textualmente (pág. 854) : “The first stage of its developmcnt is clcarly observed in the mesocarp of the fruit. The groups of special cells in the mesocarp of very young fruit SciELO/JBRJ — 22 — forni sclúzogcnously a vcry small resin canal, and it grows larger and larger lysigenously, according as the fruit dcvelops. It nmst thercfore be a scliizolysigenous resin canal, as Siek stated alxmt the resin canais of Anacardiaccae.” Veremos, a seguir, que é este aproximadamente o caso dos canais de S. amara. Xo primeiro estádio observado (Est. I, 1), os elementos do procâm- bio se distinguem, como já foi dito, dqs que integram os meristemas funda- mentais, mas entre êles não é, ainda, possível caracterizar os que vão dar origem aos biocitos secretores. O que se pode constatar é o primeiro es- boço dos grupamentos secretores representados pelos espessamentos do pro- câinbio, também já referidos. Os sinais primeiros da diferenciação das células secretoras podem ser percebidos tanto nos esboços de canais resiniferos elo caule muito jovem, como nos espessamentos do procâmbio dos pecíolos. Destes espessamentos, como vimos, provêm igualmente os feixes líbero-lenhosos. Xa Est. VII, 2, aparece um deles, na fase inicial do desenvolvimento. Alguns de seus elementos, situados na metade interna, começam justamente a se diferen- ciar. O volume do protoplasma já é nitidamente maior, c a êsse aumento correspondem maiores dimensões do próprio núcleo. Xo citoplasma ob- servam-se as modificações mais acentuadas. Sua afinidade pelos corantes é alterada por diminuição da acidofiliat nêle se fixam, embora com menor intensidade que nos núcleos, a hematoxilina e a safranina. Seu aspecto denso decorre, não somente dessa eromofilia, mas, também, da presença ex- clusiva de vacúolos pequenos e do desenvolvimento muito apreciável do condrioma. Este é representado principalmente por abundantes condrio- contes. Tendo, embora, usado fixador de Benua, não pudemos determinar exa- tamente a éjjoca do aparecimento da óleo-resina. Também, não nos foi possível estabelecer uma relação imediata entre a gênese dessa substância e os condriocontcs. O exame de cortes do material fixado em F. A. A. c impregnado de gelatina, coloridos jielo Sudan IV, sugeriu-nos aparecesse precocementc a mencionada substância, cm goficulas no seio do citoplasma. A propósito da célula secretora adulta, voltaremos ao assunto. A diferenciação das células secretoras, a partir do procâmbio, merece ser examinada sob outro aspecto, em cortes longitudinais. Xa Est. VI, 1, vc-sc parte da seção de um brôto, compreendendo o cone terminal e primór- SciELO/JBRJ cm .. — 23 — entes dos que restaram do esboço do canal após o englobamento das células centrais, alteradas, pela própria substância de secreção, ou nos muito .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 26 — ]>equenos, pelo simples afastamento das células dêsse esboço (esquizogênese tipica). De qualquer forma que se constitua o canal, as células secretoras evol- vem de maneira análoga. A transformação mais evidente é o seu cresci- mento apreciável, agora já condicionado à nova situação de elementos da camada de revestimento. Ao mesmo teni]X) aumentam de volume os vacúo- los que se fusionam, às vêzes. em um só. O citoplasma, repelido de encon- tro às paredes, aí constitui camada de espessura variável, quase sempre maior na face voltada ]>ara o canal. (V. Fig. 3) A óleo-resina é, também. muito mais abundante nesta ]>orção do citoplasma. Enr preparações colo- ridas com o Sudan IV é fácil constatá-lo; pode-se, ainda, observar nestas preparações, a passagem da mencionada substância através da parede que separa o citoplasma da cavidde do canal. Há, i>ortanto, evidente polari- dade morfológica do protoplasma, além da fisiológica. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 27 — A Fig. 4 mostra-nos uma célula secretora adulta, ou antes, a porção do seu citoplasma em contato com o canal (a), uma célula secretora aiijfla no esl>ôço procambial (b)> e uma célula comunr do procâmbio (c). Percel>e-se cpie as gotas de óleo-resina acham-se geralmente em contato imediato com os cohdriocontes, sem cpie do fato se possam tirar ilações ; o con. drioma é muito desenvolvido e suas unidades parecem maiores que na célula jovem (b) . É, também, bastante apreciável o aumento do volume do nú- cleo e respectivo nucléolo. Uma particularidade importante das células do canal é a frequência Cf, m que se dividem. Por meio de cortes transversais e longitudinais é pos- sive! verificar, nos condutos secretores já maduros, a ocorrência normal de mitoses. Na grande maioria, são periclineas em relação à cavidade do conduto, e como a espessura do epitélio é sensivelmente uniforme, devemos concluir que a célula mais interna se destílea do referido estrato c é englo- bada pela goma-resina. Podemos, aliás, observar várias fases dessa desca- mação celular nas preparações miaroscópicas (Fig. 3) e concluir que se trata dc fenômeno constante, mas irregular, por isso que certas células pertna- nccem mais ou menos ligadas, ainda, ao epitélio, embora já no seio da massa ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 28 — de goma-rcsina. Divisões anticlincas são também vistas nos cortes, embora com muito menor freqüência. A evolução ulterior das canais secretores c facilmente caraterizada à luz dos seguintes dados : Inicio da diferenciação da estrutura primária (Est. II) Cerca de 50-55 canais, medindo, os maiores, 135-155 micra Inicio da diferenciação da estrutura secundária Cêrea de 35-40 canais, medindo, os maiores, 330-360 uiicra Estrutura secundária plcnamentc desenvolvida (Est. VIII, 2) * Cêrea de 20-25 canais, dos qnais os maiores podem atingir 450 micra de diâmetro. Percebe-se, assim, que os ditos canais continuam a crescer e, em con- sequência, se fundem frequentemente. O primeiro fato é particularmente interessante. Aludimos, há pouco, às mitoses que nêles se observam, ao nível das células secretoras. Resta- nos dizer que, posteriormente, também as células pequenas da periferia da medula, que cercam as primeiras, experimentam divisões semelhantes, peri- clineas, fornecendo novos elementos scretorcs que substituem os primitivos, descarnados. Nos canais maiores, podemos observar o mesmo fato nas próprias células volumosas da medula, vizinhas do canal. Êste fenômeno cessa com a lenhificação do parênquima medular. Tendo-se em conta o modo de crescimento dos canais, conpreendc-se sem esforço o mecanismo da sua fusão. Várias fases intermediárias podem ser, aliás, surpreendidas nos cortes transversais. Durante todo o crescimento primário, a medula conserva-sc celulósica; com o advento da diferenciação secundária, inicia-se o processo de lenhi- ficação, a partir da porção central. Quando alcança a periferia, tôdas as células espessam c impregnam de lenhina suas membranas. As próprias células secretoras, parece-nos, acabam por se lcnhi ficar. E’ curioso obser- varem-se, então, no interior da cavidade secretora, certos elementos que ainda estavam cm conexão fisiológica com o epitélio e sofreram, por isso mesmo, análoga transformação. SciELO/JBRJ — 29 — III. — CANAIS DA ESTRUTURA SECUNDÁRIA Os autores antigos, a que nos temos referido, não fazem menção dos canais secretores do lenho secundário. Mesmo no livro clássico de Sole- Reder (17) não há noticia de tal ocorrência. Jadin, na sua tese tão com- pleta quanto à estrutura primária, silencia igualmente sôbre o fenômeno (5). Somente nos trabalhos de Record (9), (10), (11) sôbre canais inter- celulares dos Dicotilédones, vamos encontrar, ao que supomos, as primeiras notas incisivas sôbre o assunto. Já no seu livro (14) sôbre as madeiras da América tropital existe, à pág. 332, referência direta aos canais tratados aqui, na descrição do lenho de S. amara — "Gum ducts: Usually present. Few to many vertical ducts of normal occurrence in narrow tangencial series; sometimcs widely spaced, and may be absent in small specimens. Oily contents produce prominents streaks on surface of wood.” Em trabalho escrito há mais de uma década (7), referimo-nos também a êsses canais, embora a propósito do oxalato de cálcio ; mais adiante trata- remos dêsse aspeto da questão e voltaremos ao citado trabalho. No já mencionado estudo de Webber (22) há o seguinte tre- cho sôbre o assunto que nos interessa (pág. 583) : “Vertical gum ducts in the secondary wood have been reported by Record (1934) as of the gum- mosis type in Aüanthus and normal in Simaruba. Vertical gum ducts were observed by the writer in the secondary wood of Samadfra indica, Simaruba ornara, S. versicolor, Eurycoma longifolia, Castela Nicltolsonü, Picracna palo-amarga, Ailant/ius altíssima, A. pliilippinciisis, and Soulamca amara. It seems problable that they were of traumatic origin, but in this connection >t is noteworthy that wth the excep*ion of Castela they occur in genera "'ith primary woods reported as characterized by the presence of normal vertical gum ducts. The vertical gum ducts of secondary wood vary con- siderably in size (Fig. 68-70) and as a rule do not involve the rays (Fig. 68 71). In some cases, however, (Fig. 70) the rays show some abnormalities at points between gum ducts.” A primeira vista, pode parecer que haja diferença essencial quanto à natureza das substâncias sccretadas jielos canais das estruturas primária e secundária: êstes são denominados “gomiferos”, ao passo que aquêles fo- cam geralmente qualificados "resiní feros” pelos autores antigos. Record (12), entretanto, em outro dos seus livros, nos esclarece à pág. 74: “The eoinmon fornis of inter-celular canais in dicotyledoneous woods are usually 2 3 4 SciELO/JBRJ 30 — known as guin ducts although their contents vary greatly in composition and may bc resinous, oily, gummy> mucilaginous, etc.!’ Neste mesmo livro há também listas dos gêneros cujas madeiras possuem canais secretores, verti- cais e radiais, e na primeira figura Simaruba, no subtítulo “Normais”. Finalmente, no último livro de Record (13), existe curta menção ã ocorrência normal desses canais em Simaruba e Castela, na descrição dos caracteres anatômicos da familia Simarubaccac (pág. 509). listas as informações bibliográficas que pudemos colher sòbrc os cita- dos canais; como é fácil verificar, não existe qualquer dado sòbrc o processo de sua formação. A questão da ocorrência normal dêsses canais merece ser examinada mais de perto. Logicamente, tal ocorrência deveria pressupor certa regu- laridade que, todavia, não existe. As séries tangencias dos condutos se sucedem a espaços tão variáveis que seu aparecimento não pode sequer ser previsto sob êsse fundamento. Na mesma árvore, certos ramos relativa- mente delgados apresentam dois círculos de canais, ao passo que outros, de diâmetro igual ou maior, se acham inteiramente desprovidos dêsses condu- tos do deuteroxilema. Sob êsse aspeto, portanto, êles sc distinguem dos chamados “traumáticos”, apenas por mais frequentes. A previsão de seu aparecimento pode ser feita, entretanto, com peque- na antecedência, em bases anatômicas, com escassa margem de erros: con- dição sinc qua liou para o desenvolvimento dos canais é a formação de uma faixa relativamente larga, perceptível à vista desarmada ou à lupa, de parênquima concêntrico. A possibilidade de êrro decorre, em i»rte, do fato muito curioso, que constatamos, da interferência, com essa formação dos canais, da cai>acidade de regeneração dos biócitos, que às vêzes, conduz ao aparecimento de máculas medulares onde esperavamos encontrar con- dutos secretores. E’ digna de nota a frequência com que se observam fe- nômenos de regeneração mesmo nos anéis de parênquima com canais secre- tores. Webeer (22) também os observou, apresentando uma íotomicrogra- fia (n.° 70, do seu trabalho) onde se vê nitidamente a reação dos raios, res- ponsáveis sempre pela regeneração! no texto rcícrc-sc ao fato, conto vimos atrás, do seguinte modo: “In some cases, however, (Fig. 70) thc rays show some abnormalities at points bctween gum duets’’. Antes de encararmos o processo formador dos canais, convém consi- derarmos o parênquima onde o mesmo sc desenrola. Os autores já citados 2 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 31 - (Webber e Record) ao tratarem dêsse parênquima, informam que as séries sao frequentemente cristalíferas. Há, porém, certas minúncias que acres- centar. Como transparece da Fig. 5 a, nas células do parênquimas do lenho l>á gotas de óleo-resina, ao lado dos cristais volumosos e solitários de oxa- lato de cálcio. Os núcleos, provavelmente, não são visíveis por couco volu- mosos ; devem estar alojados na camada insignificante de citoplasmao que se aplica a cada face do cristal. Cumpre notar que mesmo nos biócitos ra- úiais encontramos gotas semelhantes quanto à propriedade de fixarem o Stidatt IV. Nas células de parênquima secretor, isto é, situadas na proxi- midade imediata dos canais, notam-se modificações muito sensíveis quanto a o tipo descrito. Já seu volume é ben? maior, principalmente em função da * ar gura (Fig. 5, b). As gotas de óleo-resina são muito maiores e abundan- ,es - Ao invés de um cristal único, encontram-se geralmente cristais meno- res » visivelmente resultantes da fragmentação de outro maior; com fre- 'luencia se observam vesículas minúsculas que, embora não apresentem for- Illas nítidas de cristais, se mostram birrefrigentes ao microscópio polariza* O núcleo aumenta de volume, tornando-se muito visivel ; na sua pro- '"indadc há, freqüent emente, grandes gotas de óleo-resina. Outra diíe- re nça de grande significação é a pequena espessura das paredes celulares SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 32 — dêsse segundo tipo de parénquima e, principalmente, a sua natureza cclu- lósopectica, em contraste com a maioria das células do primeiro tipo (exceto quando muito próximas do câmbio). Ainda na mesma Fig. *5, vêm-se três células da medula, após lenhi- ficação: ai se observam aspectos que podem ser considerados, de certo modo, como intermediários aos dois descritos. Há um cristal volumoso que, no entanto, apresenta sinais inequívocos de fragmentação; na maioria dos ca- sos, ao seu lado se acham pequenos cristais. O núcleo é visível, embora menor que lio segundo descrito; a óleo-resina é mais abundante que as presentes no primeiro tipo, mas suas gotas se mostram com tamanho e número muito variáveis. Estas células do parénquima medular são mais frequentes na margem, onde também se acham os canais da estrutura primária. A propósito do processo formador dos canais, ;>odc ser repetido quanto já foi dito sóbre os da estrutura primária, com referência â dissolução da lâmina média. Raramente se consegue caracterizar o processo esquizó- geno tipico, e isto mesmo apenas de início. Na Est. IX, por exemplo, ob- serva-se um dêsses casos à luz normal, e, na seguinte (X), à luz polarizada bem ao centro do campo. As gótas de óleo-resina. coradas pelo Sudan IV (negras na fotografia), não somente existem nas quatro células que limitam o futuro canal, como também já atravessaram as respectivas membranas, ao nível do meato muito ampliado, e começam a se depositar no mesmo. A ima- gem é particularmente instrutiva à luz polarizada. Em muitos outros casos, porém, é difícil observar essa ampliação inicial do espaço intcrcclular, possi- velmente pelo mesmo motivo apontado para os canais da estrutura primá- ria, a saber, alteração precoce das próprias paredes celulares, com transfor- mação em goma. O fato dominante, cm qualquer caso, é a polaridade. No processo tipicamente esquizógeno, como o das Est. IX eX, essa é definida pelo pró- prio meato ampliado. Quando o processo é menos característico, observa- se. não obstante, a mesma polaridade, manifestada pelo acúmulo de gótas de óleo-resina em tórno do meato, embora de dimensões comuns (Est. XI). Frequentemente a polaridade se traduz, ainda, em particularidades na for- ma e disposição dos elementos secretores. Êstes, ao invés do crescimento normal que os manteria em fileiras radiais regulares, conservando-lhes a seção quadrangular, desenvolvem-se de modo anómalo (Est. XII. 1) ; quase SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 33 — sempre divisões longitudinais, periclíneas relativamente ao futuro canal, sucedem-se a tal desenvolvimento (Fig. 6). Cabem aqui algumas considerações sóbre a possível relação existente entre o processo de que se originam os canais e a presença de exalato de cálcio. No trabalho antes referido (7) procuramos pôr em relevo tal re- lação, não só nos canais em apreço, como, também, nos que ocorrem em outras plantas. Chamamos especialmente a atenção para a possibilidade de serem úteis os citados canais, na eliminação dos oxalatos ou do ácido oxá- lico. Impressionara-nos, então, vivamente certa amostra de Marupá cujos canas estavam repletos de cristais de oxalato de cálcio (Est. XII, 2). Não tornamos a observar material tão rico de oxalato, mas temos sempre obser- vado êsse composto, cristalizado . no seio da substância. Ainda mais, como acentuamos acima, constatamos sempre a rcdissolução dos cristais dc oxa- lato de cáldo nas células de parênquima interessadas na secreção, o que nos sugeriu a existência de íntima relação entre os dois fenômenos. E’, final- mente, digna de nota a êsse respeito, a observação já relatada, dos vacúolor peculiares, de contorno retilíneo, nas células secretoras do lenho primário Na evolução ulterior dos canais secundários repetem-se os principais fatos que observamos nos primários. Após o inído esquizógeno, incons- tante aliás, o processo toma-se tipicamente Iisígeno. As paredes das células se adelgaçam e apresentam as reações das membranas pectocelulósicas antes de sofrerem dissolução. Os biócitos respectivos dividem-se, tanto em di- SciELO/JBRJ — 34 — reção periclínca, como na anticlínea ou, mesmo, obliqua. Já por essas divi- sões, já pela reação á proximidade da substância sccretada, as células do canal assumem formas irregulares e frequentemente bizarras. Com a con- tinuação do crescimento dos condutos gomíferos, acabam êstes por entrar ■cm contato tangencialmente, anastomosando-se. Como seu trajeto não é retilíneo, as anastomoses condicionam o aparecimento de retículo secretor, visível nos cortes tangenciais, cn? cujos espaços aparecem principalmente os raios, resistentes à lise. As vêzes. porém, alguns destes podem ser atingi- dos, originando-se verdadeiras lacunas gomíferas, mais extensas tangencial- mente. Uma palavra deve ser acrescentada com referência aos canais secre- tores do Marupá. Se nos reportarmos ao trecho de trabalho de Webber (22) transcrito no principio do presente Capítulo, vamos encontrar judi- cioso comentário dessa autora sóbre o aparecimento dos canais, gcralmente “traumáticos”, no lenho secundário de espécies que os possuem no primá- rio. Tratar-se-ia, portanto, de mais um exemplo da “lei da recapitulação”, que, aplicada aos vegetais, tem suscitado questões do mais vivo interesse. A exceção alegada, do gênero Casicla, que os apresenta com grande freqüên- cia no lenho secundário, e não no primário, precisq ser esclarecida devida- mente para que melhor se compreenda a significação dos canais do deu- teroxilema. SUMÁRIO Os canais secretores do Marupá, Simaniba amara Aubl., ocorrem tanto na estrutura primária como na secundária. Os primários foram descritos pelos autores antigos como “medulares”; Van Tiegiien que nos dois primeiros trabalhos os situou no lenho, no ter- ceiro e último concordou com a maioria de pesquisadores, seus contemporâ- neos, em localizá-los na medula; não obstante, os autores modernos adota- ram geralmente sua opinião primitiva, mesmo na ausência de novos estudos que a justificassem. As observações ' relatadas no presente trabalho conduzem às seguintes conclusões sóbre este ponto : l.° Os primeiros canais se formam ao nível do procâmbio, à custa dos seus elementos. No pólo interno dos esboços respectivos já se podem caracterizar, algumas vêzes, vasos lenhosos em diferen- ciação, que separam os ditos canais da medula. — 35 — 2. ® Novos canais surgem mais tarde, sticessivan vente, ainda do procámbio, ao mesmo tempo que os vasos do lenho primário: estabe- lecem-se, por êsse modo, relações reciprocas que demonstram clara- mente a homologia dessas duas formações. Análogas observações, igualmente significativas, podem ser feitas na base dos pecíolos. 3. ® Assim, pois, as células secretoras pertencem ao lenho e ê neste, não na medula, que se formam os canais. ü processo formador dos canais é dito “esquizolisígeno”. Seus está- dios principais podem ser assim resumidos: I. — Aparecem espessamentos no procámbio, salientes no meris- tema fundamental da medula, integrados por células volumosas (com núcleo c nucléolo proporcionalmente aumentados) de citoplasma denso (vacúolos pequenos) muito corável, munido de condrioma bem desenvolvido. Estas células se diferenciam do meristema procânt- bial mediante divisões transversais e obliquas que contrastam com as divisões longitudinais dos outros elementos do mesmo meristema. II. — Nesses esboços dos canais raramente se consegue caracte- rizar o início esquizógeno tipico, com alargamento de um meato, por- que a dissolução da lâmina média é quase sempre mais extensa e abrange várias células que se tornam pouco aderentes entre si. Pre- dominam, pois, os fenômenos de lise que acarretam o englobamento das células centrais ou seus produtos de degradação, pela própria substância secretada c culminam na criação de uma cavidade secre- tora; esta é limitada pelas células secretoras periféricas do esboço, dispostas geralmente em uma ou duas camadas — epitêlio. III. — Nas células do epitélio há, geralmente, um só vacúolo; o citoplasma constitui camada parietal, mais esjrâsa na face voltada para a cavidade do conduto ; aí também se encontram, mais abundan- t . . # . # tes, as gotas de óleo-resma e se aloja o propno núcleo ,o que denun- cia nítida polaridade celular. IV. — O alargamento dos canais decorre da lise dos elementos limitantes que vão sendo substituidos por outros mais externos, pro- venientes das divisões periclineas das células secretoras. Mais tarde, mesmo as çélulas vizinhas, medulares sofrem divisões análogas e concorrrcm para o crescimento dos canais. — 36 — V. — Êsse crescimento constante, que parece cessar com a le- nhificação da mcdu'a, durante o espessamento secundário do caulç, condiciona a fusão tangencial de vários canais. A êsse respeito basta acentuar que existem cêrca de 50-55 canais no início de estrutura primária. 35-40 no começo do espessamento secundário e 20-25 quando se estabiliza esta última estrutura, pela lenhificação da ntedula. — Os canais da estrutura secundária também se formam no lenho res- pectivo. Raramente, se pode observar inicio tipicamente esquizógeno; na maioria dos casos os fenômenos de dissolução das paredes dominam desde o princí- pio. Em todos, porém, o futuro canal se manifesta na polaridade que im- prime às células secretoras e ao seu conjunto. O aparecimento dos canais sempre se processa em faixa de parênquin.u concêntrico ; as células das séries interessadas na secreção apresentam carac- teres especiais. Os canais, de trajeto irregular, anastomosam-se tangencialmente, for- mando reticulo ; ás vêzes os fenômenos de lise são mais extensos e dão origem a lacunas tangenciais. Parece existir certa relação entre a formação dos canais e o oxalato de cálcio que é encontrado na substância secretada, de mistura à goma-resina e aos produtos de degradação dos protidios celulares. SUMMART The sccretory duets of Marupá, Simaruba amara Aubl. occur in botli primary and secondary struetures. The former were dcscribcd by carly Authors (2) (5) (8) as “mcdullary’’; Van Tieghf.n íormcrjy disagreed and Iocated them in thc xylem (19) (20) ; latcr, however, hc changcd his tnind and considcrcd them as bclonging to the pith (21). It is interesting to remark thc modem Authors (3) (22) have admitted the Van Tieghen'8 former opinion even in the lack of ncw rcscarches. The present paper lcads to the following statements, as far as the location of duets is concerncd: 1. *) Thc first canais arise in thc procambium (Est. I). Somctime one can scc immaturc protoxylcm vessels at thc inner, mcdullary side of thc canais primordia, hetwccn thc pith and the immaturc dúcts. (Est. IV). 2. *) New canais appear latcr on in thc procambium, simultancously with the xylem dementi, and a clcar homology is suggestcd by lheir- reciprocai relations. (Est. III). The same observations are true at the stalk. (Est. V). SciELO/JBRJ 11 12 13 14 3.*) So it is possible to conclude that thc seretory cells belong to the xylem ; in this tissue, and not in the pith, secretory ducts are formed. The secretory ducts are schyzo-lysigenous in nature. Their formation may be •utlined as following: I — Therc appcar in tlie procambium thickennings formed by voluminous cells provided with large nucleus and nucleolus, dense cytoplasm and well devoloped chon- driomc. Thesc cells are noteworth by transversal and obliqúe divisions, instead of the common longitudinal divisions of the procambial cells (Est. 1, 2; Est. VI). II — Seldom one can sec the vcry beginning of the typical schizogenous process; the lytic phenomcna take place early and soon masked the actual nature of the process. The central cells are involved by the process and imbedded in the secreted substances. The outcr cells remain untouched, arranged in one or two layers — the epithelium , »nd limit the secretory cavity so created. (Est. V, 2; Fig. 2; Est. VII). III — Thc cpithelial cells often have one central vacuole; the parietal cytoplasmic layer is thicker on the duet side where are located the nucleus and the most resin drops. So there is a clear cellular polarity. (Fig. 3). IV — The widening of the secretory ducts comes from the lysis of surrouding cpithelial cells which are replaced by outcr ones, from the periclinal divisions of the fpithelium. V — This continuous widening, which seems to cease with the lignification of the Pitli, at the secondary stem growth, leads to tangential fusion of several canais. It is interesting to remark that there are about 50-55 ducts at the beginning of the Primary strueture, 35-40 at the initial secondary growth, and 20-25 when occurs the Pith lignification. (Est. II; Est. VIII, 2). The ducts also belong to wood in thc secondary strueture; hefe, too, it is diffi- cult to see the real beginning of the schizogenous process, bccause the lytic pheno- m ena predominate in most cases. (Est. IX, X, XI). Thc seretory ducts always appear in concentric bands of parenchyma, whose cells, when are involved in this process, show peculiar features. (Fig. 5). There seems to be ccrtain relationship bctwcen the ducts formation and the Prescnce of calcium oxalate whose crystals are often seen in thc excreted substance, mixed with resin gutn and the degradated produets from cellular protids. (Est XII, 2; 5). REFERENCIAS 1 ~~ Bolles Lee — “The Microtomisfs Vade-Mecum” 10.* ed. Philadelphia (1937). 2 — Burck, M. — “Sur les Dipterocarpées des Indes Néerlandaises” Ann. Jard. Bot. Buitenzorg — IV, pg. 145 (1887). 3 — Encles, A. — “Die Natürlichcn Pílanzenfamilien" 19.*, pg. 360 (2 Auf.) (1931). 2 3 4 SciELO/ JBRJ — 38 — 4 — Harada, M. — “ On the Distribution and Construction of the Resin Canais in Rhus succedanta” The Bot. Magazine, 51 (611) pg. 846 (1937). 5 — Jadin, F. — " Contribution à 1’Étude des Simarubacéees” Thcse presentée à la Fac. de Sec. — Paris (1901). 6 — Johansen, D. A. — “ Plant Microtechnique" N. Y. & London. (1940) . 7 — Milanez, F. R. — “Ação modificadora do oxalato de cálcio sóbre as estrutu- ras celulares” Rev. 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X — 39 — EXPLICAÇÃO DAS GRAVURAS 1 — Corte transversal do meristema apical, deixando ver o cilindro de procãmbio ainda homogêneo ; 280 x. 2 — Idem, idem, praticado mais abaixo; na parte interna do procâmbto já se notam os esboços dos canais secretores 180 x. Seção transversal, total, do caule jovem, mostrando os canais sccre-, tores em várias fases de diferenciação, inclusive nos fejxes foliares 32 x. — Seção transversal do caule jovem, na região do procãmbio, vendo-sc canais pequenos, esquizógenos, nos feixes libero-lenhosos em desen- volvimento 710 x. 1 — Corte transversal de caule jovem, mostrando dois canais em desen- volvimento c suas relações com os vasos do lenho 300 x. 2 — Idem, idem, mostrando um canal secretor no inicio da diferenciação; notar os vasos lenhosos na parte inferior direita 1000 x. — Corte transversal da base da fòllia, mostrando o desenvolvimento dos canais secretores. , 1 266 x. 2 1000 x. (Canal assinalado em 1). — Corte longitudinal do bróto, mostrando a diferenciação das células secretoras a partir do procãmbio. 1 150 x. 2 710 x. (Região assinalada em 1). 1 — Corte longitudinal de caule jovem, mostrando um canal no início da diferenciação 428 x. 2 — Corte transversal de caule jovem, mostrando um espessamento pro- cambial onde mal se inicia a diferenciação de células secretoras ; 100 x. 1 — Corte transversal de caule jovem, deixando ver a formação de canal secretor, de tipo especial, para dentro do procãmbio 180 x. 2 — Corte transversal, na região da medula, de caule com estrutura se- cundária 100 x. — Corte transversal do lenho secundário, mostrando a origem esquizó- gena de um canal secretor de resina, à luz normal 700 x. — Mesmo campo da Est. anterior, visto à luz polarizada 700 x. SciELO/JBRJ — 40 — Est. XI — Corte transversal do lenho secundário, mostrando a disposição das gotas de óleo-resina em volta de um meato, futuro canal secretor 700 x. Est. XII 1 — Corte transversal do lenho secundário, deixando ver modificações de forma e desenvolvimento das células, que denunciam a formação de canal resiniíero 300 x. 2 — Corte transversal do lenho secundário de certa amostra cujos ca- nais aparecem repletos de cristais de oxalato de cálcio, à luz pola- rizada 90 x. Fig. 1 — Esboço do canal secretor, assinalado na Est. I, 2. Fjg. 2 — Esboço do canal secretor da Est. V. Fig. 3 — Células do epitélio em corte transversal (a) e longitudinal (b). Fig. 4 — a) Célula epitelial (porção da camada parietal voltada para a cavidade) ; b ) Célula secretora no início da diferenciação (esboço do canal). c ) Célula do procámbio (As gotas de óleo-resina cm sépia) . Fig. 5 — a) Segmento de uma série de perénquima do lenho; b) Idem, idem, interessada na secreção; c, c' c”) Células da medula (As gotas dpe óleo-resina em negro). Fig. 6 — Corte transversal do lenho secundário, mostrando modificações da forma e disposição das células provocadas pela formação de dois canais. t SciELO/JBRJ 15 ESTAMPA I JSciELO/ JBRJ 1 11 12 13 14 15 ESTAMPA VI ESTAMPA VII SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA VIII ESTAMPA IX ESTAMPA X cm 1 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 SciELO/ JBRJ, II 12 13 14 15 ESTAMPA XI cm l SciELO/ JBRJ ESTAMPA XII ESPÉCIES NOVAS DA FLORA DO BRASIL ( ■) Por A. C. BRADE Chefe da S. B. A. BURMANNIACE/E 1. Miersiella Kuhlmannii Brade n. sp. (Estampa 1. figs. 1-6). Herba erccla, saprophytica, circiter 15 cm alta, caule simplici, subteres. glaber; folia bracteiformia, membranacea, 5-15 mm inter se distantia, lanceolata, 2-4 mm longa; cyma bifida, rami erecto-patentes, densiflori, 20-22 — flori, pedicellis erecto- patentibus, 3-4 mm longis, bracteis ovato-lanceolatis, 2-3 mm longis, reflexis ; flores 5-6 mm longis, perigonum tubulosum, limbi laciniis exterioribus ovato-lanceolatis, acutiusculis, interioribus lineare-lanceolatis, paululo minoribus ; antherae sessilibus ; ovário ovoidea, 2 mm longo, apice 3-glanduloso. Habitat; Brasília: Estado do Espírito Santo, entre Córrego Grande e Lagoa do Durão, Linhares, Rio Doce. Leg. J. G. Kuhlmann N.° 366 — 11. IV. 1934. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 34.131. A presente espécie distingue-se da Miersiella umbellata pelas inflores- cências cimeiriformes (não subumbeliformes), com flores maiores e mais numerosas. Os lacínios interiores do perigônio são maiores e o estilete é mais comprido e mais tênue. Para facilitar a diferenciação entre as duas espécies, damos uma figura da Miersiella umbellata, na estampa 1, figs. 7-10. Dedicamos esta espécie interessante ao seu coletor, atual diretor do Jar- dim Botânico do Rio de Janeiro, Dr. João Geraldo Kajhlmann. 2. Thismia (Ophiomeris) itatiaiensis Brade emend. ( 2 ) (Estampa 2) . Herba pusilla saprophytica, 5-10 cm alta, caule simplici aphyllo; fios soli- tarius terminalis, nutantis, late campanulatus, luteolus, basi tribus vel quattuor bracte- (1) Entregue para publicação em 8 de fevereiro de 1946. (2) Vide Arquivos do Serviço Florestal Vol. II. N.° 1. p. 47. Nov. 1943. ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 42 olis squamiformibus, hyalinis circumdatus; perigonum intus annulo horizontali, supra sublaevis, tenuissimo-costato, instructum, semiclausum, lobis tribus longe cau- datis, tribus minoribus triangularis, obtusis, arcte recurvatis; stamina sex, de- ílexa, cum squamulis linearis, deflexis alternantia; filamentis planis connectivo membranaceo dilatato in apendices quattuor evoluto, quorum duo lineares et subcurvati basin spectantes, duo erecti, lanceolati, acuminati ; Stylus brevis, stigma magnum capitatum, rotundatum tenuiter trisulcatum, apicem versus pilosum. Habitat: Brasilia: Estado do Rio de Janeiro, Serra do Itatiaia, Lote 88, 900 m s. n. do mar. — leg. A. C. Brade N.° 17.540 & Fernando Segadas Vianna, 2. III. 1945. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. N.° 55.085. Desta espécie conhecemos até agora sòmente o estado frutífero. Encon- tramos recentemente exemplares floríferos, que nos permitem completar a nossa diagnose e afirmar que se trata de uma espécie nova. A única espécie que é semelhante à nossa é Thismia Glasiovii Poulson. Desta, distingue-se bastante pelos seguintes caracteres: A superfície do anel do perigônio é quase lisa, não cristada. No in- terior da parte livre do perigônio, alternado com os lacínios do mesmo, acham-se seis apêndices escamiformes . Alternados com as anteras, acham- se pequenos apêndices lineares. O estigma é capitado, não 3 — lobado- ORCHIDACEAE 3. Pleurothallis Adiri Brade n. sp. (Estampa 3. figs. 1-9). Epiphytica 6 cm alta, rhizomate elongato longe repens, vaginis hispido-pilosis ob- tecto, c. 0,6 mm grosso; caulibus secundariis erectis, 10-12 mm inter se distan- tibus, gracilis, unifoliatis, c. 3 cm longis, vaginis duobus, hispidulis obtectis, demum deriudatis, 0,5 mm diametientibus ; folio erecto, lineare-lanceolato, carnosiusculo,' 2,5-3 cm longo, 5-9 mm lato, apice minute tridentato ; r a c e m i s succedaneis, — 2 cjusdem temporis, 2-3 floris, folio dimidio brevioribus, pedunculo bracteisque tenuíssimo puberulo ; b r a c t e i s parvis ochreatis ; f 1 o r i b u s parvis, submembranaceis, gla- briusculis vel sepalis extus, basim versus, tenuíssimo puberulis, 5-6 mm longis; s e p a 1 i s aequilongis, dorsali lineare-oblongo, obtusiusculo, 5,5 mm longo, 15 mm lato lateralibus fere usque ad apicem connatis, concavis, dorso tenuiter carinatis, flaves- centibus minute purpurea maculatis ; p e t a 1 i s tenuiter membranaceis ovato-lanceolatis, acutiusculis, uninerviis, margine dimidio superiore tenuiter crenulatis, albo-flaves- centis c. 3 mm longis 1 mm latis ; 1 a b e 1 1 o membranaceo, petalis subaequilongo, ambitu oblongo e base late unguiculato ad médium abrupte dilatato-bilobato, lobis erectis, angustis, puberulo-ciliatis, lobo terminali ovato, margine lacerato ciliato, triner- vato, disco bicarinato, albescente, purpurea-máculato et stfiato ; c o 1 u m n a incurva, SciELO/JBRJ - 43 — 3 mm longa, flavescente, semiteres, apice vix dilatata, clinandrio crenulato inciso; anthera atropurpurea. Habitat: Brasília: Estado do Paraná, Curitiba. — leg. Adir Guimarães, janeiro 1943. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 48.857. Esta espécie é próxima de Pleurothallis brachyloba Hoehne, mas dis- tingue-se bem desta última pelo labelo que é de outra forma, com lobo ter- minal de margem fortemente lacerado. No tamanho, é muito menor do que esta espécie. Dedicâmo-la ao tenente-coronel Adir Guimarães, grande amador e coletor de orquídeas, do qual recebemos numerosas espécies raras para as coleções vivas e para o Herbário do Jardim Botânico. 4. Notylia trullulifera Brade n. sp. (Estampa 3. figs. 10-14) . Pseudobulbis parvis, angustis, compressis, sulcatis, 1,5 cm longis, 0,5 cm latis, apice truncatis, primum vaginis paucis, triangularibus acutis vestitis demum denudatis; f o 1 i i s coriaceis lineare-oblongis basi breviter attenuatis, 6-8 pm longis, circiter 1.5 cm latis; pedunculo communi pendulo, glabro, foliis satis longiore, basi vaginis paucis membranaceis acutis vestitó, superne densiuscule mul- tifloro; bracteis subulatis, ovário satis brevioribus; flori bus parvis, flavis; s e p a I i s patulis, subaequilongis, sepala dorsale anguste oblongo-ovata, 5 mm longa, 1.6 mm lata, obtusa, lateralibus usque ad médium connatis; petalis membranaceis, sepalis subaequilongis, oblongis, subfalcatis, obtusis, 5 mm longis, 1,2 mm latis;' 1 a b e 1 1 o camosulo, sepalis lateralibus paulo breviore, breviter unguiculato, limbo oblongo-linguiforme, apice paulo dilatato, trullifero-concavo, obtuso vel interdum le- viter emarginato, basi carinato, puberulo, 4,5 mm longo, 1,6 mm lato; columna gracili, glabra, superne geniculata quan labellum dimidio breviore. Habitat: Brasília - Estado de São Paulo arredores da capital: Vila Ema, epífita na mata. — leg. A. C. Brade N.° 18.036 — 1941, fl. dezembro-janeiro. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 47.622. O nome específico foi dado por causa da forma do ápice do labelo, que é conchiforme. BERBERIDACEAE 5. Berberis Campos-Portoi Brade n. sp. (Estampa 4. figs. 1-8). Frutex 2-metralis; rami plus minus-flexuosi, sulcati, junioribus fusci puberuli, vetustiores glabrescentibus, cortice cinerascenti ; s p i n a e multum variae, simplices vel 3-partitae, partes subalatae, teretes infra canâliculatae, usque ad 15 mm longae; SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 44 — f o 1 i i s subcoriaceis, glabris, opacis, obovato-spathulatis, integerrimis, obtusis, in- terdum apice mucronulati, subsessilibus in fasciculis 5-12, usque ad 23 ram longis, S mm latis ; perulae ramulorum subcoriaceae, ovatae, emarginatae mucronulatae ; floribus solitariis, pendulis nutantibus, aureis, 8-12 mm diametralis, pedicellis 10- 12 mm longis; sepala extima ovato-lanceolata, 6 mm longa, 3 mm lata, intima late ovata, obtusa, 7-8 mm longa, 5 mm lata ; pétala obovata suborbicularia sepalis intimis paulo brcviora, 6 mm longa, 5-6 mm lata, biglandulosa ; f i 1 a m e n t i s bre- viusculis, anthera aequalibus, connectivo obtuso ; f r u c t u s ignoti . Habitat: Brasilia: Estado de Minas Gerais, Serra do Caparaó 2.300 m s. n. do mar. — leg. P. Campos Pôrto N.° 1.148 — 30. X. 1922. — Serra do Caparaó, Casa Queimada 2.400 m — leg. A. C. Brade 'N.” 17.020 — 25. IX. 1941 — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 45.941. O aparecimento de uma espécie endêmica, dêste gênero, na Serra do Caparaó, é muito interessante, especialmente para a fitogeografia. O gênero Berberis, pouco representado no Brasil, é assinalado nos es- tados sulinos, até Minas Gerais. Não foi, ainda, observado, nem na Serra dos Órgãos, nem na Serra do Mar, no Estado do Rio de Janeiro. Consta- tou-se sua presença na Serra da Mantiqueira, somente até o Itatiáia. Perto do local, onde colhemos esta nova espécie, encontrámos material de uma Berberidácea de um exemplar novo e estéril . Êsse exemplar mostra folhas de várias formas, desde longamente pecioladas até quase sésseis e com margem fortemente espinhosa, ciliada até quasi íntegra, apenas com um pequeno espinho no ápice. A textura destas folhas é mais coriácea, com nervuras mais proeminentes e margem córnea- Os espinhos são até 12- partidos ; os ramos são quase glabros, apresentando-se um pouco pubescentes na extremidade. Nossa opinião era de que se tratava de um exemplar novo da espécie acima descrita, mas ficámos em dúvida, em vista da textura das folhas e dos ramos quase glabros que não correspondem bem aos caracteres da Berberis Campos-Portoi. Temos esperanças de que poderemos verificar o caso, em observações futuras, numa nova visita ao local . Damos figuras das formas das folhas para chamar a atenção dos cole- cionadores que visitarem essa Serra (Estampa 4 figs. 9-13). UMBELLIFERAE. 6. Hydrocotyle itatiaiensis Brade n. sp. (Estampa 5). Caules prostrati, glabri vel junioribus plus minusve hirsuti; petiolis 5-15 cm longis, apicem versus villoso-hirsutis ; 1 aui i n a orbiculata vel orbiculata-reniformi. 7-9 2 3 4 SciELO/JBRJ — 45 — lobulata, 2,5-6 cm diametralibus, basi fere usque ad médium acutangulariter excisa, lobis obtusis tcnuiter grosse crenatis, subtus ubique sparse, supra ad nervos parce hirtellis; pedunculo petiolum paulo superante, erecto, villosulo ; inflorescentiis sim- pliciter umbellatis, 30 — 50-floris, 10-16 mm diâmetro, pedicellis 4-8 mm longis, foliis involucralibus liberis; petalis ovato-lanceolatis, planis, reflexis, purpureis, 1,5-2 mm longis 0,8 mm latis filamenta superantibus ; s t y 1 i s sub anthesi incurvatis, stylopo- diis subplanis; fructu didymo, 2,5-3 mm longo, 1-1,5 mm crasso, reniformi, pur- púreo, mericarpiis transversim ovoideis subglobulosis. Habitat: Brasília: Serra do Itatiaia, Planalto 2.100 m s. n. do mar. — leg. A. C. Brade 15.666. Março de 1937. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico dó Rio de Janeiro N.° 32.895. — idem leg. A. C. Brade 17.509. 26. II. 1945. A posição taxinômica desta espécie deve ser entre H . leucocephala e H. callicephala. Aproxima-se mais da última, da qual se distingue pelas inflorescências com menos de 60 flores, com pétalas purpúreas e folhas so- mente ligeiramente lobadas, além de outros caracteres. 7. Eryngium proliferum Brade n. sp. (Estampa 6) . Planta usque bimetralis ; c a u 1 i s herbaceus, flaccidus, flexibilis, prostratus, pauci- foliosus, apice repetite bifurcatus et in bifurcatione quaque capitulo longiuscule pedi- cellati interjecto aucti; folia basalia disticha, ensiformia, lineare-lanceolata, parte tertia inferiore linearia, 5-8 mm lata, supeme anguste-lanceolata, parte quarta inferiore' setoso-spinulosa, supcriore dimidia pars plus minusve tenue-spinulosa, inferne densius- cule parallele nervosa, nervis superioribus ex area mediana parallelinervia, supeme ad nervum unicum reducta, sub angulo valde aucto et valde paulatim ad marginem versus divergentibus, ibique eleganter reticulati venosis, caulina semiamplexicaulia, inferiora usque ad 20 cm longa, 2 cm lata basalibus similia, superiora multo breviora; capi- tula sub anthese semiglobosa, 5-7 mm diametra, bracteae involucrales 6-9 liberae. lanccolatae, acuminatac, integrae usque ad 7 mm longae, florales similis minoris; sepala ovato-acuminata, pétala oblonga 1,5 mm longa uninervia apice incurva fim- briata ; f ructus obovatus a latere parum compressus, 3-4 mm longus, squamis nu- merosis inaequalibus obsita. (typ. heterophlyctidia) . Habitat: Brasilia: Serra do Itatiaia, Cascata do Rio Maromba, 1.000 m s. n. do mar. — leg. A. C. Brade N.° 17.170. 15. II. 1942. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 46.613. Esta espécie, bem estranha no hábito, é semelhante a Eryngium om- brophilum Dusén & Wolff, da qual se distingue pela forma da fôlha. Por outro lado, lembra também Eryngium lusulifolium Cham., distinguindo-se nitidamente pela nervação de suas folhas. SciELO/JBRJ — 46 — CAMPANULACEAE 8. Lobelia (Tylomium) Santos-Limae Brade n. sp. (Estampa 7) . Herva elata; caulis 3-4 m altus, fistulosus, subteres obtusangulos, infera parte glabra, supera puberula, alternatim foliatus ; folia oblongo-lanceolata, 25 cm longa, 5,5 cm lata (inferiora majora), apice subacuta ad basim angustata subsessilia vel bre- vissime petiolata, margine apicem versus tenuiter crenulato-denticulata, ad basim in- tegra et sparse ciliata, herbacea, glabra ; flores in racemo denso, circiter 1-1,5 m longo et 8 cm lato; bracteae foliaceae ovatae vel suborbiculares, mucronatae, 15- 18 mm longae, 9-12 mm latae, ad nervos margineque dense puberulae; pedicelli puberuli, declinati, 12-16 mm longi hypanthium breviter semiglobosum, 5 mm in diamet. puben. rm; sepala triangulari-lanceolata, acuta, margine, praecipue apicem versus, pubcr , !a, 14 mm longa, 3 mm lata, viridia, apice purpurea ; c o r o 1 1 a pur- púrea, glabra 30-32 mm longa, tubus dorso usque ad basim fissus, c. 25 mm longus, lobi anguste-lineares, 2 laterales profundius soluti, 10-12 mm longi, 3 lobi medii in labium 3-fidum connati, c. 7 mm longi; staminibus petalis longioribus filamenta ciliata, antheris plus minus hispidis, 2 infimis apice barbatis ; capsula infera subglo- bosa, 1 cm diametr. ; semina ovalia 1,2 mm longa, anguste córnea alata. Habitat: Brasília: Estado do Rio de Janeiro, Município Santa Magdalena, Alto do Desengano, 2.100 m s. n. do mar. — leg. A. C. Brade N.° 13.251 & J. Santos Lima 5. III. 1934. — “ Typus” : Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro N.° 28.403. No hábito é semelhante à Lobelia thapsoidea Schott; distingue-se desta pelas folhas e. corolas glabras e pelas brácteas quase orbiculares. Das outras espécies dêste grupo, distingue-se, também, facilmente, pela forma das brácteas e pela forma das sementes. Estas não são verdadeiramente aladas ; só têm uma margem estreita, córnea, semelhante à de Lobelia Lan- geana Dusén, mas esta espécie tem corola maior e glabra. Dedicamos esta espécie ao nosso ativo e estimado colaborador Joaquim Santos Lima, falecido em 18 de fevereiro de 1944. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA 1 cm 1 Miersiella Kuhlmannii Brade n. sp. Fig. 1 Hábito da planta. — Fig. 2 Flor. — Fig. 3 Gineceu. — Fig. 4 Corte transversal do ovário. — Fig. S Perigônio estendido. — Fig. 6 Semente. Miersiella umbellata (Miers) Urban Fig. 7 Hábito da planta. — Fig. 8 Flor. — Fig. 9. Gineceu. — Fig. 10 Pe- rigônio estendido. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 Fig. 1 Hábito da planta 2X. — Fig. 2 Corte longitudinal da flor e do ovário 3X. — Fig. 3 Perigônio visto de cima (esquematizado) 3X. — Fig. 4 Parte do limbo do perigôno, estendida 5X. — Fig. 5 Antera, vista dorsal 10X. — .Fig. 6 Antera, vista ventral 10X. — Fig, 7 Antera, vista lateral 10X. — Fig. 8 Estigma, vista de lado 5X, — Fig. 9 Estigma, vista de cima 5X, cm l SciELO/JBRJ Thismia itatiaiensis Brade Figs. 1-9. Pleurothallis Adiri, Brade n. sp.\ Fig. 1. Hábito, tamanho natural. — Fig. 2. Pedúnculo 4X. — Fig. 3. Flòr 4X. — Fig. 4. Sépala dorsal 5X. — Fig. 5. Sépalas laterais 5X. — Fig. 6. Pétala 5X. — Fig. 7. Labelo 10X. — Fig. 8. Coluna, vista de lado 6X. — Fig. 9. Coluna, vista de baixo. Figs. 10-14. Notylia tmllulifera Brade n. sp. Fig. 10. Sépala dorsal 6X. — Fig. 11. Sépalas laterais 6X. — Fig. 12. Pétala 6X. — Fig. 13. Labelo (estendido) 6X. — Fig. 14. Coluna e labelo, vista de lado, 6X. SciELO/JBRJ LI 12 13 14 15 ESTAMPA 4 Figs. 1-8. Berberis Campos-Portoi, Brade n. sp. Fig. 1. Fõlha 3X. - — Fig. 2 — 3. Sépalas 3X. Fig. 4. Pétala 3X. Fig. 5. Gine- ceu 5X. — Fig. 6. Escama do rámulo (pérola) 5X. — Fig. 7. Estame 10X. — Fig. 8. Espinho 3X. Figs. 9-13. Berberis sp. Fig. 9. Espinho 3X. — Figs. 10 — 13. Folhas de diversas formas (tamanho natural). cm ± ESTAMPA 5 GKo.it ja. ws *r. Hydrocotyle itatiaiensis, Brade ri. sp. Fig. 1. Hábito da planta em tamanho natural. — Fig. 2. Flôr 10X. — Fig. 3. Fruto 10X. — Fig. 4. Corte transversal do fruto. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA 6 Eryngium proliferum, Brade n. sp. Fig. 1. Hábito da planta. — Fig. 2. Folha. — Figs. 3 — 4. Fragmentos da fôlha. — Fig. S. Bráctea da inflorescência. — Fig. 6. Bráctea do capitulo. — Fig. 7. Flôr. — Fig. 8. Pétala. — Fig. 9. Fruto. SciELO/JBRJ ESTAMPA 7 Lobelia Santos-Limae, Brade n. sp. Fig. 1. Flôr com bráctea 2X. — Fig. 2. Perigônio estendido 2X. — Fig. 3. An- droceu 2X. — Fig. 4. Anteras estendidas 5X. — Fig. 5. Estilete 3X. — Fig. 6. Estigma aumentado. — Fig. 7. Sépala 3X. — Fig. 8. Semente (forte aumento). FRUTO FOSSILIZADO DO ITABIR1TO (*) pelo Dr. OTHON MACHADO Assistente da Faculdade Nacional de Farmácia Estagiário na S. B. G. do Jardim Botâqico do Rio de Janeirb I — Do Naturalista J. G. Kulhmann, Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, recebemos a incumbência de averiguar a possível iden- tidade entre um fruto fossilizado, achado em Itabirito (Minas Gerais), e recolhido à Seção Carpológica do Jardim Botânico, e o fruto da leguminosa Andira stipulacca Benth., da flora atual. II — Confrontando os espécimes referidos (Nos. 110 e 2.481) Es- tampa única, verifica-se acentuada semelhança existente entre êles, sob o ponto de vista macroscópico, ressalvadas, apenas, as sementes que se não parecem . Microscopicamente, porém, nada se observa no carpolito que, a rigor,' se o possa considerar formado por células e que sirva como elemento iden- tificador do espécime em análise. III — Pela consulta que fizemos, verificamos que, somente, Schimper (Trat. Pale. Veg. Vol. III) se refere à existência do gênero Andira Lam. no Terciário. Concluímos, pois: I — Não há fundamento histológico que autorize afirmar-se a iden- tidade entre o carpolito estudado e o fruto da Andira stipulacea Benth.. da flora atual. II — Pela semelhança morfológica dos espécimes é, no entanto, razoável admitir-se que o carpolito em aprêço pertença ao gênero Andira ou afim. (*) Apresentado para publicação era 6-3-46. BciELO/JBRJ f 11 12 13 14 15 SciELO/JBRJ cm 1 ESTAMPA I 1. Carpolito. — 2. Fruto de Andira stipulacca Benth. Na fileira superior, vista externa; na inferior, corte no maior eixo. Na fileira média, semente de A. sti- pulacea (2) e semente (?) do carpolito (1). 0 FRUTO DA VANILLA CHAMISSONIS KLTZ' O DR. OTHCN MACHADO Assistente da Fac. Nac. de Farmácia e Estagiário na S. B. G. (Jardim Botânico) Há precisamente, um século (1846) Klotzcii (1), descrevendo a Vanilla Chamissonis, omitiu a descrição do fruto dessa espécie das Orchida - ceae, certamente por não tê-lo visto. Cogniaux (2), monografista dessa familia, na Flora Brasiliensis, de Martius, igualmente não o viu, pelo que, disse: “Fructus ignotus”. Hoehene (3), outrossim, não teve tal fruto sob suas vistas, tanto assim que, em publicação recentissima, informa: “Frutos não descritos pelo autor”. Desde 1942, temos encontrado frutificada a Vanilla Chamissonis Kltz e coletado material para o herbário documentador do trabalho que, no mo- mento, fazemos sôbre a flora da restinga. Convém, desde logo, notar: essa orquidácea é muitíssimo freqüente. tanto na floresta da encosta, como naquela existente sôbre a dita região are- nosa, onde, aliás, temos colhido os exemplares mais desenvolvidos. Voltando, há dias, a herborizar na restinga, coletámos sôbre um murici ( Byrsonima scricca DC. ) um exemplar floro-frutifero da Vanilla em apreço, notável por seu desenvolvimento, como pelo tamanho dos frutos e, também, pelo odor magnífico das flores. Um dos seus frutos, precisamente o que aproveitámos para a descrição que completará a diagnose de Klotzch, é o que se vê na estampa anexa. Foi modelado em cera e figura na coleção de Carpologia do Jardim Botânico (*) (*) Apresentado para publicação em 6-3-1946. 2 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 50 — Agora, a descrição que apresentamos : VANILIA CHAMISSONIS KLTZ — Klotzsch (1) in Bot. Zeitsch- rieft, Vol. IV. p. 564 (1846); Cogniaux, A. (2), Mart. Fl. Br. Vol. III, p. 48; Hoeiine, F. C. Fl. Brasílica, Vol. XII, II, p. 20, Tab. 11. S- Paulo, Abril de 1945. Fructus : ódoriferus, oblongo-obbovatus, trigonus, nitidus; apice obtusus, basi atte- inia/is et curvatis; lateri aplanatis; fáceis lateralis convexiusculis in medius sub an- gulalis; 13-15 cm longus, 3, — 3 cm 5 latus, 2 cm 4 crassus. Fructus maturus atrofuscus est. Semina nigra, innumera, minutissima, in massa pnlposa cocdunatis affixa. 2 3 4 SciELO/ JBRJ cm l SciELO/ JBRJ L»»|. M. cm .. (*) NOVA APOCYNACEAE DO BRASIL por DAVID D*£ AZAMEUJA Agrônomo do Jardim Botânico Aspidosperma obscurinervium Azambuja n. sp. O presente trabalho tem por finalidade propor a criação de uma nova entidade taxinômica, sob a denominação de Aspidosperma obscurinervium, nome dado em virtude da nervação obscura, das folhas. A espécie mais próxima é A. leucocymosum Kuhlm., da qual pode ' ser separada pela observação das seguintes diferenças: 1) Nas dimensões dos lacínios e do tubo da corola. Assim, em A. leucocymosum o tubo mede 7 mm de comprimento por 3mm de lar- gura e os lacínios 3 mm de comprimento, enquanto em A. obscurinervium, as mesmas regiões têm, respectivamente, 4-5 mm de comprimento por 2mm de largura e 4-5 mm de comprimento. 2) Nas dimensões e formas das folhas. Em A. obscurinervium elas são menores (8 — 11, 5 cm de comprimento por 3,5 — 4,5 cm de largura), e apresentam o ápice variando de brevemente acuminado a agudo; na es- pécie em cotejo, as folhas são maiores (16 cm de comprimento e 5,5 cm de largura), e o ápice varia de acutíssimo a acuminado; também, nesta espécie, as nervuras são bem distintas. 3) No tipo de inflorescência. Embora sendo cimosas nas duas es- pécies, é, no entretanto, de forma corimbosa em A. leucocymosum. Esta ainda apresenta, como diferença notável, os pedúnculos revestidos de pilo- sidade alvo-purpurácea e os pedicelos alvo-tomentosos, o que não se verifica em A . obscurinervium, onde êles são ferrugíneo-tomentosos . 4) Na inserção dos estames e revestimento do estigma. Em A. obscurinervium os estames estão inseridos abaixo da parte média do tubo (*) Entregue a 11 de maio de 1946 para publicação. .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 52 — e o estigma é giabro ; em A. leucocymosum a inserção dos estames é mais alta e o estigma é piloso no ápice. * * * Arbor alta , ramulis glabris, scmper (?) nigrescentibus. Folia alterna, coriacea, glabra; petiolus 1,7 — 2,1 cm. longus, ramulo similis, cum nervura supra eminente-costatus, coste media laminae adnoxa; lamina circiter 8-11,5 cm. longa, 3,5 • — 4,5 cm. lata, clliptica vel oblongo-elliptica, apice tum bre- vitcr acuminato, tum acuto basi acuta saepius acutiore, marginibus reflexis, facie superiore olivacea, splendcnte, cum nervura centrali proeminente et venulis latcralibus indistinctis notata; subtus palido-olivacea, nervo mediana subtus proeminente et nervis latcralibus ammino obscuris. Inflorescentiae terminalcs, cimosa, usque ad 8 cm . longae, pilis brevibus coopertae albido~ (crrugincis ; bractae lanceolatae, 2 mm. longae, scriceo-tomentosae intus et extrinsecus. Flores laxe glomerati ; pcdicelli 3 mm. longi, albido-ferruginei. Calyx totus 2,5 — 3,5 mm. longus , cxtus dense albido-tomentosus, intus tomentosus in apice ; lobi 1,5 — 2 mm. longi, quincunciales, ovati, auriculati. Corolla flavescens, glabra, 8-9 cm, longa, sinistrorsa ; tubus 4-5- mm. longus, lobi ad modum circuli in apice, 4-5 mm. longi, 1 mm. lati, caudato -acumi- nati et basi auriculata. Anthcrae glábrae, oblongae-acutae, 1 mm. longae, filamcntis injra medio tubo inscrtae, in parte inferiori hujus fegionis piloso. Stigma globosum, glabrum, oblongum, cum appendice dcpresso-cupuliforme et emarginato in apice, antheras non attingcns, 0.5 mm. longum. Stylus 1,5 mm. longus. Ovarium glabrum, globosum, apocarpum, biloadare, 1 mm. altum. M eriçar pium ligne obliqúe orbiculare, breviter apiculatum, 9,5 — s 10 cm. longum, 8,5 cm. latum, extus cinereo-tomentosum, rimosum, intus pal- lide carncum, fere leve. Semina numerosa, iniqua, maxinui mcricarpio aequa- lia; ala 2 — 2,5 cm. lata. Cotyledoncs embryonis cordata-orbiculares 2,5 cm. longi et lati. Árvore alta. Ramo sempre (?) negro. Folhas alternas, coriáceas, glabras, pecíolo 1,7 — 2,1 cm de comprimento, semelhante aos ramos, com uma nervura central saliente resultante do prolongamento da nervura prin- cipal da lâmina; lâmina com 8 — 11,5 cm de comprimento e 3,5 — 4,5 cm de largura, de elítica a oblongo-elitica, ápice variando de brevemente acumi- nado a agudo, base aguda, muitas vêzes acentuadamente aguda, margem re- flexa, página superior olivácea, brilhante, com nervura central saliente, ner- SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 53 — vuras secundárias e vênulas indistintas, página inferior opaca, com nervura central também saliente, as demais totalmente obscuras. Inflorescência terminal, cimosa, com cêrca de 8 cm de comprimento, revestida de pilosidade breve, alva-ferrugínea ; bráctea lanceolada, com 2 mm de comprimento, seríceo-tomentosa interna e externamente. Flores reunidas em glomérulos laxos ; pedicelo com 2,5 — 3 mm de comprimento, alvo-ferrugíneo . Cálice com 2,5 — 3,5 mm de comprimento, densamente alvo-tomentoso, externamente e internamente piloso na porção apical; lacínios com 1,5 — 2 mm de comprimento, quincunciais, ovados, auriculados- Corola flava, glabra, com 8-9mm de comprimento, sinistrorsa; tubo com 4-5 mm de comprimento ; lacínios em disposição espiralada no botão, com 4-5 mm de comprimento e 1 mm de largura, caudado-acuminados, de base auricular. Anteras glabras, oblongo-agudas, de 1 mm de com- primento, inseridas abaixo da metade do tubo, o qual é piloso na parte in- ferior dessa região. Estigma globoso, glabro, oblongo, com um apêndice cupuliforme, emarginado no ápice, não atingido pelas anteras que ocupam posição mais baixa, com 0,5 mm de comprimento. Estilete de 1,5 mm de comprimento. Ovário glabro, globoso, apocarpo, bilocular, com 1 mm de altura. Mericarpo lenhoso orbicular-oblíquo, brevemente apiculado, com 9,5- 10 cm de comprimento e 8,5 cm de largura, externamente cinéreo-tomentoso e rimoso, cárneo pálido, intemamente quase liso . Sementes muitas, desiguais, asas com 2 — 2,5 cm de largura; endosperma cordáto-orbicular, com 2,5 cm de comprimento e largura. * * * DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA : Amazonas, Manaus, Mata de terra firme, além Flores; J. B. do Rio de Janeiro n.° 50.969, Ducke n.° 931, 16-5-1942 (flores) e XI-42 (frutos). * * * Explicação da Estampa Fig. 1 — Ramo florido. Fig. 2 — Flor. Fig. 3 — Detalhe da disposição espiralada dos lacínios antes da antese. Fig. 4 — Corte da corola, mostrando a posição de inserção dos estames. .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 54 — Fig. 5 — Corte do cálice, deixando ver o gineceu. Fig. 6 — Estigma. Fig. 7 — Fruto. Fig. 8 — Semente. * * * BIBLIOGRAFIA Argoviensis, Joann. Müller — in Mart. Fl. Brasil. VI 1 : 43-61 (1860). Kuhlmann, J. G. — Novas espécies botânicas da Hyléia (Amazônia) e do Rio Doce (Espírito Santo) in Arch. Inst. Biol. Veg. 11:88 (1935). Markgraf, Fr. — Neue Apocynaceen aus Südamerika VI, in Notizblatt VII: 553-561 (1936). .SciELO/ JBRJ ESTAMPA I CHAVES PARA A DETERMINAÇÃO DE GÊNEROS INDÍGENAS E EXÓTICOS DAS MONOCOTILEDÔNEAS DO BRASIL (*) Eng" Agr LIBERAI O JOAQUIM BARROSO , (Do Jardim Botânico do Rio de Janeiro) Já a segunda edição, melhorada e ampliada, de nosso trabalho “Chaves para a determinação dos gêneros indígenas e exóticos das dicotiledôneas no Brasil” se acha em vias de ser dada à publicidade. » Ainda faltando mais de 20 familias para completar o estudo das dico- tiledóneas, cada uma das quais abrangendo numerosos gêneros, resolvemos r sem prejuízo dessa atividade, iniciar o relativo às monocotiledônea s, apre- sentando êste apanhado, no qual estão compreendidas 25 famílias das 37 existentes no país. , Que os nossos estudantes e colegas o recebam com satisfação, será a nossa melhor recompensa. Obs. : Os desenhos que ilustram esta contribuição são da autoria da senhorita Carmina Serra, e os fotos devemo-los ao auxiliar — fotografo, Sr. João Barbosa. (*) Entregue para publicação em 24-5-46. FAMÍLIA ALISMACEAE (1) (Série Helobiac) Gêneros 1 Até três estames Wiesneria (X) Mais de três estames ...' 2 2 Até seis estames 6 Mais de seis estames 3 3 Tôdas as flores hermafroditas Echinodorus Algumas flores unissexuais 4 SciELO/JBRJ cm .. — 56 — ~ j.; ‘ 4 Até doze estames Mais de doze estames 5 Ovário composto de carpelos livres entre si em número igual ou superior a 15 Ovário composto de carpelos livres entre si cm 1 número inferior a IS 6 Tôdas as flores hermafroditas Algumas flores unissexuais . . . 7 Carpelos livres entre si em número de 10 ou mais : ^ Carpelos livres entre si em número, inferior a 10 '.. 8 Folhas cordiformes (Est. I, figs. 1 e 2) ,... Filhas não éordiformes 9 Fôl':. s trinérveas (Est. I, fig. 2) Folhas não trinérveas FAMÍLIA BUTOMACEAE (2) (Série Helobiae) Gêneros 1 Até nove estames férteis (ver no botão) ... 3 Mais de nove estames férteis 2 2 Estigma séssil Limnocharis Estigma são séssil • Hydrocleis 3 Plantas lactescentes Tenagocharis Plantas não lactescentes Butomus FAMÍLIA CANNACEAE (3) (Série Scitaminae) Só um gênero no mundo Canna FAMÍLIA COMMELIN ACEAE (4) (Série Farinosac) Gêneros 1 Anteras espiraladas (Est. I, fig. 6) Cochliostema (X) Anteras não espiraladas . ...i 2 2 Anteras porícidas (poros pequeníssimos no ápice — Est. I, fig. 7) Dichorisandra Anteras não porícidas 3 S Sagittaria Lophotocarpus Burnatia (X) 7 Limnophyton (X) Alisma 8 9 Elisma (X) Elisma (X) Caldesia (X) SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 57 — 3 Algumas anteras (as estéreis, isto é, sem pó- len) em forma de cruz ou quase de uma cruz (Est. I, fig. 5) ; Commelina Sem êsse característico 4 4 Corola tubulosa; tubo do tamanho ou maior que o cálice (Est. I, fig. 8) 32 Sem o conjunto desses caracteres 5 S Alguns estames, ou todos, com uma parte alar gada (conectivo), triangular ou quadrangular Est. I, fig. 9), onde se acham prêsas as tecas; estames de tamanhos iguais ou quase iguais . 33 Sem o conjunto desses caracteres 6 6 Estames e estaminódios (se houver) soma do • r ao todo até três (ver no botão) 7 \ Estames e estaminódios, (se houver) somando ao todo mais de três 10 7 Flores na axila de uma bráctea; bráctea • 1 2. . \ ■ • . I maior que as flores (Est. I, fig. 3) Athyrocarpus Sem o conjunto dêsses caracteres S 8 Tôdas as anteras (ver no botão) férteis (com pólen) Callisia Algumas anteras estéreis (sem pólen) 9 9 Todos os filetes barbados (Est. I, fig. 4) ou glabros Aneilema Uns filetes barbados e outros glabros Tinantia 10 Flor com estaminódios (anteras estéreis ou só os filetes — ver no botão) 11 Flor sem estaminódios (tôdas as anteras com pólen) 13 t 11 Plantas reptantes 12 Plantas eretas 27 12 Flor actinomorfa Murdannia Flor zigomorfa 26 13 Flor actinomorfa 17 Flor zigomorfa 14 14 Alguns filetes, ou todos, barbados (Est. I, fig- 4) 16 Todos os filetes glabros 15 15 Cada lóculo do ovário com um óvulo Floscopa Cada lóculo do ovário com mais de um óvulo 25 16 Até dois óvulos por lóculo do ovário 29 Mais de dois óvulos por lóculo do ovário... 28 17 Ovário até 2 lóculos 18 Ovário com mais de 2 lóculos 20 18 Filetes barbados (Est. I, fig. 4) Campelia Filetes glabros 19 cm i ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 19 Cada lóculo do ovário com um óvulo Cada lóculo do ovário com mais de um óvulo 20 Até 2 óvulos por lóculo do ovário Mais de 2 óvulos por lóculo do ovário 21 Filetes barbados (Est. I, fig. 4) Filetes glabros 22 Cada lóculo do ovário com um óvulo Cada lóculo do ovário com mais de um óvulo 23 Estames de tamanhos iguais ou quase iguais Estames de tamanhos desiguais 21 Estames de tamanhos iguais ou quase iguais Estames de tamanhos desiguais 25 Estames e estaminódios (se houver) somando ao todo até 5 (ver no' botão) Estames e estaminódios (se houver) somando ao todo mais de 5 26 Flores na axila de uma bráctea ; bractea maior que as flores (Est. I, fig. 3) Sem o conjunto dêsses caracteres 27 Flores na axila de uma bráctea ; bráctea maior que as flores (Est. I, fig. 3) Sem o conjunto dêsses caracteres 28 Plantas reptantes Plantas erétas 29 Flores alvas Flores não alvas 30 Flores na axila de uma bráctea ; bráctea maior que as flores (Est. I, fig. 3) Sem o conjunto dêsses caracteres 31 Filetes barbados (Est. I, fig. 4) Filetes glabros ■ 32 Um óvulo por lóculo do ovário Mais de um óvulo por lóculo do ovário 33 Filetes barbados (Est. I, fig. 4) Filetes glabros Floscopa Callisia 22 21 Tinantia Pyrrheima 23 24 31 30 Tradescantia Descantaria Callisia Descantaria Athyrocarpus Aneilema ! Athyrocarpus Aneleima Geogenanthus Tinantia Campelia Tinantia Rhoeo (X) Descantaria Rhoeo (X) Leptorrhoe Rhoeo (X) Zebrina (X) Rhoeo (X) Spironema (X) FAMÍLIA CYCLANTHACEAE (5) (Série Synanthac) Gêneros 1 As flores femininas com estaminódios muito compridos (Est. I, fig. 11) Sem êsse característico Cyclanthus — 59 — 2 Folhas com o limbo inteiro e de margem cre- nada Ludovia Sem o conjunto dêsses caracteres 3 3 Folhas em forma de leque (Est. I, fig. 10)... Carludovica Sem êsse característico 4 4 Ovário supero 5 Ovário infero ou semi-infero Carludovica 5 Estigmas sésseis 6 Estigmas não sésseis Stelestylis 6 Estames exsertos Sarcinanthus Estames inclusos Evodianthus FAMÍLIA DIOSCOREACEAE (6) (Série Liliiflorae) Só um gênero no Brasil Dioscorea FAMÍLIA ERIOCAULACEAE (7) (Série Farinosae) Gêneros 1 Até três estames 4 Mais de três estames 2 2 Até quatro estames Eriocaulon Mais de quatro estames 3 3 Pétalas de flor feminina livres entre si .... Eriocaulon Sem êsses característico Mesanthemum 4 Anteras com uma rima (ver no botão) 7 Anteras com mais de uma rima 5 5 Pétalas da flor feminina livres entre si ... . 6 Sem êsse característico Syngonanthus 6 Parte concrescida dos estiletes além do compri mento do ovário; apêndices abaixo da região da inserção dos estigmas (Est. II, fig. 12) .. Leiothrix Parte concrescida dos estiletes menor que o comprimeito do ovário ; apêndices na região da inserção dos estigmas (Est. II. fig. 13) .... Paepalanthus 7 Flor masculina com pétalas 8 Flor masculina sem pétalas Lachnocaulon (X) 8 Inflorescência terminal 9 Inflorescência não terminal Tonina 9 Pétalas da flor feminina livres entre si Blastocaulon Sem êsse característico Philodice ,SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 60 — FAMÍLIA HA EM ODORA CEA E (3) (Série Liliiflorae ) Gêneros 1 Até seis óvulos no ovário 2 Mais de seis óvulos no ovário Xiphidium 2 In florescência glabra Hagenbachia In florescência pilosa Schiekia FAMÍLIA JUNCACEAE (9) (S’rie Liliiflorae ) Gêneros 1 Até quatro óvulos no ovário Luzula Mais de quatro óvulos no ovário Juncus FAMÍLIA LEMNACEAE (10) (Série Spathiflorae) Gêneros 1 Planta com raiz 2 Planta sem raiz (Est. II, fig. 14) Wolffia 2 Cada articulo da planta com uma só raiz (Est. II, fig. IS) Lemna Cada articulo da planta com mais de uma raiz (Est. II, fig. 16) Spirodela FAMÍLIA MA YA CA CEA E (11) (Série Farinosae) Só um gênero no mundo Mayaca FAMÍLIA MUSACEAE (12,) (Série Scitaminae) Gêneros 1 Grupo de flores na axila de uma bráctea; bráctea do tamanho ou maior que as flores (Es.tampa VI, figs. 36 e 37 e Foto B, fig.’B) 2 Sem o conjunto dêsses caracteres Orchidantha (X) 2 3 5 SciELO/JBRJ — 61 — 2 As duas tépalas interiores concrescidas forman- do uma peça sagitiforme (Estampa VI, fig. 38) Strelitzia (X) Sem êsse característico 3 3 Um óvulo por loculo do ovário Heliconia Mais de um óvulo por loculo do ovário 4 4 Folhas espiraladas ou rosuladas (foto B) .. Musa (X) Folhas disticas (fotos A e C) Ravenala O Bs. : Esta “ chave” foi, com a devida autorização, extraída do trabalho “ Es- tudo da Família Musaceae” de autoria do naturalista Graziela Maciel Barroso. ‘ FAMÍLIA NAJADACEAE (13) (Série Helobiae) Só um gênero no mundo Najas FAMÍLIA PANDANACEAE (14) (Série Pandanales ) Gêneros 1 Trepadeiras Freycinetia (X) Nunca trepadeiras Pandanus (X) > FAMÍLIA PONTEDERIACEAE (15) (Série Farinoseae ) Gêneros 1 Até quatro estames férteis 2 Mais de quatro estameis férteis 3 2 Um só estame fértil Hydrothrix Mais de um estame fértil Heteranthera 3 Tépalas concrescidas formando um tubo dis- tinto (Est. II, fig. 17) 4 Sem êsse característico Monochoria (X) 4 Todo o ovário com um só óvulo 5 Todo o ovário com mais de um óvulo Eichhornia 5 Fruto envolvido por uma camada muricada ou espinhosa (utrículo) Reussia Sem êsse característico Pontederia 2 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 62 — FAMÍLIA POTAMOGETONACEAE (16) (Série Helobiae ) Gêneros 1 Iuflorescência em espiga 2 Inflorescência não em espiga 6 2 Espigas compostas (Est. II, íig. 18) Posidonia (X) Espigas simples 3 3 Até dois estames 4 Mais de dois estames Potamogetón 4 Flores hermafroditas 9 Flores unissexuais 5 5 Flor com estaminódio (ver no botão) Phyllospadix (X) Flor sem estaminódio Ruppia 6 Estigma grande, peitado (Est. II, fig. 19) . . Zannichellia Sem ésse característico 7 7 Um só estigma S Mais de um estigma Cymodocea (X) 8 Plantas marinhas Diplanthera Plantas não marinhas Althenia 9 Estigma séssil Ruppia Estigma não séssil Zostera (X) FAMÍLIA RAPATEACEAE (17) (Série Farinosae ) Gêneros 1 Antera com um apêndice no ápice em forma de colher (Est. II, fig. 20) Rapatea Sem êsse característico 2 2 Anteras porícidas 4 Anteras não porícidas 3 3 Cada lóculo do ovário com um óvulo Cephalostemon Cada lóculo do ovário com mais de um óvulo . Saxo-Fredericia 4 Anteras com um só poro no ápice 5 Anteras com mais de um poro no ápice Schoenocephalium 5 Inflorescência com brácteas (Est. II, fig. 21) 6 Inflorescência sem brácteas (Est. II, fig. 22) Stegolepis 6 Inflorescência com uma só bráctea (Est. II, fig. 21) • Spathanthus Inflorescência com mais de uma bráctea Monotrema 2 3 5 SciELO/JBRJ — 63 — FAMÍLIA SCHEUCHZERIACEAE (JUNCA GIN A CEA E ) (18) (Série Helobiae) Gêneros 1 Flores nuas Lilaea Nunca flores nuas 2 2 Cada lóculo do ovário com um óvulo 3 Cada lóculo do ovário com mais de um óvulo Scheuchzeria 3 Flores hermafroditas 4 Flores unissexuais Tetroncium 4 Sépalas e pétalas (perigônio) somando ao todo até quatro Maundia Sépalas e pétalas (perigônio) somando ao todo mais de quatro Triglochin FAMÍLIA TACCACEAE (19) (Série Liliiflorae) Gêneros 1 Fruto deiscente Schizocapsa (X) Fruto indeiscente Tacca FAMÍLIA THURNIACEAE (20) (Série Farinosac ) Só um gênero no mundo Thurnia FAMÍLIA TRIURIDACEAE (21) Série Trinridales) Gêneros 1 Lacínios longe caudados, com uma abertura na base (Est. II, fig. 23) Tfiuris Sem o conjunto desses caracteres Sciaphila FAMÍLIA TYPHACEAE (22) (Série Pandanales) Só um gênero nc mundo Typha SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 FAMÍLIA VELLOZIACEAE (23) (Série Liliiflorae) Gêneros 1 Até seis estames Barbacenia Mais de 6 estames Vellozia FAMÍLIA XYRIDACEAE (24) (Série Farinosae ) Gêneros 1 Flores amarelas Xyris Flores não amarelas Abolboa FAMÍLIA ZIN GIBERACEAE (25) (Série Scitaminae ) Gêneros 1 Ovário até dois lóculos 2 Ovário além de dois lóculos 12 2 Ovário com um lóculo 6 Ovário com dois lóculos 3 3 Flores solitárias Monocostus (X) Flores não solitárias 4 4 Conectivo prolongando-se acima da antera (Est. III, figs. 27, 30, 34) 5 Conectivo não se prolongando acima da antera (Est. V) Hedychium 5 Flores alvas Dimerocostus (X) Flores não alvas Tapeinochilus (X) 6 Flores violaceas ou amarelas ; antera com dois apêndices laterais (conectivo) (Est. III, íig. 30 A) Mantisia (X) Sem o conjunto desses caracteres 7 7 Labelo trilobado (Est. III, fig 24 ) Gagnepainia (X) Labelo não trilobado 8 8 Filete nulo ou de comprimento inferior ao do labelo .' 9 Filete de comprimento igual ou superior ao do labelo 10 9 Filete até três vèzes o comprimento da antera Hemiorchis (X) Filete além de três vêzes o comprimento da antera Hedychium 2 3 5 SciELO/JBRJ 10 Antera com dois ou mais apêndices laterais (conectivo) Globba (X) Sem êsse característico 11 11 Nectários filiformes (glândulas sôbre o ová- rio) Globba (X) Nectários não filiformes (Est. III, fig. 32). . Hedychium 12 Base da antera calcarada (Est. III,- fig. 26) . 13 Base da antera não calcarada 15 13 Uma só flor na axila de cada bráctea 14 Mais de uma flor na axila de cada bráctea . . Curcuma (X) 14 Flores amarelas Cautleya (X) Flores não amarelas ■ Roscoea (X) 15 Estaminódios concrescidos ao labelo (Est. III, fig. 31) Estaminódios não concrescidos ao labelo .... 19 16 Conectivo prolongando-se acima da antera, bem desenvolvido, tubuloso ou subulado (Est. III, fig. 30) Zingiber (X) Sem êsse característico ..... 17 17 Inflorescência partindo do rizoma ou da base do caule (Est. III, fig. 33) • Renealmia Sem êsse característico ••• 18 18 Labelo distintamente unguiculado (Est. III, fig. 31) Renealmia Labelo séssil ou qua.-.e séssil Alpinia (X) 19 Labelo profundamente partido quase até a base (Est. III, fig. 35) Riedelia (X) Sem êsse característico 20 20 Espigas densas, cônicas ou globosas; bracteas da base grandes e de colorido vivo (Est. III, fig. 32 A) 21 Sem o conjunto dêsses caracteres 22 21 Conectivo — além de um têrço do comprimento da antera — prolongando-se acima da antera (Est. III, figs . 27, 30, 34) Sem êsse característico Phaeomeria (X) 22 Labelo falta ou até 5 milímetros de compri- mento (Est. III, fig. 28) Labelo além de 5 milímetros de comprimento. 24 23 Folhas sésseis Rhynchanthus (X) Folhas pecioladas Brachychilus (X) 24 Parte do filete livre igual ou menor que a me- tade do comprimento da antera, ou antera séssil 2 ^ Sem êsse característico 29 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 66 — 25 Conectivo — além de um têrço do comprimento da antera — prolangando-se acima da antera (Est. III, figs. 27, 30, 34) Costus Sem êsse característico 26 26 Antera séssil ou quase: in florescência partindo do rizoma ou da base do caule (Est, III, fig 33) Elettaria (X) Sem o conjunto dêsses caracteres 27 27 Filete maior que o labelo 28 Filete do tamanho ou menor que o labelo .. Alpinia (X) !8 Filete com dois denticulos (estaminódios) (Est. III, fig. 31 A) Alpinia (X) Sem êsse característico Hedychium 29 In florescência partindo do rizoma oti da base do caule (Est. III, fig. 33) 30 Sem êsse característico 31 30 In florescência em panícula Geostachys (X) .Inflorescência não em panícula Amomum (X) 31 Estaminódios petaloides laterais (Ests. IV, V) além de 10 milímetros de comprimento . 32 Estaminódios laterais faltam ou até 10 milí- metros de comprimento 36 32 Plantas acaules (Est. IV) 33 Sem êsse característico 34 33 Ovário com glândulas (nectarios) junto ao estilete (Est. III, fig. 32) Kaempfera (X) Ovário sem glândulas (nectarios) Costus 34 Conectivo — além de um têrço do comprimen- to da antera — prolongando-se acima da antera (Est. III, figs. 27, 30, 34) 35 Sem êsse característico Hedychium 35 Ovário com glândulas (nectarios) junto ao es- tilete (Est. III, fig. 32) Kaempfera (X) Ovário sem glândulas (nectarios) Costus 36 Conectivo — além de um têrço do comprimen- to da antera — prolongando-se acima da an- tera (Est. III, figs. 27, 30, 34) Costus Sem êsse característico Alpinia (X) SINONIMIA DOS GÊNEROS FAMÍLIA ALISMACEAE R. Br. Gêneros Sinonímia 1 Echinodorus L. C. Rich , Baldellia Pari. Helanthium Engelm. 2 Elisma Buch Nectalisma Fourr. 2 3 4 SciELO/JBRJ — 67 — 3 Limnophyton Miq 4 Lophotocarpns Durand. 5 Sagittaria L Dipseudochoricn Buch. Lophiocarpus Miq. Michelia Durand. Diphorea Raf. Drepachenia Raf. Sagitta Adans. FAMÍLIA BUTOMACEAE Lindl. 1 Hydrocleis Rich Vespuccia Pari. 2 Tenagocharis Hochst Butomopsis Kunth. FAMÍLIA CANNACEAE O. G. Peters. 1 Canna L. Achirida Horan. Cannacorus Mèdik. Distemon Bouché Eurystylus Bouché Katubala Adans. Xiplwstylis Raf. FAMÍLIA C OM M ELI NA CEA E Endl. 1 Aneilema R. Br. 2 Athyrocarpus Schl 3 Callisia L 4 Campelia Rich 5 Descantaria (Schl.) Bruckn. 6 Dichorisandra Mikan. 7 Floscopa Lour 8 Geogenanthus Ule. .. Amelina Clarke. Anilcma Kth. Aphylax Salis. Bauschia Seub. Dictyospermum Wight. Lamprodithyros Hassk. Pileiocarpus Hassk. Rhopalephora Hassk. Phaeospherion Hassk. Hapalanthus Jacq. Gonatandra Schl. Sarcoperis Rafin. Zanonia Cram. Descantaria Schl. Disgrega Hassk. Heminema Rafin. Tripagandra Rafin. Stickmannia Neck. Petaloxis Rafin. Dithyrocarpus Kth. Chamaeanthus Ule. SciELO/JBRJ — 68 — 9 Murdannia Royle Anilema Kth. Baoulia A. Chev. Dichoespermum Wight. Phacneilcma Bruckn. Prionostachys Hassk. 10 Pyrrheima Hassk Siderasis Rafin ? 11 Tinantia Scheidw Pogomesia Rafin. 12 Tradescantia L Aploleia Rafin. Cuthbertia Small. Ephemerum Toum. Etheosanthes Rafin. Gibasis Rafin. Heterachlhia Kunze. Knmvlesia Hassk. Leiandria Rafin. • . Mandonia Hassk. Fhyodina Rafin. Skofitzia Hassk. e Kanitz. Tradescantella Small. Tropilia Rafin. FAMÍLIA CYCLANTHACEAE Lindl. 1 Carludovica R. eP Ludovia Poit. Salinia Willd. 2 Cyclanthus Poit Cyclosanthes Popp. Discanthus Sprc. FAMÍLIA DIOSCOREACEAE Lindl. 1 Dioscorea L Androsyne Salisb. Dioscorea Miq. Discoridia St. Lag. Ricophora Mill. Ubium J. F. Gmel. FAMÍLIA ERIOCAULACEAE A. Rich. 1 Eriocaulon L Dichrolcpsis Welw. Electrosperma F. Muell. Eriocauli Seção Mart. Lasiolepis Boeck. Leucocephala Roxb. Nasmythia Huds. Rand alia Petiv. Sphaerochloa Beauv. , Symphachne Beauv. cm .. — 69 — \ 2 Piicpalanthus Mart . .. Cladocanlon Gardn. Dupalya Vell. Eriocaulon Seção III e IV. Steud Lasiolcpis Boeck. Limnoxeranthemum Salzm . Stephanophyllum Guill. 3 Syngnnanthus Ruhl Andraspidopsis Koem. Carphocephalus Koern. Eulcpis Bong. Paepalanthus Mart. Psiloccphalus Koern. 4 Tonina Aubl Hyphydra Schreb. * FAMÍLIA HAEMODORACEAE R. Br. 1 Hagenbachia Nees e Mart Hachenbachia Dietr. 2 Schiekia Meifin Schieckia Benth. 3 Xyphidium Loefl Xyphidium Neck. FAMÍLIA JUNCACEAE Dumort. Isoetes Weigel. Juncastrum Fourr. Juncinella Fourr. Phylloschoenus Fourr. Stygiaria Ehrh. Tenageia Ehrli. Cypcdclla Kramer. i Cymnodes Fourr. Ischacmon Schmiedel Juncastrum Heist. Juncodes O. Ktze. Juncoides Moehr. Leucophoba Ehrl. Luciola Smith. Lusola Sanguin . Nemorinia Fourr. FAMÍLIA LEMNACEAE Dumort. I IVolffia Horkel Grantia Griff. Horkelia Rchb. FAMÍLIA MAYACACEAE Kth. 1 Mnyaca Aubl Eiaslia Vandelli Coletia Vell. Syena Schreb. i Juncus L. 2 l.wu a DG. SciELO/JBRJ — 70 — FAMÍLIA MUSACEAE St Hil. 1 Heliconia L. 2 Musa L. 3 Orchidantha N. E. Brown. 4 Ravemla Adans. 5 Strelitaia Banks. Bihai Mill. seg. Adans. jj. J Bihai Plum. Bihaia O. Ktze. / Heliconopsis Miq. Enscte Bruce | ' Karkandela Raf. Mnasium Stackh. M uca Stoks. Lowia Hook. f. Lcrwia Scortech. Frotamomum Ridl. Bhcnakospennum Endl . Urania Schreb. Strclitsia Thunb. FAMÍLIA PANDANACEAE Lindl. 1 Freycinctia Gaudich Jesabel Banks. Victoripcrrca Gaudich. FAMÍLIA PON TEDERIA CEA E A. Rich. 1 Heteranthera Ruiz e Pav Buchosia Vell. Heterandra Beauv. Leptanthus Mich. Schollera Scharb. 2 Pontedcria L Unisema Rafin. FAMÍLIA POTAMOGETONACEAE Engl. 2 Cymodocea Koenig Bellcvalia Delile Belvalia Delile Hexatheca Sonder Lepilacna J. Drumm. 2 Cymodocea Koenig Phucagrosti Cavolini Phycagrestis O. Ktze. 3 Diplanthera Thou Halolula Benth. Halodule Endl. 4 Posidonia Koenig Aeglc Dulac. Alga O. Ktze. Caulinia DC. Kerncra Willd. , Posidonia St. Lager. Taenidium Targ. e Tozz. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 71 — 5 Potamogeton (Tourn.) L Buccafcrrca Bubani. Hydrogeton Lour. Patamogeton Honck. Pcltopsis Raf. Potamogetum Clairv. Potamogiton Raf. Posidonia Dumort. Spirillus J . Gay. 6 Ruppia L Buccaferrea Petagna Bucafer Adans. Dzicdussyckia Rehmahn. 7 Zannichellia L Peita Dulac. Zanichelia Gilib. Zanichellia Roth. Zannichallia Reut. Zannichella L. 8 Zostcra L Alga Latn. Phucagrostis Cavolini Zoster St. Lager. FAMÍLIA RAPATEACEAE Endl. 1 Rapatca Aubl Mnasinm Schr. FAMÍLIA SCHEUCvZERIACEAE Agardh. (Buchenau). 1 Lilaca H. B. K Helerostylus Hook. 2 Scheuchzeria L Papillaria Dulac. 3 Tetroncium Willd Catanthcs L. C. Rich. 4 Triglochin L Abbotia Raf. Juncago Tourn. 1 Tacca Forst. FAMÍLIA TACCACEAE Lindl. Chailaea FAMÍLIA THURNIACEAE Engl. 1 Thurnia Hook. f Mnasinm Baill. FAMÍLIA TRIURIDACEAE Lindl. 1 Sciaphila Blume Soridium Miers. 2 Triuris Miers Hexuris Miers. Peltophyllum Gardn. 2 SciELO/JBRJ FAMÍLIA VELLOZIACEAE D. Don. 1 Barbacenia Vand PIcurostima Raf. Schnitdcinia Steud. Schnideinia Steud. Talbotia Balf. Vcllosia Sekt. Visnca Steud. Xcrophyta Endl. Xcrophyta Juss. 2 Velloda Vand Campderia Rich. Campicdcria Steud. Radia Rich. Vellosia Spreng. Velloaoa Lera. FAMÍLIA XYRIDACEAE Lindl. 1 Abolboda H. e B Chloerum Willd. Poarchon Mart. 2 Xyris L Jupica Raf. Kotsjilctti Adans. Ramotha Raf. Schismaxon Steud. Synoliga Raf. Xuris Adans. Xyroides Thou. FAMÍLIA Z1NGIBERA CEAE L. C. Rich. 1 Alpinia L Albina Griseke, Prael. Amomum Presl. Buekia Griseke, Prael. Catimbium Juss. Cenolophon Blume Galanga Salisb. Hellcnia Willd. Heritiera Retz. Kaltmratia Presl. Languas Koenig. Martcnsia Griseke, Prael. Zerumbet Jacq. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 ■ 2 Amotnum L — 73 — Bojcra Raf. Ettlingera Giseke, Prael. Geanthus Reinw. Geocallis Horan. Mcistera Giseke, Prael. Paludana Giseke, Prael. Rcnealmia Roscoe IVurfbainia Giseke, Prael. Zedoaria Raf. I 3 Brachychilus G. O. Peters. ... R. Br. ~ - 1 4 Cautlcya Royle [ 5 Costus L Banksea Koeriig. Cadalvem Fenzl. Gissanthe Salisb. Glissanthe Steud. Hellenia Retz. Jacmnga Lestiboud . Planera Giseke. Pyxa Noronha. Tsiana J. F. Gmel. 6 Curcuma L ! 7 Elcttaria Maton Stissera Giseke. Prael. i j 8 Gognepainia K. Schutn 9 Geostachys Ridl I 10 Globba L Cerptanthera Lestib. 1 Hura Koenig. 1 11 Hcdychium Koenig Manitia Giseke, Prael. | Sphacrocarpos Gmel. I | 12 Kaempfera L Gandasulium 0. Ktze. 1 Cicnkowskia Graf. Solms-Laubach 1 13 Mantisia Sims 1* Sincorus Rumph. 1 Stahlianthus 0. Ktze. I Trilo phus Lestiboudois. 1 cm l SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 74 — 14 Phaeomeria Lindl. 15 Rcnealmia L. f. 16 Riedclia Oliv 17 Tapeinochilus Miq. 18 Zingiber Adans. . . . Alpinia Roscoe Amotnum Benth. Elcttaria, Seção II e Geanthus Blume. Hornstedtia Retze. Seção II de Phaeomeria Ridl. Nicolaia Horan. Alpinia Jacq. Amomum Ruiz e Pav. Ethanium O. Ktze. Ethanium Salisb. Gelhyra Salisb. Pepcridium Lindl. Naumannia Warb. Costus Teyam. Cassumunar Colla. Dietrichia Giseke. Prael. Dymczewicsia Horan. Jaegera Siseke, Prael. Lampujang Koen. Thumung Koen. Zerumbet Lestiboudois. FAMÍLIAS, SÉRIES E GÊNEROS CONSTANTES DESTE TRABALHO Famílias Series Gêneros 1 Alismaceae Helobiae 2 Butomaceae Helobiae 3 Cannaceae Scitaminae 1 Alisma 2 Burnatia (X) 3 Caldesia 4 Echinodorus 5 Elisma 6 Limnophyton (X) 7 Lophotocarpus 8 Sagittaria 9 Wiesneria (X) 1 Botomus 2 Hydrocleis 3 Limnocharis 4 Tenagocharis 1 Canna 2 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 75 — 4 Commelinaceae 1 Aneilema 2 Athyrocarpus 3 Callisia 4 Campei ia 5 Cochliostema (X) 6 Commelina 7 Descantaria 8 Dichorisandra 9 Floscopa 10 Geogenanthus 11 Leptorrhoe 12 Murdannia 13 Pyrrheima 14 Rhoeo (X) 15 Spironema (X) 16 Tinantia 5 Cyclanthaceac 1 Carludovica 2 Cydanthus 3 Evodianthus 4- Ludovia 5 Sarcinanthus 6 Stelestylis 6 Dioscoreaceae 1 Dioscorea 7 Eriocaulaceae 1 Blastocaulon 2 Eriocaulon 3 Lachnocaulon (X) 4 Leiothrix 5 Mesanthemum 6 Paepalanthus 7 Philodice 8 Syngonanthus 9 Tonina 8 Haemodoraceae 1 Hagenbachia 2 Schiekia 3 Xiphidium 9 Juncaceae Liliiflorae ... 1 Juncus 2 Luzula 10 Lemnaceae 1 Lemna 2 Spirodela 3 Wolffia 1 1 Mayacaceae Farinosae . . . 1 Mayaca Scitaminae . . . 1 Heliconia 2 Musa (X) 3 Orchidantha (X) 4 Ravenala 5 Strelitzia (X) ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 76 — 13 Najadaceae 1 Najas 14 Pandanaceae 1 Freycinetia (X) 2 Pandanus (X) 15 Pontederiaceae í * / 1 Eichhornia 2 Heteranthera 3 Hydrothrix 4 Monochoria (X) 5 Pontederia 6 Reussia 16 Potamogetonaceae 1 Althenia 2 Cymodocea (X) 3 Diplanthera 4 Phyllospadix (X) 5 Posidonia (X) 6 Potamogeton 7 Ruppia 8 Zannichellia 9 Zostera (X) 17 Rapateaceae 1 Cephalostemon 2 Monotrema • 3 Rapatea 4 Saxo-Fredericia * 5 Schoenocephalium 6 Spathanthus 7 Stegolepis 18 Scheuchzeriaceae 1 Lilaea 2 Maundia 3 Scheuchzeria 4 Tetroncium ' 5 Triglocliin 19 Taccaceae 1 Schizocapsa (X) 2 Tacca 20 Thurniaceae 1 Thurnia 21 Triuridaceae 1 Sciaphila 2 Triuris 22 Typhaceae 1 Typha 23 Velloziaceae 1 Barbacenia 2 Vellozia 24 Xyridaceae 1 Albolboa 2 Xyris ■SciELO/ JBRJ ^ 12 13 14 15 — 77 — 25 Zingiberaceae Scitaminae ... 1 Alpinia (X) 2 Amornam (X) 3 Brachychilus (X) 4 Cautleya (X) 5 Costus 6 Curcuina (X) 7 Dimerocostus (X) 8 Elcttaria (X) 9 Gagncpainia (X) 10 Geostachys (X) 11 Globba (X) 12 Hedychium 13 Hemiorchis (X) 14 Kaempfera (X) 15 Mantisia (X) 16 Monocostus (X) 17 Phaeomeria (X) 18 Renealmia 19 Rhynchanthus (X) 20 Riedelia (X) '21 Roscoea 22 Tapeinochilus (X) 23 Zingiber (X) NOTA: Os gêneros assinalados com (X) são exóticos. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA I Fig. 1 Folha de uma espécie de Caldesia. — Fig. 2 Folha de Elisma iiatans (L.) Buchenau. — Fig. 3 Inflorescência protegida por uma bráctea de uma espécie de Commelina. — Fig. 4 Filete barbado. — Fig. 5 Flor de uma espéccie de Commelina, mostrando as anteras estéreis em cruz. — Fig. 6 Anteras de Co- chliostema. — Fig. 7 Antéra porícida de uma espécie de Dichorisandra. Fig. 8 Flor de uma espécie de Zebrina. — Fig. 9 Antéra com o concetivo dilatado de Spironema ou Rhoeo. Fig. 10 Folha de uma espécie de Carludovica. Fi. . . Inflorescência de Cyclanthus. ESTAMPA II Fig. 12 Gineceu de Leiothrix. — Fig. 13 Gineceu de Paepalanthus. — Fig. 14 Hábito de uma espécie de Wolffia. — Fig. 15 Hábito de uma espécie de Lemna. Fig. 16 Hábito de uma espécie de Spirodela. — Fig. 17 Flor de uma espécie de Eichhornia. — Fig. 18 Inflorescência de Posidonia. — Fig. 19 Gineceu de Zannichellia. — Fig. 20 Antera de uma espécie de Rapatea. — Fig. 21 Inflores- cência de Spathanthus. — Fig. 22 Inflorescência de Stegolepis. — Fig. 23 In- florescência de Monotrema. ISciELO/JBRJ cm .. ESTAMPA III Fig. 24 Labelo trilobado de uma espécie de Gagnepainia. — Fig. 15 Labelo de Zingibcr ojficinalc Roscoe. — Fig. 26 Antera calcarada. — Fig. 27 Conec- tivo de uma espécie de Kaempfera. — Fig. 28 Flor de Rhynchanthus. — Fig. 29 Diagrama da flor de uma espécie de Kaempfera mostrando a localização do estame fértil (B), dos estáminodios (A) e do ovário- (C) ; fig. 30 — conectivo subulado de Zingibcr ojficinalc Roscoe.; fig. 30A — antera de uma espécie de Mantisia; fig. 31 — labelo /le uma espécie de Renealmia mostrando 2 den- tículos (estáminodios) e o unguiculo; fig. 31 A — estame de Alpinia tnacros- temon K. Schum., vendo-se os estáminodios em forma de dentículos; fig. 32 — ovário com duas glândulas (nectarios) ; fig. 32A — inflorescência de uma espécie de Phaeomeria; fig. 33 — inflorescência de uma espécie de Amomum; fig. 34 — conectivo petaloide de uma espécie de Costus; fig. 35 flor de uma espécie de Riedelia mostrando o labelo profundamente partido. SciELO/JBRJ ESTAMPA IV Hábito de Kaempfcra acthiofica (Soltns.) Benth. : a) Cálice ; b) corola ; c) estaminódios laterais c d) estaminódio que recebe o nome de Iabelo. ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA V Flor de Hedychium coronarium Koen., conhecida vulgarmente por brejo”, vendo-se; a) cálice; b ) corola; c) estaininódios laterais minódio que recebe o nome de labelo. “lírio do e d) esta- SciELO/JBRJ ESTAMPA VI * Fig. 36 — Inflorescência de uma espécie de MUSA L. ; fig. 37 — in florescência de uma espécie de Heliconia L. fig. 38 — Tépalas concrescidas formando uma peça sagitiíorme de uma espécie de Strelitzia Banks. cm 2 SciELO/JBRJ FOTO A Hábito de Ravenala guianensis (L. C. Rich) Bentli. SciELO/JBRJ FOTO B Hábito de uma espécie de Musa L. cm 1 2 3 4 5 SciELO/ JBRJ FOTO C A — Hábito de Ravenala madagascariensis, Sonn. ; B — ínflores- cência; C — infrutescência. cm DMA NOVA ESPÉCIE DE IR1DACEAE DA FLORA DO DISTRITO FEDERAL (*) PAULO OCCHIONI Da Secção de Botânica Geral Por mais extranho que pareça, a ocorrência de espécies novas de plantas, na área da capital da República, é uma realidade; bastante é citarmos alguns exemplos já existentes, como sejam o da espécie Hillia viridijlora Kuhlm. et Silv., que foi encontrada, pela primeira vez,- dentro da própria área cultivada do Jardim Botânico; a P l eur ot h alli s tigridens Lõfgr., descoberta pelo Snr. Pedro Occhioni; e, ainda mais convincentes exemplos nos são fornecidos pelo naturalista Kuhlmann, que descreveu, para a flora do Distrito Federal, novas espécies dos gêneros Pssudohuedia e Ogcodeia, gêneros êsses que tinham sua área limitada à Hyléa Amazônica. Em trabalho que realizamos recentemente (**), tivemos a oportuni- dade de chamar a atenção para uma interessante espécie de Iridaceae, integrante da flóra da Serra da Carioca, não nos sendo possível deter- miná-la em vista de ser incompleto o material de que, então, dispúnhamos para o estudo. Admitíamos, nessa época, a hipótese de se tratar de espécie nova para a ciência e, não estávamos longe da verdade, pois, tendo passado a observá-la em excursões periódicas, pudemos, finalmente, obter material completo; em vista, porém, da delicadeza de suas flores, tivemos de, não só herbo- rizá-lo por processo especial, como também conservar aquelas em líquido apropriado, para a análise. Consiste, portanto, o presente trabalho, na descrição, para a nossa flora, de uma nova e bem caracterizada espécie de Iridaceae. (*) Entregue para publicação em 12 de Agosto de 1946. (**) Contribuição ao estudo da família Canellaceae — Tese de concurso, 1945. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 80 — IRIDACEAE TRIBU III — MORAEAE Gen. NEOMARICA Sprague Neomarica Heloísa-Mariae Occhioni n. sp. Rhizoma breve cylindricum, articulatum, radices fibrosae, paucae numerosae. Foliis ensiformis, acuminatis, 18-32 cm. longis, 20-52 mm latis (in parte tertia medii), flabellatim disposita, base breviter vaginantis, equitantibus viridis, glaberrimis, aliquantulo crassiuscule-herbaceis, nervo intermédio crassiusculo, secundariis, nume- rosis, tenuis, marginae integerrimis, iu basis foliis frequenter occurunt organa redueta, forma vaginata, 5-8 cm. longa, 15-20 mm. lata. Scapo, ensiformis, folia similia, 25-36 cm. longo, 20-50 mm. lato. Inflorescentiae ad flores solitarii, vulgo bini, raríssimo trini, spatha lateralis formatio similis bracteae, pedunculo communi, teretis, crassius- culo, breviter ad 1,5 cm. longo, bracteae vaginantia, membranaceae, imbricatis, omnia viridia, glaberrimae, cc. 5, 20-40 mm. longa, 10-15 mm. lata, post anthese saepe apparente propagalum (reproduetio vegetalis) in base axis inflorescentiae. Flores odorati. Ovário trigono, 10 mm. longo, glaberrimo, triloculare, ovula cc. 5-8 pro loculo. Perigonii lacinis exterioribus violaceae-indicis, erectis, oblongis, 35 mm. longis, 15 mm. latis, nervis tenuis, paralclis, simplices, apice incurvatus, mar- gines longitudinaliter revolutis extra, intus basin flavescentibus, cc. 2/3 interna autem parte tigrina ferrugina vel parda; interioribus similiter color tertio inferior lacinis exterioribus, apice albus cum striis violaceis, sub-panduriformis, cum base cuneatim constrita et pars apicale elíptica, 18-20 mm. longis, 5-7 mm. latis, reflexou deflexis, parte media cucullata. Alabastra fusiformis, contorta. Stamina 3, adhaerentis in anguius stylis, filamenta brevissima (longitudo inferior 1 mm.), subsessila, anthe- rae linearis, flavae, cum duobus rimis in longitudine, 5 mm. longa, polliniis pulveren- tibus, sphaericis, exina reticulata pori germinali elliptiforme, Stylus albus, antheras superens, 10-12 mm. longo, tripartito, cum nevem lacinis, erectis, acutis, apice laci- niis bifidis, marginae tenuissimae serrato-laceratis. Capsula (imatura) trigona, gla- berrima apice truncato, 5 cm. longa, 12 mm. lata, semina striolata ovoidea, trigonata, bruimea, 5-7 mm. longa. Espcciei N. cocrulea evidenter affinis autem differt per habitus, occurrcntia organa redueta forma vaginantia in basis foliis, magnitudine et color floris, dispositio lacinis exterioribus perigonii, et forma capsula numerus lacinis stigmae Habitat Brasil; ad urbem Rio de Janeiro in silvis umbrosis (saepe frequenter habitus rupestris) montium Carioca. Specimina flcrifera legit Pedro Occhioni, Cor- covado silvis (Reg. H.J.B.R.J. n.° 17.903), florif. leg. P. Occhioni (Reg. H.J.B. R.J. n.° 52.757) silvis “Pai Ricardo", fruetif. (imaturo) leg. P. Occhioni (Reg. H.J.B.R.J. n.° 52.759). TYPUS Herb. Jard. Bot. Rio dc Janeiro Reg. n.° 56.701. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 81 — EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA 1) Hábito 2) Sépala e pétala distendidas 3) Pétala: perfil 4) Botão 5) Estilete 6) Segmento do estigma, aumentado 7) Grão de pólen (aumentado mais ou menos 500 X ) 8) Ovário: Seção transversal 9) Fruto 10) Fruto: Seção transversal 11) Semente. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA FLORA INDÍGENA (*) (labí ADAS NOVAS DO BRASIL II ) ALEXANDRE CURT BRADE e ALTAMIRO BARBOSA PEREIRA , (Respectivamente Naturalista c Agrônomo da Secção de Botânica Sistemática) Durante a última de nossas excursões costumeiras, que visou a explo- ração da zona do Alto Limoeiro, Município ' de Itaguaçu, no Estado do Espírito Santo, tivemos oportunidade de coletar, dentre o copioso material julgado importante para completar as coleções do Jardim Botânico, alguns exemplares que, desde os primeiros momentos, nos pareceram interessantes. Zona pouco explorada, com alguns restos de mata primária, constitui, sem dúvida, excelente campo de observação, para o qual chamamos a atenção dos naturalistas. Dentre os exemplares trazidos, despertaram-nos curiosidade três espé- cies de Salvia, distintas das demais com idêntica área de distribuição geo- gráfica, pelo hábito. Gênero com um número de espécies relativaniente grande, com áreas de distribuição geográfifea extensas, torna-se, à primeira vista, difícil o seu estudo, pelo aspecto semelhante que as mesmas apre- sentam. Entretanto, estudadas mais detalhadamente, no gabinete, verifi- camos tratar-se de espécies novas. Apresentamos, inicialmente, como resultado de nossos estudos, êste pequeno trabalho que, estamos certos, concorrerá para o melhor conheci- mento de nossa flora . São elas as seguintes espécies : Salvia Apparicii Brade & Alt. Barb. n. sp. (Estampa 1 — Figs. 7-12 e estampa 2) (*) Entregue, para publicação, em 12-VIII-1946. SciELO/JBRJ — 84 — Curtijlorac — Caule suffruticoso erecto, usque ad 2 m alto; ramis numerosos, sulcatis, junioribus praecipue ad nodis, tenuiter puberulis, mox glabrescentibus, inter- nodiis 2-18 cm longis; foliis ovatis vel ovato-lanceolatis, acutiusculis, basi acutis interdum in petiolum paulo decurrentibus, laminis 4-8 cm longis, 2-3,5 cm latis, junioribus pagina superiore, praecipue ad margine sparse pilosis, pagina inferiore ad nervos puberulis mox glabrescentibus, supra viridii, subtus interdum erubescentibus, marginibus grosse crenato-serratis, longiusculo petiolatis, petiolo 1-2 ( — 4) cm longo, sulcato puberulo, mox glabresccnte ; racemis elongatis, 30-40 cm longis, tenuiter puberulis, verticillastris 1-2 cm inter se distantibus, usque ad 6-f loris ; b r a c t e i s 3 mm longis, lanceolatis, caducis ; c a 1 y c i b u s florentibus rubescentis, tenuiter glan- duloso-puberulis, tubo 4-6 mm longis, 3-4 mm latis, laciniis acuminatis, labia superiore 5 mm longa, 5-(-7)-venia, inferiore paulo breviore, in maturitate 11 mm longis; corollis rubris, tenuissime, puberulis,. 4-5 cm longis, tubo 3,5-4 cm longo; 1,3 cm lato, paulo incurvo, in mediutn ampliato, intus mulo, labia superiore emarginato-bilo- bulata, 7 mm longa, inferiore -satis breviore, 4 mm longa, trilobata; staminibus exscrtis, filamentis 7-8 mm longis, jugo 23 mm longo, gubernaculo 11 mm longo; Stylus 6 cm longus, exsertus, glabrus; nuculis ovoideis incurvatis, 2 mm longis, gynobasis cornu aequalis. Habitat: Brasília, Estado do Espírito Santo, Município de Cachoeiro de Santa Leopoldina. na iregião da divisa com o Município de Itaguaçu, Alto Limoeiro, 900 m.s.n.mar, na beira do córrego. — Leg. A.C. Brade, Altamiro Barbosa Pereira 6 Aparicio Pereira Duarte, n.° 18.296 em 17-V-1946. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro n.° 56.420. Dedicamos esta espécie ao nosso colega de excursão Apparicio Pereira Duarte. Subarbusto ereto, perene, alcançando cêrca de 2 m de altura, com numerosos ramos, vilosos apenas nas arestas dos mais novos ; entrenós com 2-18 cm ; folhas ovais ou oval-lanceoladas, ligeiramente agudas, com base aguda decorrente, lâmina esparsamente pilosa na página supe- rior, principalmente na margem, com 4-8 cm de comprimento e 2-3,5 cm de largura, com a página inferior puberula nas nervuras, de margem cre- nado-serrada, pecíolo de 1-2 cm de comprimento, sulcado, pubescente; inflorescência em rácemos simples de 30-40 cm de comprimento, levemente pubescentes, pseudo-verticilos formados de 3-6 flores, distanciados uns dos outros de 1-2 cm; brácteas caducas, lanceoladas de 3 mm de compri- mento; cálices florais, rubescentes, pequenos, tubo com 4-6 mm de com- primento, 3-4 mm de largura, levemente glanduloso-pubescente, bilabiado, lábio superior íntegro acuminado, com cêrca de 5 mm de comprimento, com 5-(-7) nervuras, 'inferior com dois lobos agudos de 3 mm de com- primento, pouco menor do que o superior, cálice frutífero com cêrca de 11 mm de comprimento, 4,5 de largura, rubescente; corolas rubras, exter- eSciELO/ JBRJ — 85 — namente vilosas, 4,5 cm de comprimento, tubo 3,5-4 cm de comprimento, 1,3 cm de largura, ligeiramente encurvado, gradualmente ampliado, aber- tura mais estreita do que o meio do tubo, internamente nua, lábio superior 7 mm de comprimento, ligeiramente bilobado, inferior de 4 mm de com- primento, trilobado ; estames excertos, glabros, implantados na porção supe- rior do tubo, com filamentos de 7-8 mm de comprimento, jugos de 23 mm, gubernáculo de 11 mm; estilete glabro com 6 cm de comprimento, excerto, disio com glândula do mesmo tamanho, das núculas. Esta bonita e vistosa espécie não se identifica, em absoluto, com nenhuma das espécies descritas para o Brasil. Aproxima-se, provàvel- mente, de Salvia mentiens, mal definida pela diagnose incompleta. Entre- tanto, pelo exame da figura desta última espécie, representada em Po iil, Pl. Bras. Icon. Vol II (1831) tab. 193, verifica-se fàcilmente, dentre vários caracteres diferenciais, dois importantíssimos que, geralmente, cons- tituem elementos básicos para a separação. Os estames, em Salvia, men- tiens, são inclusos, embora a diagnose nada comente a êsse respeito e os ramos são vilosos, enquanto na presente espécie, os estames são exsertos c os ramos glabros. Por outro lado, distingue-se claramente de Salvia fruticetorum pelo maior tamanho de suas flores e pela forma diversa de . suas folhas. Salvia itaguassuensis Brade & Alt. Barb. n. sp. (Estampa 1 — Figs. 1-6 e estampa 3) , Curtiflorae — Caule suffruticoso usque ad 1,5 m alto, ramis erectis, virgatis, tomentoso-villosis, internodiis 4-8 cm longis : Foliis late-ovatis, acuminatis, basi obtu- siusculis truncatis interdum subrotundatis, 5-6 cm longis, 4-6 cm latis, marginibus crenato-scrratis, breviuseule petiolatis, petiolo usque ad 2 cm longo, superioribus sub- sessilibus, utrinque, pracipue pagina inferiora, puberulo-tomentosis ; racemis elon- gatis, 30-50 cm longis, vcrticillastris 1-1,5 cm inter se distantibus, usque ad 8 floris;- bracteis tenuissime subulatis, 1 cm longis, caducis; caly cibus florentibus 7-8' mm longis, 2,5-3 mm latis, villosulis, viridis, laciniis rubescentibus, labia superiore rotundato-mucronata, 3-venia, inferiore laciniis breviter acuminatis, in maturitate 12 mm longis 5 mm latis ; c o r o 1 1 i s rubris, extus vilosulis 29 mm longis, tubo 23 mm longo, 7 mm lato, vix incurvo, superne gradatim ampliato, intus nudo, labia superiore 5 mm longa, apice emarginata-bilobulata, inferiore satis breviora, 3 mm longa, trilobata; staminibus exsertis, filamentis 5 mm longis, jugo 18 mm longo, gubernáculo 8 mm longo ; Stylus circiter 39 mm longus, exsertus, glabrus ; nuculis ovoideis, 1 mm longis, gynobasis cornu duplo superante. Habitat: Grasilia. Estado do Espirito Santo, Jatiboca, Municipio de Itaguaçu, 700 m.s.m, lugar úmido, na encosta de um rochedo. Leg. A.C. Brade, Altamiro Barbosa Pereira & Apparicio Pereira Duarte, n.“ 18.476 em 27-V-1946. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, n.° 56.421. Subarbusto atingindo até 1,5 m de altura, de ramos eretos, com estrias, tomentosos ou vilosos, entrenós de 3 a 8 cm de comprimento ; folhas ovais. !scíelo/jbrj 11 12 13 14 15 cm .. — 86 — acuminadas, de base desde obtusa até truncada ou também sub-rotundada, 5-8 cm de comprimento, 4-6 cm de largura, com margem crenado-serrada, curtamente pecioladas, pecíolo alcançando até 2 cm de comprimento, folhas superiores até subsésseis, púbero-tomentosas em ambas as páginas, ráce- mos alongados de 30-50 cm de comprimento, verticilos florais distanciados de 1-1,5 cm, cada um contendo no máximo oito flores; brácteas ligeira- mente assoveladas, com 1 cm de comprimento, caducas; cálice floral com 7-8 mm de comprimento, 2,5-3 mm de largura, viloso, com as extremidades dos lacínios avermelhadas, lábio superior rotundado — mucronado com três nervuras, inferior com lacínios acuminados, cálice frutífero com 12 mm de comprimento e 5 mm de largura, corola rubra, exteriormente pouco vilosa, com 29 mm de comprimento, medindo o tubo 23 mm de compri- mento e 7 mm de largura, ligeiramente curvo, ampliado gradativamente na porção superior, internamente glabro, lábio superior com 4 mm de compri- mento, trilobato; estantes excertos, filamento de 5 mm, jugo de 18 mm, gubernáculo com 8 mm de comprimento; estilete com cêrca de 39 mm de comprimento, excerto, glabro ; sementes ovais, com 1 mm de comprimento ; glândula do disco de tamanho duplo das núculas. à primeira vista, esta espécie apresenta certa semelhança, no hábito,, com Salvia coccinea Juss. Todavia, um exame revela grandes- diferenças entre elas, bastando citar como principal característico distintivo, o fato de a corola possuir lábio inferior mais curto do que o superior, o que não se verifica em Salvia coccinea. Das outras espécies da seção Curtiflorae, encontradas no Brasil, dis- tingue-se facilmente, pela corola mais curta, além dos seguintes caracteres : Pelo lábio superior do cálice, muito curto e 3-nervado, o que não se verifica em Salvia fruticetorum Benth. Pela corola mais larga e aspecto completamente diverso, de Salvia tenuiflora Epl. Salvia espirito-santensis Brade & Alt. Barb. n. sp. (Estampa 1 — Figs. 13-19 e estampa 4) Nobiles — Caule fruticoso, diffuso, ratnossimo, 1 m alto; ram is gracilis, tetragonis, sulcatis, junioribus sparse hirsutis, mox glabrescentibus, internodiis 2-6 cm longis f o 1 i i s ovatis vel ovato-lanceolatis, acuminatis, basi rotundatis vel obtusis, 25-35 (-45) mm longis, 12-22 (-25) mm latis, ad nervis, praecipue subtus, pube rulo- hirsutis, ceterum glabriusculis, margine serrato-dentatis, longiuscule petiolatis, petiolo sulcato, sparse piloso vel glabro, ( 10-) 15-20 (-35) mm longo; racemis brevibus, terminalis pauciflorís (1-3-floris) ; bracteis erubescentibus, subulato-lanceolatis, 3-4 mm longis, 1-1,5 mm latis, caducissimis; calycibus florentibus viridis, 20-24 mm SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 87 longis, tubo 15-17 mm longo, 3,5-4 mm lato, labia superiore 7 mm longa acuminata, 5-venia, infcrioris laciniis acuminatis vix breviore, extus sparse hirsutulis vel glabres- ccntibus, venis prominulis ; c o r o 1 1 i s rubris, 5,5-6 cm longis, corollarum tubo 40-44 mm longo, superne gradatum ampliato, intus nudo, extus villosulo, labia superiore galeata, bilobulata 18-20 mm longa, inferiora breviore, trilobata, 15-16 mm longa, lacinia media truncata vel emarginata, 4-5 mm longa ; staminibus inclusis, fila- mentis 5 mm longis, jugo 18 mm longo, paulo infra médium connexo, gubernaculo 9-10 mm. longo; Stylus c. 6 cm longus, superne villosus, gynobasis cornu ovula non superante; nuculis mat. ignotis. Habitat: Brasília, Estado do Espírito Santo, Município de Cachoeiro de Santa Leopoldina, na região da divisa com o Município de Itaguaçu, Alto Limoeiro, 900 m.s.n. mar, na encosta de um rochedo. — Leg. A.C. Brade, Altamiro Barbosa Pereira & Apparicio Pereira Duarte, n.° 18.368. — “Typus”: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, n.° 56.419. . Arbusto perene, com 1 m de altura, com ramos numerosos, tetrago- nais, apresentando sulcos e, os mais novos, esparsamente hirsutos; entrenós variando de 2-6 cm de comprimento; folhas ovais, ou oval-lanceoladas, acuminadas, de base rotundada ou obtusa, com 25-35 (-45) mm de com- primento; 12-22 (-25) mm de largura, com pêlos nas nervuras, de margem serrado-dentada, longamente pecioladas, pecíolo sulcado, esparsamente piloso ou glabro, (10) 15-20 (-35) mm de comprimento; racemos curtos, apre- sentando 1-3 flores, brácteas avermelhadas, subulado-lanceoladas, de 3-4 mm de comprimento e 1-1,5 mm de largura, caducas; cálice floral esver- deado e 20-24 mm de comprimento, tubo de 15-17 mm de comprimento, 3,5 mm de largura, lábio superior com cêrca de 7 mm de comprimento, acuminado, 5-nervado, inferior com lacínios acuminados, curtos, esparsa- mente hirsutos, ou glabrescentes, nervuras salientes; corola rubra, 5,5-6 cm de comprimento, tubo de 40-44 mm de comprimento, gradualmente ampliado na parte superior, internamente glabro, exteriormente viloso, lábio superior galeado, bilobulado, com 18-20 mm de comprimento, inferior curto, trilo- bado, com 15-16 mm de comprimento, lacínio intermediário truncado, 4-5 mm de comprimento; estames inclusos, filamentos de 5 mm de compri- mento, jugo de 18 mm, gubernáculo 9-10 mm de comprimento; estilete com 6 cm de comprimento, viloso na porção superior, glândula do disco não ultrapassando as núculas. Esta espécie, por certa semelhança que apresenta com Salvia articu- lata Epl., deve ser alinhada próximo desta última, da qual se distingue pelo menor tamanho e forma das folhas. Além disso, o pecíolo não se apresenta articulado na inserção, o que constitui caráter específico em Salvia articulala Epl. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 88 — legenda das estampas Estampa 1 — Figs. 1-6 Salvia itaguassuensis Brade & Alt. Barb. — Fig. - Flor — Fig. 2 corola estendida — Fig. 3 estames — Fig. 4 estilete — Fig. S núculas com glândula do disco — Fig. 6 cálice estendido — Figs. 7-12 Salvia Apparicii Brade & Alt. Barb. — Fig. 7 Flor — Fig. 8 corola estendida — Fig. 9 estames — Fig. 10 estilete — Fig. 11 núculas com glândula do disco — Fig. 12 cálice estendido. Figs. 12-19 Salvia cspirito-santcnsis Brade & Alt. Barb. — Fig. 13 Flor — Fig. 14 corola estendida — Fig. 15 estames — Fig. 16 estilete — Fig. 17 núculas com glândula do disco — Fig. 18 cálice estendido Fig. 19 botão da flor. Estampa 2 — Salvia Apparicii Brade & Alt. Barb. Estampa 3 — Salvia itaguassuensis Brade & Alt. Barb. Estampa 4 — Salvia espírito-santensis Brade & Alt. Barb. k . Salvia Apparicii, Brade & Alt. Barb. (Foto J. Barbosa) cm 1 2 3 4 5 SciELO/JBRJ ESTAMPA 2 cm 1 SciELO/JBRJ ESTAMPA 3 Salvia itaguassuensis, Brade & Alt. Barb. (Foto J. Barbosa) 3b cm l ISciELO/ JBRJ ESTAMPA 4 Salvia espírito-santensis. Brade & Alt. Barb. (Foto J. Barbosa) MONOGRAFIAS (* (**) ) CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL - O GUARANÁ Dr. OTHON MACHADO * Estagiário do S. B. G. Introdução I. Pertence o guaranàzeiro ao grupo de nossas plantas tidas por completamente estudadas. Em que pese tal suposição, demonstraremos neste trabalho que essa afirmativa não é verdadeira. Nêle apresentamos algumas qualidades novas desta planta; e o que tem o caráter de novidade é apoiado em documentação, cientificamente feita. II. Nanará, guaraná, guaraná-uva, são palavras tupis. Quais suas etimologias ? É assunto que pede a colaboração dos glotólogos nacionais. Será “parecido com côco’’, como ensina Tesciiauer (2) ? Será, apenas, arvore (?!), gmra-ná, — como pretende Peckolt, ci- tado por Barreto Carneiro (4) ? III. Tem o guaraná participação na mitologia indígena, conforme Roquete Pinto (22) e Teschauer (27) relataram. Os frutos do guara- nàzeiro reproduzem os olhos (Estampa 10) do indiozinho que Jurupari matou, conforme diz a lenda: “Contavam os Maués que havia outrora na aldeia primitiva um casal muito estimado. O filho único era para a tribo um verdadeiro anjo tutelar. Por sua influência reinava a abastança entre os índios, eram curados enfermos, apaziguavam-se as rixas; a tribo vivia feliz. Todos velavam por essa criança providencial. (*) Entregue para publicação a S de fevereiro de 1945. (**) Laureado pela Academia Nacional de Medicina com o “ Prêmio São Lucas”, de 1943. — 90 — Mas um dia Jurupari, o mau espírito, invejoso, aproveitando-se do momento em que o pequeno protetor dos índios subira a uma árvore para oolher um fruto, transformou-se em cobra e atirou-se a êle. Assim, morreu a criança. Acharam-na os índios sobre o chão, parecendo dormir, de olhos abertos e serenos. O povo se lastimava junto ao morto, quando um raio veiu do céu interromper os queixumes. O silêncio se fêz, e a mãe do pequeno protetor anunciou que Tupã tinha descido para consolar o povo. Plantassem êles os olhos daquela criança e destes haveria de brotar a planta sagrada que daria sempre aos Maués o alimento para saciar a fome e o lenitivo de seus males e doenças. Consultaram a sorte, para saber quem deveria arrancar tão lindos olhos; regaram com muitas lágrimas a cova que os recebera. Os mais velhos da tribu permaneceram junto dela para guardar tão preciosa semente, da qual, pouco depois, brotou a puanta do guaraná” (Tesciiauer) . Outras lendas existem, tendo por motivo o guaranàzeiro. CAPÍTULO i A Sistemática do guaranàzeiro Pelo sistema de Engler-Diels (9), o guaranàzeiro pertence à XIV Divisão: Embryophita Siphonogama 2 Sub-Divisão: Angiospcnnac 2a Classe : Dicotyledoncac la Subclasse: Archychlatnydeae 27 Ordem : Sapindales ( 1 ) 8a Subordem: Sapindiiicae 4a Família: Sapindaccac Gênero: Paullinia (2) Espécie : cupana H.B.K. (3) Variedade: Sorbilis (Martius) Ducke (4). O guaranàzeiro foi encontrado por Humboldt e Bompland em S. Fernando de Atabapo, nos limites da Venezuela com a Colômbia (Carta (1) Contração das palavras greco-latinas, sapon, sabão, Indus, da índia. (2) Gênero dedicado por C. Linneu ao botânico dinamarquês Simox Paulli. (3) Nome que os indígenas da Venezuela e Colômbia dão à planta. (4) Sorbilis, palavra latina que significa potável, coisa que pode ser sorvida. 2 3 5 SciELO/ JBRJ cm .. — 91 — n.° 1 da Estampa 1). Martius coletou-o no Baixo Amazonas, em Maués (Carta n.° 2, Estampa 2), e, supondo espécie nova, descreveu-a no Rcisen in Brasilien (13) sob a denominação Paullinia sorbilis; Radlkofer (12), porém, considerou-a como sinônimo da espécie de Humboldt-Bompland e Kuntz, conforme se vê na Monografia das Sapindáceas da Flora Brasi- liensis. Ducke (8), em trabalho notável, embora assevere que . .Rio Negro abaixo já se conhecia o uso do guaraná de Maués, proveniente de uma Cs ca/a 1:lo.ooo.ooo REGIÃO DA VCneZUELA OMDE FOi COLIGIDA A PAULLiniA CUPAHA H.B.K típÍ£S- planta conhecida e preparada por processos menos primitivos. O predo- mínio da língua-geral no alto Rio Negro Brasileiro, estabeleceu aí a supre- macia do nome guaraná sôbre o de cupana (*)”, e acrescenta: “...A falta (*) Em Maués é nome de cêsto. SciELO/JBRJ cm .. — 92 — de qualquer ligação entre os dois focos tão distantes de cultura pré-colom- biana das duas plantas ( ainda não encontradas no estado indubitavelmente espontâneo (**) dcspertou-mc desde muito tempo alguma dúvida, quanto a identidade das mesmas, e, no interesse de adquirir material completo dlo cu pana para o comparar com o guaraná comum brasileiro, oriundo de Maucs. Isso não me foi fácil, porque já há muitos anos a cultura do "cupana” desapareceu do Rio Negro brasileiro. Consegui-o, afinal, por oca- sião da minha viagem à fronteira do dito rio, na qualidade de adido à comis- são Demarcadora, em setembro de 1935, quando encontrei uma velha plan- ^ tação num sítio abandonado perto de Marabitanas”. E conclui: “Essas plantas divergem do guaraná do Êaixo Amazonas cm vários pontos bastante importantes, ao ponto de não haver dúvidas quanto à presença de duas subspccies ou variedades geográficas bem definidas”. (**) , 1 — Paullinia cupana típica H.B.K. Plantinhas novas com folíolos fortemente recortados e lobados. Palnta de qualquer idade, desprovida de gavinhas. Flores e frutos maiores que na outra variedade, chegando os frutos ao dôbro ou ao triplo do tamanho dos daquela; êsses frutos são acentuadamente obovado-piriformes e dum vermelho bastante escuro com pouco brilho. Bacias fluviais do alto Orinoco e alto Rio Negro. Nome vulgar: “cupana”, na Venezuela e Colômbia, “guaraná” no Brasil, Herb. Jard. Botâ. Rio n.° 20026, comparado pelo professor Harms (Berlin-Dah- len) com o original da espécie e com um exemplar da coleção Spruce, do rio Uapés. 2 — Paullinia cupana var. sorbilis (Mart.) Ducke nov. var. Folíolos das plantinhas novas fracamente lobados. Plantas adultas abundantemente providas de gavinhas frequentemente junto às inflorescências ou nas mes- mas. Flores ligeiramente menores. Frutos somente com metade ou um terço do volume dos frutos da subespécie típica, dum vermelho vivo, bri- lhante. Parte sueste do Estado do Amazonas (Carta 2 — Estampa n.° 2) Maués, Parintins; recentemente introduzida em Manaus e em raros exem- plares também cultivados no Pará. Nome vulgar: “guaraná”. Material do herbário do Jardim Botânico n.° 20.645 (Pará) 34.631 (Manaus). Para contribuirmos de maneira original e, até o presente, não realizada quer no Brasil, quer no estrangeiro, fizemos a contagem de cromosômios do guaraná de nosso paiz, precisamente daquele que Ducke considerava (**) O grifo é nosso. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 93 — variedade da espécie típica, cupana, da Venezuela e Colômbia. Infeliz- mente, tôdas as diligências que fizemos para a obtenção do guaraná daqueles países resultaram negativas até o momento em que escrevemos estas linhas. Carta n° 2 Aflanaci 1 «• ” 1 6 * •EÇCALA 1:6.211.400 l^eridiano que su- cedeu nesta última com o citado sistema,, foi o lenho estudado com parti- cular atenção, sobretudo do ponto de vista da anatomia comparada e da filogenia. Essas pesquisas foram realizadas, quase sempre, sem conexão com as que visaram o simples reconhecimento microscópico das madeiras, porque seu objetivo era totalmentè diverso : estas últimas, como vimos linhas atrás, foram dirigidas, pràticamente, apenas para o lenho secundário das Coníferas e Dicotilédones, ao passo que aquelas abrangeram o lenho pri- mário e secundário dos traqueófitos, principalmente dos que, na escala bo- tânica, estão situados abaixo dos Àngiospermas. As observações efetuadas com intenção diversa nos setores vizinhos da anatomia do lenho conduziram, não obstante, a resultados que se com- pletam magnificamente. Os primeiros frutos dessa síntese já apareceram sob a forma de teoria de natureza anatômica e alcance filogenético, como a do esteio. Também começam a surgir as classificações botânicas que con- sideram do mesmo ponto de vista tôdas as plantas conhecidas, atuais e ex- tintas, dispondo-as num todo harmônico, de acordo com os ensinamentos colhidos na Paleofitologia. A última tentativa dessa índole «levemo-la à Tirro que a divulgou recentemente na Crônica Botânica. O phyllun das Trachaeophyta (caracterizado essencialmente pela presença de lenho, cujos elementos principais se denominam traqueias e traqueídes) é aí dividido em quatro subphylia : Psilopsida, Lycopsida, Sphenopsida e Ptcropsida; dentre os ca r acteres que presidiram a esta subdivisão destacam-se, por mais ponde- rosos, os da estrutura lenhosa. Antes de concluir, desejo referir-me a um aspecto menos conhecido da anatomia do lenho, o qual, por isso mesmo, oferece ampla perspectiva aos pesquisadores. Usadas, de ordinário, como matéria-prima, ou descobertas no seio das rochas, não têm sido as madeiras devidamente examinadas pelos estudiosos soh o ângulo biológico. Sua anatomia, até há pouco tempo, ressentia-se da falta de clareza de certas noções fundamentais, relativas so- bretudo ao câmbio e aos primeiros, estádios da diferenciação dos elementos lenhosos. Não me parece necessário por em relevo a importância dessas no- SciELO/JBRJ — 119 — ções básicas para a interpretação correta dos caracteres observados, bem como, para maior justeza dos conceitos e da própria terminologia. Coube a Bailey, através de pacientes estudos sôbre a citologia e o funcionamento do câmbio, lançar luz sôbre êsses recantos ainda obscuros da anatomia. Fazendo-o, contribuiu, ao mesmo tempo, para ampliar o conceito de meristema, trazendo ainda um contingente de fatos inteiramente novos para o acervo da citologia vegetal. Devemo-lhe, também, dados exatos sôbre a amplitude de variação do comprimento das iniciais do câm- bio e, conseqüentemente, dos elementos adultos, tanto em função da sua posição vertical na árvore, como no tronco, relativamente à idade da camada a que pertence. Além da citologia, foi beneficiada inegàvelmente a fisiologia vegetal com êsses novos rumos da anatomia do lenho. Um fato único será citado como exemplo: o estudo anatômico do alburno comprovou que o tecido lenhoso secundário, por intermédio dos elementos do parênquima radial e longitudinal, desempenha a função do mais importante órgão de reserva na grande maioria de vegetais arbóreos. Para as madeiras do Brasil, há principalmente que averiguai- nesse setor da anatomia, os fatores que condicionam o aparecimento dos “anéis de crescimento”, decorrentes da atividade rítmica peculiar do câmbio. SciELO/JBRJ RELATÓRIO DE UMA EXCURSÃO A SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO. MINAS GERAIS Realizada pelo Naturalista Alexandre Curt Brade e pelo Agrônomo Altamiro Barbosa Pereira. 2 de abril — 1 de maio de 1945 INTRODUÇÃO Contagiados pelo entusiasmo do Irmão Teodoro, um dos dirigentes do Ginásio Paraisense, em São Sebastião do Paraíso, e que com tanto cari- nho se dedica às questões científicas, especialmente à Botânica, volvemos nossas vistas para o sudoeste mineiro, região, até então, quase desconhecida, no que diz respeito à Botânica. Realmente, se rebuscarmos a literatura clássica, veremos, com espanto, que tôda a zona de São Sebastião do Paraíso parece ter sido esquecida dos sistematas passados, em seu afã de estudar a flora brasileira. Com exceção de Regnell, único, talvez, que tenha percorrido aquelas paragens, não temos conhecimento de outros. O Irmão Teodoro, em suas breves visitas ao Jardim Botânico, em busca de esclarecimentos relativos à sistemática, falava-nos sempre, com calor, na possibilidade de ser realizada uma excursão àquela zona, tão típica e, ao mesmo tempo, tão pouco estudada. Estabelecido o plano de trabalho e discutidos os detalhes da nossa via- gem, assentamos realizar a excursão, a fim de estudar a flora de tôda a região circunvizinha de São Sebastião do Paraíso, e, para tal, tomamos as primeiras providências junto ao Sr. Diretor do Jardim Botânico. Autorizados pela portaria do Sr. Diretor do Serviço Florestal, n.° 170, de 2 de abril dje 1945, partimos desta Capital, via São Paulo, no dia 5 do mesmo mês, chegando a São Sebastião do Paraíso na noite do dia 6. SciELO/JBRJ — 122 — Receberam-nos, na estação, os senhores Irmão Teodoro e Carlos Grau, êste último farmacêutico estabelecido naquela praça, antigo diretor e pro- fessor da Faculdade de Farmácia e Odontologia, atualmente fechada. Instalamo-nos em um dos hotéis da cidade e, logo na manhã seguinte, demos início aos nossos trabalhos, especialmente às excursões, visando a observação do solo e da flora, os quais, diga-se de passagem, dão aspecto todo particular à região. Seguimos' o seguinte programa de excursões: Dia 7. - — Arredores de São Sebastião do Paraíso e, especialmente, do Ginásio. Dia 8. — Campo de São Sebastião do Paraíso, até o rio Liso. Dia 9. — Região dos cerrados, alto do rio Liso. Dia 10. — Primeiro baú de São Sebastião do Paoaiso. Dia 11 a 14. — Região calcária e região da lagoa Sêca, em Itaú. Dia ■16. - — Fazenda Calado. Dia 17. — Segundo baú de São Sebastião do Paraíso e Fazenda Cachoeira. Dia 19 a 21. — Fazenda Fortaleza, no município de S. Tomás de Aquino. Dia 24. — Região do Córrego e Cachoeira do Baú. Dia 26. — Segunda excursão para o baú e cerrados da redondeza. Não fôra a ajuda que sempre nos dispensaram- as diversas pessoas interessadas nestes estudos, especialmente o Irmão Teodoro e o farmacêu- tico Carlos Grau, quer na organização do programa de excursões, quer no preparo do material e. talvez, não nos fòsse possível ter visitado tantas zo- nas e colhido tanto material em tão curto espaço de tempo. O Irmão Teodoro, com seu dinamismo e fôrça de vontade, venceu obs- táculos, à primeira vista, insuperáveis. Graças ao seu sistema de organi- zação, nossas viagens correram sempre dentro da melhor ordem. Encon- trávamos, em qualquer parte onde íamos excursionar, tôdas as facilidades possíveis, o que veiu concorrer para o máximo de rendimento. Desta for- ma, foi-nos possível visitar regiões hastante afastadas e fazer estudos com- parativos dos diversos solos, nas formações geológicas. O Sr. Carlos Grau, muito prestativo, sempre pronto para qualquer realização, acompanhou-nos em algumas excursões, mostrando-se um grande SciELO/JBRJ — 123 — estudioso das plantas medicinais. Cedeu-nos, gentilmente, uma sala da Faculdade de Farmácia e Odontologia, onde nos foi possivel preparar o material. Queremos, aqui, deixar patente nossos agradecimentos a êsses senho- res, pela gentileza com que nos acolheram, hem como aos demais Dr. Ja- nuário, Dr. Nelson e Ozelin, proprietários da fazenda Calado, Dr. Maga- lhães, proprietário da fazenda Cachoeira, Dr. Luís Pimenta, proprietário da fazenda Fortaleza, no município de S. Tomás de Aquino, ao engenheiro Niemeyer da fábrica de cimento de Itaú e outros. Origem geológica do solo da região A cidade de São Sebastião do Paraiso está situada sòbre um morro de pouca elevação, com encostas de pequena declividade, destacando-se, na região, à primeira vista. Do conjunto, pode-se ressaltar a igreja recém- construída, que muito concorre para o embelezamento da cidade, embora seu estilo não seja bem definido. Além desta, existe uma igrejinha antiga, beríi característica, circundada de árvores copadas que dão um tom diferente ao conjunto. Chamou-nos a atenção, inicialmente, a conformação topográfica da região, sobremodo interessante, não só por suas elevações suaves, mas tam- bém pelas grandes fendas produzidas pela erosão. Estas, em alguns trechos, atingem mais de quilômetro de extensão, por cêrca de 200 ni de largura e 50 m de profundidade, como a que existe à margem da estrada que vai de São Sebastião do Paraíso à S. Tomás de Aquino. Aliás, tôda a zona do sudoeste mineiro é caracterizada por êsse aspecto acidentado, denotando logo, como primordial responsável a origem geológica do solo. São formações triássicas (série de São Bento) compostas essencial- mente de camadas de arenitos argilosos e gipsosos (camadas de Sta. Maria) arenito eólico (arenito de Botucatú) com intrusões e derrames de diabásios, basaltitos e meláfiros, segundo o tratado de Otávio Barbosa- Resumo da Geologia de Minas Gerais, 1943. A camada de Sta. Maria é oonstituida de pequenos afloramentos de arenitos argilosos, róseos e brancos por cima e outros vermelhos e amare- los por baixo. Apresentam granulação fina e se dispõem em placas delga- das e em planos paralelos. Distinguem-se do arenito de Botucatú por apre- SciELO/JBRJ — 124 — sentarem os grãos róseos e angulosos, enquanto os grãos daqueles são ro- lados. E’ uma camada friável, por conseguinte de pouca consistência. Sôbre a camada de Sta. Maria, à guisa de proteção, encontra-se o arenito de Botucatú, formação essencialmente arenosa, de origem eólica. Possui granulação fina, constituída de grãos bem rolados de quartzo, decor- rendo daí a fácil sedimentação, o que se verifica em calmadas esbranquiça- das, róseas ou vermelhas. Finalmente, encontramos a rocha básica, formada por diabásios e ba- salitos, que corta a camada de Sta. Maria e o arenito de Botucatú. Como conseqüência dêsse derramamento de lava, nota-se, em certos trechos, um capeamento protetor do arenito por uma camada de diabásio, evitando, assim a erosão do solo, o qual nesses trechos é constituído posteriomente de terra roxa. Da disposição dessas três rochas típicas da região, decorre a topografia de São Sebastião do Paraíso: Planaltos elevados, acima de 900 m chamados vulgarmente “chapa- dões”, cobertos de vegetação raquítica de campo. Por outro lado, pequenas matas ciliares sempre são encontradas nas beiras dos córregos. Testemu- nhos acima do nível das planícies da região, com a superfície superior plana conservam-se em virtude de um capeamento protetor constituído de arenito mais consistente, consolidado, talvez, pelos gazes que se desprenderam em outras épocas. A essas formações, que ainda resistem ao ataque da erosão, dá-se a denominação de “baús” ou “mesas”. As escarpas apresentam-se às vêzes, em degraus, formando o que se denomina, na região, de “apa- rados”. Desta circunstância, ou seja variação do solo, decorre a grande varia- bilidade da vegetação, desde os campos e campos sujos até os remanescen- tes da mata virgem. Onde o arenito está na superfície, aparecem os cerra- dos ou, pelo menos, os campos sujos que mais nos parecem matas secundá- rias, provenientes da devastação dos primeiros. As regiões de subsolo diabásico, cujo solo é constituído de terra roxa, estão ocupadas, principalmente, pela lavoura, em virtude de sua fertilidade. Só muito raramente são conservadas as formações primitivas da mata: mais comumente formações secundárias de capim-gordura ( Panicum melinis), tomam conta do solo e não permitem o restabelecimento da vegetação ori- ginal. SciELO/JBRJ cm .. — 125 — Flora de São Sebastião do Paraíso Descrevemos, a seguir, a vegetação que cobre as zonas visitadas. Cerrados de solo arenítico do planalto Êsses planaltos, que dominam a região, são, em geral, cobertos por cer- rados, cuja vegetação varia, naturalmente, de acordo com a constituição do solo. Há lugares, por exemplo, onde as árvores faltam por completo, restando apenas o campo sujo. Entretanto, êste fato, algumas vc-zes, é devido mais à devastação produzida pelos lenhadores ou pelos sitiantes, quer pela necessidade de mourões, quer pelo emprego do fogo, com o fim de melhorar a pastagem do gado. Os cerrados, que pudemos estudar, tinham uma vegetação arbórea muito rala, composta na maioria dos casos, de leguminosas, especialmente o “barbatimão”, árvore que se pode chamar de "árvore-padrão”, para essas formações; outras leguminosas dos gêneros Dalbergia e Cassia, compostas, voquisiáceas, loganíáceas, mirtáceas, estiracáceas, anonáceas, euforbiáceas, malpiguiáceas, flacurtiáceas, etc. também aí existem. Muito rica e variada é a vegetação arbustiva, preenchendo os claros da vegetação arbórea, justamente com os subarbustos e ervas. Compõem-se, principalmente, de melastomatáceas, malpiguiáceas, compostas, leguminosas e outras cuja freqüência é menos acentuada. Chamou-nos a atenção, nesses cerrados, a presença dominante, em al- guns trechos, e, em outros mais salteada, de uma palmácea -Attalea sp., denominada vulgarmente “côco-do-campo”, às vezes em companhia de ou- tras pequenas palmeiras, bem como de uma Hjromeliácea chamada, na região de "gragoatá” ou “ananás-do-campo”. Brejos do cerrado Uma vegetação especial, dentro desses cerrados, é a que se encontra nas depressões e várzeas brejosas. O solo, pelo grande teor em umidade e resí- duos orgânicos, mantém-se altamente ácido, limitando os representantes vegetais a um número restrito e bem definido de espécies. Surge, então, uma vegetação diferente da formação, resistente a essas condições, constituí- da de ciperáceas, eriocauláceas, gencianáceas, um certo número de com- postas, labiadas, campanuláceas do gênero Lobelia, alismatáceas, melasto- SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 126 — matáceas, algumas polipodiáceas, equisetáceas do gênero Eqmsetum e plan- tas delicadas, próprias dêsse meio, como lentibulariáceas, droseráceas, pri- muláceas, maiacáceas e burmaaiiáceas. Raramente, encontramos, nessas depressões, verdadeiros arbustos e árvores, a não ser dos primeiros, algumas compostas e melastomatáccas, como, por exemplo, M ironia e uma densa formação de pequenas árvores de mais ou menos cinco metros de altura, de Trembleia parviflora. Chapadão dos baús isolados. Foi-nos possível visitar alguns “baús”, dos quais dois pequenos e um maior. Nos primeiros, encontramos nos planaltos dos mesmos, apenas gra- minceas, ciperáceas e ervas, aparecendo também alguns subarbustos e arbus- tos. Êstes, na maioria, representando malpiguiáceas, compostas verbená- ceas e pequenas nvelastomatáceas. O mesmo já não se dá com o baú maior, na bazenda Cachoeira, cuja vegetação é bastante variada. Este fato, talvez, seja uma consequência da composição do solo. Pudemos observar, nesse baú, desde a vegetação raquítica e rala, até os verdadeiros cerrados. Em alguns trechos, imperavam as gramíneas, iridáceas, melastomatáceas e la- biadas, em geral, não passando de 30 cm de altura. Em outros, já existia vegetação mais densa e mais rica em subarbustos e arbustos, até atingir a verdadeiros cerrados, com árvores características dêsse tipo de vegetação. O mesmo se verificava em lugares onde, pela existência de mananciais, o solo se mostrava mais acessível. Especialmente rica em vegetais raros e interessantes eram os degraus dos aparados. Onde a acidez & mantinha pela umidade conservada, apare- ciam as plantas próprias dêsse meio, como droseráceas, lentibulariáceas, gen- cianáceas, oxalidáceas, orquidáceas, ocnáceas, xiridáceas, eriocauláccas, se- lagineláceas, esquizeáceas e pequenos arbustos representativos das melasto- matáceas, verbenáceas e compostas. Ainda, nesses degraus, onde as fendas estavam mais protegidas contra a insolação, encontravam-se outras pteridófitas das famílias polipodiáceas, himenofiláceas, esquizeáceas, gleiqueniáceas. Do lado ojx>sto do baú, isto é, na face voltada para o sul, onde a insolação é menor, os aparados são cobertos de uma vegetação mais densa e, em parte, arbórea, que pode ser comparada às matas ciliares. SciELO/JBRJ — 127 — Matas ciliares. Nos lugares onde existiam córregos, encontrava-se, à margem de todo o percurso, uma vegetação mais desenvolvida, formada de árvores e arbus- tos, constituindo as matas ciliares. Tivemos ocasião de observar essas formações na fazenda Fortaleza, onde existe um córrego do mesmo nome. Compunha-se de leguminosas, tiliáceas, etc.... e vários arbustos das fa- mílias Rubiacea ,c, Rhamnaccac , Mclastomataccctc, Myrtaccac , Acanthaceae, Malpighiaccac, etc.... A sombra desses espécimes, aparecem muitas plantas herbáceas das fa- mílias Acanthaceae, Euphorbiaccac, Orchidaccae (Habenaria) , Polypodia- ccae. e Cyathcaccac, esta última bem representada por cêrca de cinco espé- cies. Observamos, ainda, algumas epí fitas, nessas formações, tais como orquidáceas ( Soplironitcs , Notylia), cactáceas e piperáceas. Bastante curiosas e mais ricas tornam-se essas matas quando o leito do rio, largo e profundo pela ação da erosão, deixa uma encosta considerável livre da água, constituindo extensa faixa de terra ao abrigo dos ventos. Aí vemos, então, uma vegetação arbórea exuberante, muito rica principal- mente em leguminosas, melastomatáceas, rubiáceas. flacurtiáceas, teáceas euforbiáceas, clorantáceas, magnoliáceas e outras. Entre elas, representan- tes do gênero Bathysa (Rubiaceae) , a clorantácea Hedyosmum brasiliense, uma Lcandra ( Melastomataceac ), Sorocea {Moniccae) , uma espécie de Gconoiiia ( Palmae ) e pteridófitas arborescentes, bem como várias epi- fitas dos gêneros Polypodium, Asplenimn, Elaphoglossum, Trichomanes, e outros que lembram bastante os tipos das matas pluviais da região lito- rânea. Numa área bem limitada de talvez, menos de um quilômetro quadrado, constatamos as seguintes espécies de pteridófitas: Cyathcaccac: — Alsophila palcolata, Alsophila armata, Cyathea acanthome las, Cyathea Gardneri. Hymenophyllaceac: — Trichomanes polypodioides, Trichomanes mandio- cctfium. Polypodiaccac: — Dryopteris sp., Asplenium subcordatum, Adiantkopsis radiata, Adiantum scmicordatum, Adiantum villosum, Lindsaya qiuídrangidaris, Blechnum volubile, Blechmm SciELO/JBRJ — 128 — asplcnioidcs, Blechnum occidentalc, Blechnum brasilicnse Blechnum ptcropus, Blechnum Regnellianum, Polypo- dium angustifolium, Polypodium repens, Poly pediu m latipcs, Elaphoglossum sp., Pityrogramma calomchmus, Ptcridimn aquilimm. Gleicheniaccae : — Glfichenia reflexa, Gleichenia furcata. Schizaeaccae : — Anemia flexuosa, Aneimia phyllitides. Sclagincllaceae : — Sclagin^ella sp. ■ Lycopodiaccac : — Lycopodium reflexum, Lycopodium carolincanum, Ly- copodium cernmim, Lycopodium clavatum. Nota: — Estas três últimas espécies foram encontradas na beira do córrego, em lugar menos sombreado. Plantas medicinais Sendo uma das finalidades da Seção de Botânica Aplicada promover o estudo das plantas medicinais, constituiu objeto de nosso interêsse, du- rante a excursão que realizamos à São Sebastião do Paraíso, a coleta das plantas da região. Ainda mais, sempre que se nos apresentava oportunidade, procurávamos informar-nos, 'com os locais, a respeito do uso e propriedade dessas plantas. Constatamos, uma vez mais, a grande variabilidade dos nomes vulgares, em distâncias relativamente pequenas. Daremos, a seguir, uma lista das plantas mais interessantes, com os principais empregos. Anil Leguminosae, Papilionadac Indigofera anil L. Usos: — Empregada principalmente em tinturaria. Nas fazendas, usam- na contra o berne. Segundo as informações que colhemos, a infusão dessa planta ministrada ao gado provocaria a queda do parasito. 2 SciELO/JBRJ — 128 — asplenioides, Blechnum occidenlalc, Blechnum brasiliense Blechnum ptcropus, Blechnum Regnellianum, Polypo- dium angustifolhim, Polypodium repens, Polypodium latipcs, Elaphoglossum sp., Pityrogramma calomdanns, Ptcridium aquilinum. Gleicheniaccae : — Glçichcnia reflexa, Gleichcnia furcata. Schizaeaccae : — Anehnia flexuosa, Ancimia phyllitidcs. Sclagincllaceae : — Selaginella sp. ■ Lycopodmcae : — Lycopodium rcflcxim, Lycopodium carolineanum, Ly- copodium cernuum, Lycopodium clavatum. Nota: — Estas três últimas espécies foram encontradas na beira do córrego, em lugar menos sombreado. Plantas medicinais Sendo uma das finalidades da Seção de Botânica Aplicada promover o estudo das plantas medicinais, constituiu objeto de nosso interesse, du- rante a excursão que realizamos à São Sebastião do Paraíso, a coleta das plantas da região. Ainda mais, sempre que se nos apresentava oportunidade, procurávamos informar-nos,' com os locais, a respeito do uso e propriedade dessas plantas. Constatamos, uma vez mais, a grande variabilidade dos nomes vulgares, em distâncias relativamente pequenas. Daremos, a seguir, uma lista das plantas mais interessantes, com os principais empregos. Anil Leguminosac, Papilionatac Indigofera anil L. Usos: — Empregada principalmente em tinturaria. Nas fazendas, usam- na contra o berne. Segundo as informações que colhemos, a infusão dessa planta ministrada ao gado provocaria a queda do parasito. SciELO/JBRJ cm — 129 — Amendoim do campo: Leguminosae, Caesalpinioideac Cassia Usos: — Possue propriedades tônicas e revigoradoras nas doenças dos bovinos.. Emprega-se a raspa do tronco, de mistura com o farelo ou com o fubá, quando os animais estão “aguados”. Doiiradiniio : Rubiaccae Psychotria rigida Willd. Usos : — Emprega-se o chá das folhas nos males do coração e rins. » Negreira : Onagracene Jussiaca quadrangularis Michcli Usos: — Empregada nas fraquezas dos suínos. Tonifica e engorda, melhorando rapidamente o aspecto dos animais. Erva de São João: * Compositae » y . Ageratum conysoides L. Usos: — Foi empregada, com grande sucesso, por um médico da re- gião, sob a forma de chá, para eliminar a placenta de uma parturiente, quan- do se encontrava sem outros meios comprovadamente eficazes. Segundo suas próprias palavras, “substitue perfeitamente a ergotina e a pituitrina”. Erva-lancêta : Compositae Senecio brasilietisis Less. Uso: — Empregada na cura de edemas do ubre dos bovinos. .SciELO/ JBRJ — 130 — Capixingui : Euphorbiaceac Croton sp. Usos: — Possue propriedades miraculosas, na cura das feridas. Apli- ca-se o pò da casca, localmente. Assa-peixe: Compositae Vernonia polyantha Usos : — Macera-se a planta e aplica-se o sumo nas machucaduras, o que produz, além de alívio instantâneo, a cura em poucos dias. # Nomes vulgares usados na região Vinhático-branco — Vochysiaceac , Vochysia.. Capeba ou parí-paroba — Malpighiaccae. Mutamba ou cambiúva — Ulmaccac, Trema micranlha Bl. Bico-de-pato — Lcguminosae, Mimosoideae, Piptadenia. A madeira desta árvore é utilizada para fazer cangas para boi. Camboatá — Mclastomataceae , Miconia pcpericarpa DC. Catinga-de-bode — Rosaccae, Prunus sphacrocarpa Svv. Quina-de-bugre — Rubiaccac, Rudgca viburnõidcs Benth. Lista do material colhido n.° ordem Famílias n.° espécies n.° espécimes. 1. Pteridophitas Cyathcaccac 5 15 2. Equisctaceac 1 ? 3. Gleiçheniaceae 2 4 4. Hymenophyllaceas 3 6 S. Lycopodiaccac 4 5 6. SelayineUaceac 2 7 7. Schisacaccae 9 35 8. Polypodiaccae 31 76 9. Demais famílias; Acanthaccae ,6 16 10. Alismataccac 1 2 SciELO/JBRJ 15 — 131 — N.° ORDEM Famílias N.° ESPÉCIES N.° ESPÉCIMES. 11. Amaranthaccae 5 6 12. Anonaccae 1 4 13. Apocynaccae 3 ■ 6 14. Aquifoliaceae 1 2 15. Araliaccac 1 2 16. Asclcpiadaccae 5 11 17. Bcgoniaccac • 1 2 18. Bignoniaceac ? *-> 2 19. Bombacaceae 1 1 20. Borraginaccae 1 1 21. Burmaniaccac 1 1 22. Campanulaceac 4 7 23. Capparidaccac 1 4 24. Cotnmelinaceae 2 4 25. Compositac 50 78 26. Convolvulaccac 10. 14 27. Cucurbitaccac * 1 2 28. Cyperaccac 2 4 29. Dillcniaccae 1 1 30. Droseraceae 1 3 31. Ericaceac 1 3 32. Erythroxylaccae 1 1 33. Euphorbiaccac 9 15 34. Gramincae 15 26 35. Gentianaceae 12 22 36. Gesncriaccac 1 2 37. Iridaccac 2 2 38. Labiatae 28 79 39. Lauraceae 2 3 40. Leguminosae 18 40 41. Lentibulariaccae 2 2 42. Loganiaceae . . . 1 4 43. Loranthaceac 1 1 44. Lythraccac 5 6 45. Malpighiacea e 14 27 46. Malvaccac 6 13 47. Mayacaccae 2 4 48. Melastomataceac '. 35 82 49. Mcliaccae 2 2 50. Musaceae 1 3 51. Myristicaccae 1 1 52. Myrsinaccac 1 1 53. Ochnaceac 1 1 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 n.° ordem Famílias — 132 — N.° ESPÉCIES N.° ESPÉCIMES. 54. Onagraceae . . . 2 55. Orchidaceae 18 56. Oxalidaccae 2 57. Pahnae 1 58. Passifloraccae . . . 4 59. Polygalaceae . ... 10 60. Polygonaceae . ... 2 61. Pontederiaccac . . . 9 62. Primulaccae 2 63. Rhamnaceae 1 64. Rubiaccae 21 30 65. Rutaccae 2 5 66. Sapindaceae 1 2 67. Sapolaccae 1 1 68. Scrophulariaccac . 5 6 69. Solanaceae 4 6 70. Sterculiaccae . ... 2 4 71. Styracaceae 2 72. Thcaccae 1 2 73. Tiliaceae 1 1 74. Turneraccac 1 1 75. Verbciiaccac 6 10 76. Violaccac 2 2 77. Vitaceae 2 2 78. Umbcllilerae 1 3 79. Urticaceae 2 4 70. Xyridaccae 2 4 1. j 2. 3. 1 4 - 5. — Totais Legenda do perfil — Planalto geral — Baú — Planície do baú — Aparados Erosão antiga, apresentando 408 mata ciliar e conservando, ainda, 779 o ribeirão, no jp 6 - íundo da fenda. — Leito do rio, no solo do vale erodido. 7. — Matas ciliares nas escarpas do vale, do rio. 8. — Fenda recente produzida pela erosão, às vêzes quase sem vegetação, outras vêzes mais adiantada, com vegetação herbácea, especial mente Gleiqueniáceas, Compostas, Melastomatáceas, Gramineas, etc... cm l ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 Perfil esquematizado da região do l.° baú de S. Sebastião do Paraíso (Brade dei.). cm l SciELO/JBRJ 15 16 17 18 19 20 21 22 NOTAS BIOGRÁFICAS PROF. ANTÔNIO PACHECO LEÃO ( Notas dc Cornclia Alves Machado ) Nasceu nesta Capital, a II de abril de 1872. Filho do Prof Teófilo das Neves Leão, notável educador e didata, que desempenhou o cargo de Secretário da Instrução Pública, o nosso bio- grafado era Bachárel em Letras e Doutor em Medicina por esta Capital. Por ocasião da Revolta da Esquadra, sendo partidário de Floriano, , pertenceu, como combatente (ainda era estudante de Medicina) ao Ba- talhão Acadêmico, participando ativamente da luta enquanto ela se desen- volveu em tôrno à Guanabara. Antes dc formado, lecionou em colégios particulares várias disciplinas, entre as quais História Natural, Matemática, Língua francêsa e Literatura. Depois de concluir o curso superior, embora fôsse bastante jovem, foi clí- nico conceituado. Trouxera Osvaldo Cruz, ao assumir a Diretoria da Saúde Pública, no Governo Rodrigues Alves, sérios problemas sanitários para serem resol- vidos ; e, entregando a chefia de vários serviços daquela diretoria a Pacheco Leão, pôde vê-los completamente realizados, sobretudo os que se relacio- navam com a peste bubônica e a febre amarela. Depois, por ocasião do combate à malária e ao beribéri que grassavam intensamente na região onde era construída a estrada de ferro do Madeira ao Mamoré, Pacheco Leão, ainda mais uma vez secundou Osvaldo Cruz, e aquelas terríveis moléstias foram vencidas. Tempos depois foi nomeado Diretor da Saúde Pública, mas abando- nou êsse cargo e até demitiu-se do lugar vitalício de médico dessa Repar- tição, por ter divergido do então Ministro Rivadávia Correia. Posteriormente, foi nomeado Professor Substituto à Cadeira de His- tória Natural Médica e Parasitologia, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo efetivado em 1925. — 134 — Desde 1912 era Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e ocupou êsse cargo até morrer. No dito Estabelecimento promoveu muitos melho- ramentos, tornando efetiva a publicação dos Arquivos, onde apareceram trabalhos botânicos de pesquisadores brasileiros ; reformou o parque, criando, nêle, seções especiais para as floras amazônica e nordestina; conseguiu que viesse para o quadro de técnicos, o notável naturalista A. Ducke; am- pliou instalações e edifícios. Sob sua direção, Luís Gurgel, já falecido e Fernando da Silveira, or- ganizaram os primeiros laboratórios de Anatomia e Citologia vegetais. Poucos foram os trabalhos que escreveu, mas grandes foram os serviços que prestou ao País, máxime no ensino. Foi Vice-Diretor da Faculdade de Medicina, tendo sido eleito paraninfo pela turma de médicos do ano de 1930. Ao falecer, em 21 de junho de 1931, teve imponentes funerais man- dados celebrar por seus colegas, auxiliares, discípulos e admiradores. 2 3 5 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm 1 ISciELO/JBRJ Prpf. Antônio Pacheco Leão NOTICIÁRIO SERVIÇO FLORESTAL Nomeado pelo Sr. Presidente da República por decreto de 8 de fe- vereiro último, acha-se atualmente à frente da Diretoria do Serviço Flo- restal o Professor Raimundo Pimentel Gomes. Formado pela Escola Superior de Agricultura, Luís de Queirós, de Piracicaba, tem exercido o ilustre agrônomo diversas funções, tôdas rela- cionadas com a profissão, nos mais variados pontos do território nacional. É assim que em Sobral (sua terra natal), no Ceará, foi Administrador da Fazenda de sementes Três Lagoas; no mesmo Estado, desempenhou também as funções de Inspetor do Serviço de Algodão; na Paraíba, foi Diretor do Departamento de Produção e Diretor do Departamento de As- sistência ao Cooperativismo. Mais numerosas ainda foram suas atividades no Território do "Acre: Chefe da Subestação Experimental de Rio Branco (dependência do Instituto Agronômico do Norte), Diretor do Departa- mento de Produção, Delegado da Superintendência do Abastecimento do Vale do Amazonas e Delegado da Comissão Executiva dos Acordos de Washington — Desde Agosto de 1945, até às vésperas de sua nomeação para o atual cargo, dirigiu o Serviço de Economia Rural. Professor do Ginásio Oficial de Tatus, no Estado de São Paulo, e, mais tarde, do Instituto Getúlio Vargas, do Rio Branco (Acre), ensinou Agricultura Geral na Escola Agronômica do Nordeste, de que foi também Diretor. Através de tão movimentada e trabalhosa vida profissional, pôde o Dr. Pimentel Gomes colaborar em numerosos jornais, entre os quais o “Correio da Manhã”, e revistas técnicas do país e do estrangeiro; de sua grande capacidade de trabalho são testemunhos eloquentes os livros que escreveu sôbre agricultura, entre os quais destacamos: “Lavoura Sêca”; “Como Agricultar o Nordeste”; “Contribuição a solução do problema agrícola do Nordeste do Brasil” (Tese aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Economia); “O coqueiro da praia”; “A Tama- .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 136 — reira”; “O Timbó” (premiado em concurso do Ministério da Agricultura) ; “A Carnaubeira” e “Contribuição ao Estudo da Ecologia do Nordeste do Brasil”. , * * * É a seguinte a organização atual do Serviço Florestal: Diretor. — R. Pimentel Gomes. Diretor Subs°. — Paulo de Sousa. Sectetério. — Bolivar Bandeira. Seção de Parques Nacionais. — Paulo de Sousa. Seção de Silvicultura. — Otávio Silveira Melo. Seção de Tecnologia. — Djalma Guilherme de Almeida. Seção de Proteção Florestal. — Esmerino Parente. Seção Administrativa. — Anibal F. Amaral. Biblioteca. — Nearch Azevedo. A Seção Administrativa e a Biblioteca pertencem, em comum, ao S. F. e ao Jardim Botânico. * * * JARDIM BOTÂNICO Em consequência da mudança de Diretoria do S. F. houve algumas alterações na direção do J. B. que apresenta agora a seguinte organização: Diretor. — J. G. Kuhlmann. Diretor Subst 0 . — F. R. Milanez. Seção de Botânica-Geral. — F. R. Milanez. Seção de Botânica Sistemática. — C. Brade. Seção de Botânica Aplicada. — E. Leitão. Superitendência. — C. C- Polland. * * * A Superintendência do J. B. vêm realizando trabalhos realmente pro- fícuos, para a conservação e melhoramento do patrimônio sob sua guarda — o parque e a coleção de plantas vivas do mesmo Jardim. Já no tempo do antigo diretor do S. F., Agr°. João Falcão, foram iniciadas obras de importância capital para o fim colimado. A retificação do rio Macacos 2 3 5 SciELO/JBRJ cm .. — 137 — inclui-se entre as mais valiosas, por isso que, além de resguardar a coleção viva das enchentes que periodicamente assolavam o J. B., veio acrescentar ao mesmo considerável área útil. Além das margens, que puderam ser transformadas em banquetas de belo aspecto, cêrca de 10.000 m 2 de terras situadas entre o referido rio e o muro, antes inúteis, foram conquistadas para o Jardim e franqueadas ao público. A fig. 1 fornece uma vista dessa área. Com os trabalhos agora em execução, novo acréscimo de cêrca de 40.000 m 2 será efetuado em breve à superfície plantada do parque. Pla- neja a Superintendência aproveitar essas áreas organizando uma coleção de plantas vivas da região amazônica da “terra firme” e outra do Estado do Espírito Santo. O atual diretor do S- F. tem emprestado todo apoio aos citados ser- viços, iniciados por seu antecessor, dispensando igual carinho àqueles outros, também em andamento, que visam a conservação e embelezamento do par- que. Dentre os últimos podemos destacar os seguintes, já realizados: — reforma e pintura do edifício da Portaria ; — calçamento da área de entrada (600 m 2 ) ; — reforma e pintura do chafariz central ; — ensaibramento das aléas: — reforma, ampliação e pintura do ripado do orquideário; — ■ reforma e reconstituição de quatro pérgulas; — reparação e pintura da estufa n'.° 2. As estufas ns. 1 e 3 necessitam de reparos mais sérios, para os quais foi pedida a cooperação da Divisão de Obras do Ministério, já tendo sido obtidos os necessários créditos. O movimento de intercâmbio cientifico, entretido através da permuta de sementes e mudas, foi severamente atingido pela guerra, mantendo-se, entretanto, com os Estados Unidos e a República Argentina. Visando in- crementar êsse intercâmbio e estendê-lo aos outros continentes, foi organi- zado pela Superintendência o Index Senúnum a ser publicado brevemente. Agora que o Jardim Botânico vem de passar pelas extensas reformas já relatadas, aprimorando-se seu aspecto, pretende a Diretoria atrair a atenção do público mediante exposições de plantas. É assim que, na estufa n.° 2, uma coleção de cactáceas (fig. 2), foi organizada, e, oportunamente será inaugurada uma exposição de orquídeas. O Chefe da Seção de Botânica Sistemática, na excursão que há pouco realizou, colheu regular quantidade SciELO/ JBRJ — 138 — dessas plantas que vieram aumentar a coleção viva do Jardim; acha-se em viagem aos Estados de Santa Catarina e Espírito Santo um jardineiro es- pecializado com a missão de coletar orquídeas para a mesma coleção. É de se esperar, portanto, possa o Jardim Botânico realizar uma exposição capaz de despertar interesse entre orquidófilos brasileiros. * * * UNIVERSIDADE RURAL Os alunos das Escolas Nacionais de Agronomia e de Veterinária rea~ lizaram de l.° a 15 de Junho último a “Semana Comemorativa" da fundação da antiga Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária, como vem fazendo há dois anos. Das comemorações, cuja abertura solene coube ao Prof. Valdemar Raythe, M. D. Reitor da Universidade Rural, constaram as conferências seguintes, pronunciadas no Anfiteatro da Escola Nacional de Agronomia: I. ° “Anatomia das Madeiras”, pelo Prof. Fernando Romano Milanez, dos Cursos de Aperfeiçoamento, Extensão e Especialização (V. pág.) . II. ° “A agricultura científica no Canadá" pelo Prof. Picrre Dan- sercau, das Universidades de Montreal e de Quebec; III. ° “Problema da Pecuária Nacional” pelò Prof. Nnvton Gui- marães Alves, da Escola Nacional de Veterinária. * + * Realizou-se a 17 de junho último, a cerimônia de despedida do Prof. Parreiras Horta, em sessão solene da Congregação da Escola Nacional de Veterinária. Vários oradores se fizeram ouvir, realçando os méritos invul- gares do homenageado, tanto na investigação científica, como no magis- tério. Foi também relembrada a sua ação decisiva na organização, sob moldes técnicos, da veterinária no Brasil. Agradecendo, falou por fim o emérito Professor que recordou alguns passos muito interessantes de sua longa e profícua vida funcional. * * * De regresso dos Estados Unidos da América do Norte, foi recebido em sessão solene da Congregação da Escola Nacional de Agronomia, o Prof. 2 3 5 SciELO/JBRJ cm .. — 139 — Costa Lima. — Respondendo à saudação do Prof. Roberto David Sanson, usou da palavra o ilustre homenageado que relatou pormenorizadamente sua viagem através dos Estados Unidos, Inglaterra e Portugal. . Nos três países, acentuou, foi recebido com demostrações de consideração e carinho sendo agraciado com diversos títulos honoríficos, especialmente nas Uni- versidades americanas. Na Califórnia, proporcionaram-lhe o ensejo de assistir a demonstrações de expurgo de laranjais, cujos efeitos surpreendentes pôde verificar logo após. Visitou na Inglaterra a Estação de Rothamsted e, em Portugal, a célehre Universidade de Coimbra. * * * As atividades da Associação! Internacional dos Anatomistas de Madeiras, consideràvelmente diminuídas durante a Guerra, retomam agora seu ritmo normal. Assim é que se realizam as eleições, entre os associados, dos que deverão constituir o Conselho para o próximo triénio. No escrutínio pre- liminar foram mais votados os seguintes associados dentre os quais serão eleitos, em novo escrutínio, os doze Membros do Conselho: Dadswell — Austrália. ■ \ Milanez — Brasil. Hale — Canadá. Thompson — Canadá. Taing Y — China. Bailey — Estados Unidos. Eames — Estados Unidos. Brown — Estados Unidos. Garrat — Estados Unidos. Harrar — Estados Unidos. Hess — Estados Unidos. Koehler — Estados Unidos. Reyes — Filipinas. Collardet — França. Van Iterson — Holanda. Chovvdhury — Índia. Chalk — Inglaterra. Chattaway — Inglaterra. Clarke — Inglaterra. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 140 — Desch — Inglaterra Metcalf — Inglaterra. Rendle — Inglaterra. Lagerberger — Suécia. Frey-Wyssling — Suíça. No relatório que acabamos de receber do Tesoureiro-Secretário, Mr. L. Chalk, é feita exposição pormenorizada do movimento financeiro da Associação durante todo o período compreendido entre 1-7-39 e 1-7-46. Acompanha o referido relatório uma lista dos trabalhos dos associados, con- cluíidos no mesmo período. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm l SciELO/JBRJ FIG. 1 FIG. 2 cm .. ÍNDICE Pgs . A Germinação da Carnaubeira — R. Pimentel Gomes 1 Uma Nova Bignoniacea da Serra dos Órgãos — J. G. Kuhlmann 7 Retificação da Diagnose Genérica de Secondatia e Apresentação de Espécie Nova para o Brasil — David Azambuja 9 Canais Secretores do Marupá — F. R. Milanez • 13 Espécies Novas da Flora do Brasil — A. C. Brade 41 Fruto Fossilizado do Itabirito — Othon Machado 47 O Fruto da Vanilla Chamissonis Kltz — Othon Machado 49 Nova Apocynaceae do Brasil — David Azambuja 51 Chaves para a Identificação de gêneros Indígenas e Exóticos da Monocoti- ledoneas do Brasil — Liberajto Joaquim Barroso 55 Uma nova Espécie de Iridacea da Flora do Distrito Federal — Paulo Occhioni Contribuição ao Estudo da Flora Indígena — A. C. Brade & A. Barbosa Pereira g^ Contribuição ao Estudo das Plantas Medicinais do Brasil — 0 Guaraná — Othon Machado g9 Anatomia das Madeiras — F. R. Milanez m Relatório de Uma Excursão a São Sebastião do Paraiso, Minas Gerais A. C. Brade & A. Barbosa Pereira Notas Biográfcas Noticiário SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 1947 IMPRENSA NACIONAL RIO OE JANEIRO — BRASIL SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ANO X, N. 9 21, DEZEMBRO DE 1947 RiOOtWNEUO V DNT - LEGAL . TISTÁ SciELO/JBRJ, SciELO/JBRJ ^ 12 13 ^ cm ESTUDO ANATÔMICO DO LENHO SECUN- DÁRIO DO PUCHURY-RANA. OCOTEA FRAGRANTISSIMA DUCKE. (*) PAULO OCCHIONI e ARMANDO DE MATTOS FILHO Da Seção de Botânica Geral INTRODUÇÃO Consiste o presente trabalho no estudo anatômico do lenho secundário de interesante espécie, da família Lau- raceae, integrante da flora amazônica (2) . Dada a homogeneidade dos caracteres morfológicos externos de alguns gêneros dessa grande família vegetal, os sistemátas, na impossibilidade de delimitar precisamènte os referidos gêneros, têm recorrido ao auxílio dos anato- mistas que, pelos resultados alcançados, em seus estudos, em número cada vez mais crescente, vêm contribuindo, com segurança científica, para a correção dos arranjos taxo- nômicos . Inumeráveis são as espécies já pesquizadas à luz da anatomia, principalmente pelos anatomistas Norte-Ameri- canos; sôbre aquela de que nos ocupamos, presentemente, não encontramos, todavia, referências, em bibliografia es- pecializada (5) . (*) Entregue para publicação em 2/V/ 1947. ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 2 — A Ocotea fragrantissima Ducke, (2) é uma árvore de extraordinárias dimensões — “insólito para uma Lauracea amazônica” conforme expressão do próprio naturalista que a classificou. É uma árvore de 45 metros de altura, de caule cilíndrico, com cêrca de 2 metros de diâmetro, com folhas alternas, obovato-oblongas, de base cuneada, de ápice obtuso ou rotundado, de pecíolo com 1-3 cms de comprimento, ca- naliculado, com lâmina de 6-13 cms de comprimento e 2,5 a 5 cms de largura. A inflorescência é axiiar, no ápice dos ramos, em panícula sub-corimbcsa com muitas flores dis- persas; as flores são alvas. Extraordináriamente notável é o odôr emanado da casca e do lenho desta espécie, mesmo quando secos, dizendo o naturalista Ducke, ser êste um caso sui-generis . Realmente, o material que recebemos, já bastante sêco, exalava fortís- simo odôr de funcho, o que nos sugeriu uma distilação de parte do referido material; e assim, reduzido a pequenos fragmentos, pelo clássico processo de distilação por pas- sagem da corrente de vapor dágua, obtivemos dêle um óleo essencial, com ativíssimo odôr de anetol. A percentagem que encontramos foi de 1,5 % gr, o que pode ser considerado como apreciável; este fato, ao lado da possibilidade de conter a citada essência, — o anetol, — éter metílico do alifenol, — princípio de grande valor terapêutico, sugeriu-nos a remessa do material de que ainda dispúnhamos, para o Instituto de Química Agrícola, onde há recursos para se proceder a uma análise completa. Infelizmente soubemos, através correspondência que mantemos com o naturalista Ducke, que a raridade da es- pécie exclue, de início, a possibilidade de qualquer explo- ração industrial, o que, contudo, em nada desmerecerá o valor da investigação que se venha a fazer neste sentido. A área geográfica desta espécie é mui restrita, limi- tando-se ao baixo Curicuriari, afluente do Rio Negro, onde aquêle naturalista encontrou, apenas, três exemplares. Co- ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 3 — íihecem-na, os habitantes da região, por puchury-rana em alusão, provàvelmente, ao puchury verdadeiro, que pertence também, à família Lauraceae-Acrodiclidium puchury maior (Mart.) Mez., cujos frutos, muito aromáticos, constituem objeto de um comércio regular. Sôbre as aplicações, seja do lenho, seja dos frutos, desta espécie que estudamos, não foi feita, ainda, qualquer refe- rência. Material de estudo, técnica: O material é autêntico, e nos foi enviado pelo naturalista Ducke; e faz parte da xilo- teca da Seção de Botânica Geral do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, registrado sob o n.° 1763; as preparações microscópicas acham-se depositadas no arquivo da mesma Seção. Do alburno, obtivemos pequenos blocos adequados à preparação de cortes, que foram tratados segundo a técnica usual para êsse gênero de estudo. A nomenclatura adotada no presente trabalho obedece rigorosamente as Recomendações da l. a Reunião de Anato- mistas de Madeiras (1) . Fotomicrografias originais e executadas pelos autores, em grande câmara Zeiss. OBSERVAÇÕES MACROSCÓPICAS: (*) Propriedades gerais: madeira macia, porosa, relativa- mente pesada, textura fina, lenho muito bom para ser tra- balhado à plaina, tomando bem o polimento; côr, pardo- clara a amarelada (alburno) , quando recentemente cortada de um amarelo pardacento (cerne), a côr pardo-escuro, se- melhante às canelas quando exposta à luz por algum tempo; odôr muito ativo, sugerindo funcho; sabor adocicado, extrato aquoso e extrato alcoolico, praticamente, incolores; aneis de crescimento pouco perceptíveis, em faixas muito estreitas e (•) O exame íot realizado sôbre secção de uma tóra cujo diâmetro é de 25 cms. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 4 — muito nítidos com auxílio de lupa, onde há uma substância de côr castanho-escura, com brilho especial; parênquima in- distinto; raios visíveis e em linhas muito finas, muito dis- tintas no radial e imperceptíveis no tangencial, mas visíveis neste plano com auxílio de lupa; sinais de estratificação au- sentes. ANATOMIA MICROSCÓPICA Vasos porosos, de poucos a numerosos, isolados e múl- tiplos, em proporções sensivelmente iguais. Número: de 3-14 por mnr; 8-9 em média, mais comu- mente 6-10; entre os múltiplos, predominam os de 2. Tamanho: bastante variável, de pequenos a grandes; diâmetro máximo 244 micra, sendo que o diâmetro mais comum oscila entre 152-183 micra. Seção: geralmente oval ou circular; algumas vezes, no entanto, observa-se contorno anguloso. Paredes: muito uniformes, delgadas, medindo de 3 a 8 micra de espessura. Elementos vasculares: comprimento muito variável, de curtos a longos (entre 300-945 micra) . Forma cilíndrica, al- gumas vêzes dilatados levemente na região média; apêndices correspondendo às vêzes a 1/3 do comprimento total do ele- mento. Os apêndices aparecem em um só ou em ambos os extremos, podendo faltar completamente. Perfuração: total, horizontal, raramente oblíqua; rara- mente ocorrem ainda casos de perfuração múltipla. Tilos: relativamente freqüentes, de paredes delgadas, pontuadas, muito nítidos nos cortes transversais ou ainda nos elementos dissociados. Conteúdo: substância de aspecto granuloso, de côr ama- relada. SciELO/JBRJ — 5 — Pontuações inter -vascular es: pares areolados, muito nu- merosos, alternos e, algumas vêzes, em arranjo escalari- forme; pontuações circulares ou elíticas até muito alon- gadas, raramente poligonais; diâmetro — oscilando entre 10-13 micra, atingindo, nas escalariformes, até 72 micra ; abertura inclusa, fenda larga horizontal ou mais comu- mente, obliqua; freqüentemente as aberturas correspondem à metade do diâmetro da pontuação (alternos) . Pontuações parênquimo-vasculares: pares semi-areola- dos, muito menos numerosos e menores que os inter-vas- culares; alternos, sub-circulares ou elíticos, com diâmetro compreendido entre 3-10 micra, abertura em fenda elítica, geralmente, inclusa, menos freqüentemente horizontal. Pontuações rádio-vasculares: pares semi-areolados, bem numerosos, de disposição e tamanho muito variáveis; ora alternos aglomerados, ora escalariformes; pontuações nitida- mente maiores que as demais, pois, medem de 4-34 micra de diâmetro máximo sendo que predominam as de 10-21 micra; contorno desde circular ou elítico e poligonal; aber- turas muito amplas correspondendo, comumente, a mais de 2/3 do diâmetro total; direção horizontal ou mais freqüen- temente, obliqua. Fibras: libriformes, homogêneas e heterogêneas, predo- minando estas últimas; dispõem-se geralmente em fileiras radiais regulares; a lâmina média apresenta espessamento muito nítido; forma característica, de curtas a longas (de 1,06 mm a 1,80 mm) ; mais comumente, isto é, cêrca de 80 % dos casos, de 1,10 mm a 1,60 mm; seção — poligonal, comu- mente quadrangular; diâmetro máximo variando de 34 a 40 micra, de direção predominantemente tangencial; cavi- dade — poligonal correspondendo de 3/4 a 1/3 do diâmetro da fibra (delgadas a espessas, no lenho inicial) ; no lenho tardio, onde elas são homogêneas, pertencem praticamente à categoria de muito espessas, pois comumente suas cavi- dades são lineares ou mesmo puntiformes. cm 1 ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 6 — Pontuações: simples, bem numerosas, em fileiras verti- cais, forma lenticular de direção aproximadamente vertical, diâmetro em geral, menor que 4 micra. Parênquima radial: raios heterogêneos, pertencentes ao tipo III de Kribs (3) , algumas vêzes, no entanto, são quase homogêneos; de pouco numerosos a numerosos (4-8 por mm) ; de 5-7, em cêrca de 90 % dos casos; nas 100 conta- gens que efetuamos, encontramos 6 como número médio; são uni e multi-seriados (2-3 células na região média) os primeiros constituem, apenas, cêrca de 10 % ; largura — de extremamente finos à finos (14-46 micra), com 1 a 3 células (em cêrca de 70 % dos casos, ocorrem os raios 2-seriados) ; altura — de extremamente baixos a baixos (de 45 micra até acima de um milímetro) ; em cêrca de 70 % dos casos medem de 334-867 micra ; o número de células em altura varia de 1-48, sendo de 6 a 35 em 78 % dos casos; na com- posição dos raios predominam as células horizontais que apresentam seção oval ou mais freqüentemente poligonal; nos ápices encontram-se células erectas, em geral 1-2 que estão em ambas as extremidades ou apenas em uma só; medem estas células, geralmente, de 75 a 86 micra no maior diâmetro; embora raramente, podemos observar raios que se fusionam em direção vertical e que, contudo, não ultra- passam a altura já referida. Células oleíferas muito freqüentes, geralmente em um dos ápices, medindo as maiores até 228 micra de diâmetro. Parênquima longitudinal: do tipo paratraqueal secre- tor (4); séries contendo elementos secretores acolados aos vasos e, mais raramente, entre os outros elementos do lenho. As séries parenquimatosas compõem-se de 2-8 células, sendo mais freqüentes as de 2-4 (em cêrca de 60 % dos casos) ; medem as referidas séries de 200 micra a 1,065 mm havendo nítido predomínio das séries que medem de 410-853 micra, inclusive as células oleíferas . Convém ressaltar que algumas séries, particularmente aquelas constituídas por muitas cé- ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm — 7 — lulas, simulam fibras pela forma peculiar das células que compõem as suas extremidades. As células oleíferas, de maior diâmetro que as do pa- rênquima radial, medem de 152-230 micra, de diâmetro, ocorrendo no entanto, algumas que medem até 310 micra, estão localizadas ora entre os elementos que compõem a série parenquimatosa, ora no ápice das mesmas. Máculas medulares: bastante freqüentes, no seio da massa do lenho, compreende algumas vêzes faixas relativa- mente extensas, perceptíveis as vêzes somente com auxílio de uma lupa. Peculiaridades: o exame de cortes de material fresco, isto é, sem que tenham sido tratados pelo hipoclorito, re- vela a existência de grande quantidade de uma substância de aspecto granuloso, de côr pardo-amarelada, nas cavidades das células dos raios e dos biócitos das máculas medulares. RESUMO E CONCLUSÕES Condensando o nosso trabalho, queremos frizar que anatomicamente esta espécie apresenta, de modo geral os caracteres da família a que pertence, exibindo, no entanto, certas particularidades anatômicas que, segundo biblio- grafia especializada (5), ainda não foram assinaladas em outras espécies congêneres. Referimo-nos especialmente às fibras que se apresentam exclusivamente libriformes, ao contrário do que se observa nas outras espécies do gênero, onde há sempre fibras septadas. Êste fato confere a esta espécie um bom característico diferencial e mostra eviden- temente o paralelismo que há entre a morfologia externa e a interna, pois, o próprio autor da espécie se expressa dessa maneira: “Sob o ponto de vista da classificação botânica, Ocotea fragrantissima é uma das espécies mais fáceis de se determinar, neste grande gênero”. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 8 — cm .. BIBLIOGRAFÍA 1 Conclusões e recomendações da l. a Reunião de Anatomistas de Madeiras, Rev. Rodriguésia, n.° 11, 1937 — Rio de Janeiro. 2 — Ducke, A.; 1938 — “Lauráceas aromáticas da Amazônia bra- sileira”, Anais da l. a Reunião Sul-Americana de Botânica, Vol. III, pg. 62-63. Kribs, D . A . ; 1935 — ‘‘Salient lines of Structural Speciali- zation in the wood rays of Dicotyledons; The Botanical Ga- zette, vol. XCVI, n.° 3. 4 — Milanez, F. R. — “Nota sôbre a classificação do Parênquima do lenho”, Rev. Rodriguésia, Ano VIII, n.° 17; 1944. 5 — Record, J. S.; 1943 — “Timbers of the New World”; U.S.A. !scíelo/jbrj 11 12 13 14 15 ESTAMPA 1 Corte transversal x50 ESTAMPA 2 Corte tangencial x50 cm l SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 Corte tangencial xllO Corte radial x50 ESTAMPA 3 ESTAMPA 4 SciELO/JBRJ ESTAMPA 5 Corte transversal, máculas medulares xlOO ESTAMPA 6 Elementos dissociados xlOO cm l SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 BSTAMPA 7 Desenho semi-esquemático de elementos vasculares dissociados e ralos SciELO/JBRJ 11 12 13 14 CONTRIBUTION À L’ÉTUDE DES FORMES BIOLOGIQUES VÉGÉTALES LUIZ GOUVÊA LABOURIAU Da Seção de Botânica Geral I La classification 'phytogéographique de M. Braun-Blanquet en face de la classification phytogéographique du Congrès de Bruxélles Dans son apréciation des classifications physionomi- ques-écologiques des communautés végétales, M. Braun- Blanquet montre que “les systhèmes physionomiques-éco- logiques cherchent à disposer suivant une succession ,de “formations” extérieurement corrélationées les associations qui sont définies en teimes floristiques (ou par d’autres com- binaisons naturelles et régulières de formes biologiques) . Ces systèmes ne cherchent pas à parvenir à une disposition des unités fondamentales de la végétation — les associa- tions — suivant les affinités fondées sur leurs caractéris- tiques intrinsèques, ni à les placer dans une série absolu- ment logique de concepts de groupe. Ils cherchent un système “qui puisse être utilisé sans éxiger des études trop étendus” (Brockman-Jerosch e Rubel, pg. 13) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 14 — Le pire c’est que le Congrès de Bruxelles, de 1910, donna à cette classification archaique sa bénédiction officielle. Cependant, des voix influentes ont commencé à se faire entendre contre les prescriptions de Bruxelles. Pourquoi devions nous placer dans le même genre les moutons blancs et les lapins blancs à cause du simple fait qu’ils sont tous blancs? — demande Pavillard. La disposi- tion préliminaire des associations suivant leur apparence est une expréssion de paresse dépourvue de fondement philo- sophique. On ne pouvait rien faire de plus illogique que de créer ainsi des “genres écologiques” dont les espèces sont des associations définies par leur composition flo- ristique” (1) . II propose le système floristique en substitution de ces systèmes physionomiques-floristiques : “Le groupement, plus récent, des communautés végé- tales suivant les ressemblences de composition floristique dérive de 1’observation, déjà connue, que chaque espèce a une valeur indicatrice définie, plus ou moins grande. Les espèces sont employées comme signes de certaines relations syngénétiques et synchorologiques.” Dès que l’on combine des communautés liées par des corrélations floristiques, on unira, par des caractères floris- tiques, des unités qui doivent être liées aussi dans les plans écologique et historique.” (1) On rassemble, ainsi, les associations en alliances, les alliances en ordres, les ordres en classes et les classes en cercles de végétation. Et ses unités se disposent suivant la “progréssion écologique”. Cela posé, examinons quel a été le programe de systé- matique phytosociologique, tracé par Raunkiaer pour par- SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 15 venir à des systèmes “biologiques”’ (nous croyions le mot “biotypologique” plus convenable) : “Le climat détermine la végétation, donc, dans une cer- taine mésure, la végétation est une expréssion du climat.” “Cependant la façon selon laquelle le monde végétal exprime le climat est moins évidente et le problème peut être approché de plusieurs façons. Nous pouvons chercher les espèces, les genres et les familles que l’on rencontre dans un climat défini et qui rarement ou jamais sont trouvés en dehors de ce climat; nous pouvons, alors, considérer ces plantes comme une expression du climat en question.” “Mais cette étude de la phytogéographie floristique ne nous permet pas de comprendre les relations entre la vé- gétation et le climat, párce que la composition floristique peut varier beaucoup dans son origine, même si le climat est essentiellement uniforme . Le but de la phytogéographie biologique est, cependant, de rechercher cette relation entre la végétation et le climat afin d’obtenir une expréssion phy- sico-biologique des differents climats.” (3) Pour arriver à cette fin, elle utilise des unités biotypo- logiques (formes biologiques et formations) au lieu des unités systématiques . Le parallèle entre les deux systèmes — celui de M. Braun-Blançuet et celui de Raunkiaer — permet de montrer que non seulement ils partent des mêmes faits fon- damentaux, mais encore qu’ils tendent vers le même but et qu’ils ne sont pas en contradiction . Ils diffèrent seule- nient par les méthodes, qui amènent à deux façons dis- tinetes de considérer la même réalité. Mais touts les deux manifestent la même intention d’envisager la vie végétale comme une expression synthétique des conditions du milieu. Nous pensons donc que Térreur de la classification de Bruxelles a été de fondre les deux types de systèmes en un SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 16 — seul système mixte. Le résultat a été une classification qui ne suit pas la loi logique selon laquelle toute division doit se faire suivant un critère unique: on commence par un critère floristique et on finit par un critère biotypologique . II nous semble ainsi que la classification du Congrès de Bruxelles doit étre abandonée et remplacée, du moins provisoirement, par 1’usage simultanée des deux systèmes cités . Ces deux systèmes se montrent d’excellentes méthodes de récolte de f aits et posent des problémes très intéressants . Cependant nous disons “provisoirement” parce qu’il nous semble qu’il y a une troisième solution qui, peutêtre, four- nira une synthèse de ces systèmes, mais une vraie synthèse, organique et non une juxtaposition incohérente. Nous éxaminerons cètte possibilité dans la note qui suit. Enfin nous voulions signaler une analogie intéressante du système de Braun-Blanquet avec 1’exposition “généti- que” du concept de nombre, en Arithmétique . Si l’on considère les différentes unités de M. Braun- Blanquet: association, alliance, ordre, classe et cercle de végétation — on verra que le passage d’une unité donnée à celle qui lui est immédiatement supérieure se fait par 1’abandon d’une ou de plusieurs restrictions mésologiques, ce qui donne 1’expréssion végétale d’un milieu plus général, qui admet comme cas particulier le milieu caractéristique de 1’unité précédente. Or, c’est précisement ce méchanisme logique qui préside à l’exposition dite “génétique” des extensions du concept de nombre: à partir du concept de nombre naturel on construit les concepts de plus en plus étendus de nombre entier rélatif, de nombre rationnel, de nombre réel et do nombre complexe à deux unités, en abandonant successive- ment les restrictions imposées aux opérations . Dans les deux cas 1’infrastructure de la méthode est le principe suivant lequel on ne covnprend les unités infé- SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 17 — rieures que lorsqu’eles sont intégrées dans des unités supé- rieures. II Les formes biologiques eu face de Valternation des générations. Le phénomène de 1’alternation des générations prend dans 1’ensemble de la Botanique une importance croissante depuis sa découverte dans les travaux classiques de Hoff- meister. C’est ainsi que Wettstein (4) par exemple, a été conduit à considérer les Hépatiques comme plus évoluées que les Mousses, parce qu’il a observé que la morphologie comparée des Bryophytes se faisait à la base d’une fausse homologie. La genération plus réduite dans les Hépatiques que dans les Mousses est le gamétophyte, signe de progrès phylogénétique . La préocupation de la détermination de la forme bio- logique des Ptéridophytes nous a amené le probléme sui- vant: à quelle génération devait s’appliquer le critère de Raunkiaer? Au gamétophyte? Au sporophyte? Nous avons compris, alors, que le probléme était général, quoique masqué, parmi les Spermatophytes, à cause de 1’exteréme réduction du gamétophyte. On sait que le critère de Raunkiaer a été de rassembler les végétaux en biotypes, selon leur probabilité de survi- vance. Donc le probléme se pose de savoir qu’elle est la génération qui doit être envisagée de ce point de vue. II nous semble dénécessaire de trop insister sur 1’impor- tance de ce critère. II suffit de citer le fait suivant: comme le nombre de mutants est proportionel au nombre des in- dividus qui éxistent, une classification des végétaux en groupes d’après les degrés de probabilité de survivance devra avoir nécéssairement une expression importante dans le cadre de 1’évolution par le méchanisme mutacioniste . II nous semble même que vers ce probléme de la systématique SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 18 — phytosociologique convergent les grands besoins de la Phy- togéographie et de la Systématique phylogénétique . L’étude de 1’évolution est en train de démander tou- jours à la Systématique botanique une unité capable de servir de point de liaison entre la plante considérée comme un ensemble de caractères et le végétal envisagé comme un être vivant en évolution. En un mot: la systématique vé- gétale attend encore une synthèse entre les points de vue des deux courants philosophiques, celui Parménide et celui d’Héraclite . Si nous nous bornons provisoirement aux Cormophytes (comme discipline de simplification initiale) nous verrons que quelquefois c’est le sporophyte qui parasite le gaméto- phyte, que d’autre fois ils vivent indépendants la plupart de leur existenee ou encore que c’est le gamétophyte qui parasite' le sporophyte . Partant du postulat que la géné- ration parasite est, en général, la plus faible parce qu’elle soufre les vicissitudes de 1’hôte au surplus de ses propres, nous arrivons à quelques conclusions statistiques: 1) dans les Bryophytes le sporophyte a moins de pro- babilités de survivance que le gamétophyte. 2) dans les Ptéridophytes les deux probabilités sont à peu près indépendentes . 3) dans les Spermatophytes c’est le gamétophyte qui a moins de probabilités de survivre. Nous distinguons, ainsi, 3 grands biotypes selon le cri- tère de Raunkiaer: 1) Bryophyta 2) Pteridophyta 3) Spermatophyta Ces trois biotypes coincident avec les grands groupes phylogénétiques de Cormophyta, ce qui nous permet de SciELO/JBRJ cm — 19 — penser à la possibilité cTune union des deux systèmes de clas- sification — le floristique et le biotypologique — comme con- séquence d’une extension convenable du concept de “forme biologique”, qui fournira une nouvelle unité systématique, capable de renfermer en un concept unique la face taxono- mique et la face écologique des végétaux . BIBLIOGRAPHIE 1 — Braun-Blanquet — 1932 — “Plant Sociology” — trad. Fuller and Connard. pg. I — XVIII, 1 — 439, 180 fig., 42 tab., First Ed. Second Impr., Mc Graw-Hill Book Co., Inc., New York and London. 2 — Natucci — “II concetto di numero e le sue estensioni. 3 — Raunkiaer, C. — 1934 — “The life forms of plants and statistical plant geography, being the collected papers of C. Raunkiaer”, pg. I, XVI, 1 — 632, 189 fig., Clarendon Press, Oxford . 4 — Wettstein, R. — 1944 — “Botanica Sistemática”, trad. P. Font Quer, da 4. a ed. alemã, pg. I — XIX, 1 — 1039, 709 figs. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 CONSIDERAÇÕES SÔBRE OS GÊNEROS KUHLMANNIELLA L. BARROSO E DICRANOSTYLES BENTH. * LIBERATO JOAQUIM BARROSO Da Seção de Botânica Sistemática. Através da revista “Tropical Woods”, n.° 90, de Junho 1, 1947, chegou ao meu conhecimento que o eminente bo- tânico Dr. A. Ducke, fez nova combinação da minha espécie Kuhlmanniella Falconiana L. Barroso (“Rodriguésia”, IX, n.° 18 — 1945), alegando que o gênero Kuhlmanniella L. Barroso nada mais era que o Dicranostyles Benth., do grupo' de estilete não bífido ( Dicranostyles holostyla Ducke, Di- cranostyles integra Ducke e Dicranostyles Mildbraediana Pilg.) . Essa nota deu-me a oportunidade de estudar minucio- samente o gênero Dicranostyles Benth., chegando à con- clusão — de acordo com a diagnose original e com o exame detalhado de exemplares de Dicranostyles scandens Benth., Dicranostyles densa Spruce (os primeiros a serem descritos) , e de todos os outros posteriormente publicados, existentes no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro — que foram nêle incluidos, erradamente, os espécimens cujo esti- lete não era bífido. A. Ducke, em 1925, criou a espécie Dicranostyles ho- lostyla de estilete íntegro, só o tendo acompanhado Pilger, em 1927, com a espécie Dicranostyles Mildbraediana, publi- * Entregue para publicação em 4/IX/1947. SciELO/ JBRJ — 22 — cada em “Notizbl. Bot. Cart. Berlin, IX, 1150” dizendo êste último ter assim procedido em face de todos os caracteres, COM EXCEÇÃO DO ESTILETE BÍFIDO, serem do gênero Dicranostyles Benth. A exceção, na família, é muito forte para ser despre- sada, embora, no dizer de Pilger, corroborando o de Ducke, todos os outros caracteres correspondam aos de um gênero já conhecido. São as exceções, às vezes difíceis de serem percebidas — daí advindo as dificuldades da sistemática — que levam o pesquisador a distinguir famílias, gêneros, es- pécies, etc. Levando-se, pois, em consideração a importância dos es- tigmas na família Convolvulaceae, considero válidas as es- pécies Dicranostyles scandens Benth. (1846), Dicranostyles densa Spruce (1869), Dicranostyles villosa Ducke (1922), Dicranostyles ampla Ducke (1932), Dicranostyles longifolia Ducke (1935), Dicranostyles boliviensis Ducke (1938) e Di- cranostyles sericea Gleason (1932), fazendo novas combina- ções, pelas razões expostas, das espécies Dicranostyles ho- lostyla Ducke (1925), Dicranostyles laxa Ducke (1932) e Dicranostyles Mildbraediana Pilger (1927) . Nessas condições, passo para o gênero Kuhlmanniella L. Barroso todos Dicranostyles (não de Benth.) de estilete íntegro, conservando no Dicranostyles Benth. os espécimens de estilete bífido. Assim, com a necessária reforma da diagnose do gê- nero Kuhlmanniella L. Barroso, aqui feita, passarão a per- tencer ao gênero Kuhlmanniella L. Barroso as seguintes espécies: 1 Kuhlmanniella Falconiana L. Barroso (1945) distinguindo-se das demais pelo seu estigma de base sagitada. i 2 Kuhlmanniella holostyla (Ducke) L. Barroso (1047) — comb. nov. SciELO/ JBRJ — 23 — 3 Kuhlmanniella laxa (Ducke) L. Barroso (1947) — comb. nov. 4 Kuhlmanniella Mildbraediana (Pilg.) L. Barroso (1947) — comb. nov. Permanecerão no gênero Dicranostyles Benth. as es- pécies: 1 Dicranostyles scandens Benth. (1946) 2 Dicranostyles densa Spruce (1869) 3 Dicranostyles villosa Ducke (1922) 4 Dicranostyles ampla Ducke (1932) 5 Dicranostyles sericea Gleason (1932) 6 Dicranostyles longifolia Ducke (1935) 7 Dicranostyles boliviensis Ducke (1938) OBS.: A espécie Dicranostyles Kuhlmannii Hoehne (1922) caiu em sinonímia de Merremia Kuhlmannii (Hoehne) Ducke. REDESCRIÇÁO DO GÊNERO Kuhlmanniella L. Barroso n. g. (1945) Calyx herbaceus, 5-fidus, lobis aequalibus imbricatis; corolla subrotata tubo brevi; limbi 5-partiti, lobis lanceo- latis patentibus, aestivatione induplicato-valvatis; genitalia tubo exserta, corollam subsequantia; stamina 5 tubo annexo; antheris versatilibus oblongis, loculis contiguis parallelis, connectivo subnullo; ovarium biloculare, loculis biovulatis, ovulis adscendentibus; stylus integer; stigmata 1, capitato, subgloboso, globoso, emarginato, piriformi vel sagittato. Frutices scandesentes; follis alternis coriaceis simplici- bus integerrimis; racemis vel paniculis axilaribus; floribus parvis . TYPUS — K. Falconiana (Herb. J. Bot. R. de Jan., n.° 35.591, 1945). Generis nomen João Geraldo Kuhlmann dedicatum. SciELO/JBRJ 11 cm .. — 24 — BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1 — Bentham (1846) — Hook., Lond. Joum. Bot. VI, 355. 2 Ducke, A. (1925) — Arch. J. Bot. IV, 169 — R. de Janeiro. 3 — Gleason (1932) — Ann. Journ. Bot., XIX, 751. 4 — Hoehne (1922) — Anex. Mem. Inst. Butantan I-IV-46, São Paulo . 5 — Meissner, Carolus Fridericius (1869) — Flora Brasiliensis de Martius, vol. VII, pgs. 327, 328 — Leipzig. 6 — Pilger, R. (1927) — Notizbl. Bot. Gart. IX, 1150 — Berlin. ESPÉCIES DE HERBÁRIO EXAMINADAS 1 — Dicranostyles scandens Benth. 2 — Dicranostyles densa Spruce 3 — Dicranostyles boliviensis Ducke 4 — Dicranostyles villosa Ducke 5 — Dicranostyles longifolia Ducke 6 — Dicranostyles ampla Ducke 7 — Kuhlmanniella holostyla (Ducke) L. Barroso ( Dicr . holostyla Ducke) 8 — Kuhlmanniella laxa (Ducke L. Barroso {Dicr. laxa Ducke) 9 — Kuhlmanniella Falconiana L. Barroso I SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm CONTRIBUIÇÃO PARA O CONHECIMENTO DA FLORA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (/. PTERIDOPHYTA ) A. C. BRADE Da Seção de Botânica Sistemática Até hoje botanicamente pouco explorado é o Estado do Espírito Santo, ainda, quase desconhecido na respectiva li- teratura. Por isso acreditamos que uma lista das Pterido- phytas, colhidas na excursão por nós realizada em maio de 1946, na região do Município de Itaguaçu, neste Estado, deve ser de interêsse geral, especialmente no tocante à fi- togeografia. A região por nós visitada fica numa altitude entre 600 a 1 . 000 m, nas cabeceiras dos rios Limoeiro e Jatiboca, con- fluentes do rio Joana e São Sebastião, confluente do rio Santa Maria e situa-se na região fitogeográfica das matas pluviais da Serra do Mar. Como mostra a nossa lista a flora Pteridophyta é com- posta principalmente de elementos que têm o centro da sua distribuição nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, daí espalhando-se até o R;o Grande do Sul e para Oeste, até às Serras do Estado de Minas Gerais. Outros elementos são menos representados, como por exemplo o elemento tropical, que tem uma distribuição por tôda região neotrópica da América Central e Antilhas até São Paulo. (1) Entregue a 25 de Setembro de 1947, para publicação. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 26 — Com a exploração da região Norte do Estado do Espírito Santo, até à altitude de 500 m, podemos constatar, talvez, um aumento das espécies do elemento tropical. A espécie nova de Polybotria, abaixo descrita, P. espiritosantense, po- demos incluir neste elemento. Também Dryopteris acuta (Klf.) C. Chr., deve pertencer ao elemento tropical. Esta última foi achada por Sellow em 1816 entre Campos e Vi- tória, e depois, só uma vez, mais tarde, por Goeldi no Estado da Paraíba. Asplenium Stuebelianum Hier., pela primeira vez acha- do na Colombia, por sua semelhança com A. serratum, pro- vàvelmente, devido a uma observação rápida, deixou muitas vêzes de ser colhido, porém aparece recentemente numa co- leção de Pteridophyta colhidas por E. Heringer da Estação Experimental Agrícola, em Agua Limpa, no Estado de Minas Gerais. Foi por nós encontrado numa altitude de 600 m, na região do rio Jatiboca, terrestre na mata. Apesar de sua analogia com A. serratum, deve-se considerá-la como uma espécie bem distinta, sendo o hábito da planta muito mais delicado do que o de A. serratum, além disso, vegeta em condições ecológicas diferentes das daquela espécie. A. ser- ratum prefere os blocos de pedra na sombra da mata, ao passo que A. Stuebelianum foi encontrado no solo da mata. A textura das folhas é herbáceo-membranácea, enquanto que a de A. serratum, é coriácea ou subcoriácea. A distribuição de Anemia organensis Rosenst. é vasta, muito mais do que pensávamos. Esta espécie foi achada por Ph. von Luetzelburg em 1912 e 1916, na Serra dos Órgãos e Serra da Estréia e por nós, na Serra do Imbé, Estado do Rio, Município de Santa Madalena, em 1931. Agora pu- demos constatá-la também no Estado do Espírito Santo, no Alto Limoeiro, onde a achamos numa formação bem desen- volvida com exemplares até 1 m de altura . De outros representantes do gênero Anemia obser- vamos, em altitude entre 600 e 700 m, A. tenélla e A. collina. SciELO/JBRJ cm — 27 — Numa formação da última achamos 2 exemplares, que con- sideramos híbridos naturais entre as duas espécies. DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES E VARIEDADES NOVAS SCHIZAEACEAE X Anemia espiritosantensis Brade nov. X nat. (Anemia collina Raddi X A. tenella (Cav.) Sw.) (Es- tampa 1.) Rhizoma obliquum, pilis ferrugineis densissime dbsti- tum; stipites approximati usque ad 25 cm longi, stra- minei, pilis mollibus, ferrugineis vestiti, supra sulcati, cir- citer 2 mm crassi; lamina sterilia deltoideo-lanceolata, usque ad 20 cm longa, 8-10 cm lata, rigide-herbacea, bi- pinnatifida, utrinque sparse pilosa; pinnae steriles 10-13-jugae, oppositae vel suboppositae, parum congestae, patentes, inferiores brevissime petiolatae, ovato-lanceolatae, pinnatae vel pinnatisectae, pinnulis vel lobis ovalis, obliquis, deorsum decurrentibus margine denticulatis, apice obtusis vel rotundatis, medianis auriculatae, superiores subsessiles vel anguste adnatae, e basi obliqúe truncatae ovatae, nervi liberi; pinnae fertiles laminam sterilem superantes; spor ae leviter echinulatae, plerunque abortivae vel dif- formatae . Habitat: Brasilia. Estado do Espírito Santo, Jatiboca, Município de Itaguaçu, 700 m sôbre n. do mar. Leg. A. C. Brade n.° 18.480, Altamiro Barbosa Pereira e Appario Pe- reira Duarte. — 28- V- 1946. — Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro n.° 56.915 — “Typus”. O hábito intermediário da planta, acima descrita, dá- nos a presunção de se tratar de uma híbrida natural entre •4. collina e A. tenella. Os esporos deformados na maioria ou abortados confirmam esta presunção. Nossa hipótese a SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 28 — êste respeito deve estar certa, porquanto não observamos outras espécies do gênero nas proximidades do lugar em que ocorre a planta em aprêço. (Estampa 2.) # POLYPODIACEAE Stigmatopteris prionitis (Kze.) C. Chr. var. pseudo-caudata Brade n. var. Pinnae alternae patentes, brevissime petiolatae,' me- diales maximae ad 25 cm longae, usque ad 6 cm latae, ad costam anguste alatam pinnatifidae, ala 3-4 mm lata, lobis lineare-lanceolatis, subfalcatis, maximis 30 mm longis, 7-8 mm latis, margine insigniter inciso-crenatis, nervis 10 utrinque, infimis furcatis. Habitat: Brasilia, Estado do Espírito Santo: Jatiboca, Município de Itaguaçu, 800 m. s. n. do mar . Leg. A. C. Brade 18.405, Altamiro Barbosa Pereira e Apparicio Pereira Duar- te, 25-V-1946. — Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro n.° 55.082 — “Typus” . Esta variedade, a primeira vista, dá impressão de se tratar de uma espécie intermediária entre St. prionites (Kze.) C. Chr. var. denticulata (Fée.) C. Chr. e St. caudata (Raddi) C. Chr., mas distingue-se desta última pela estru- tura mais grossa, segmentos menos denteados e enseio mais estreito entre os segmentos — De St. Bradei Rosenst. dis- tingue-se pelas pinas mais profundas pinnatifidas, segmen- tos com margem crenada e vênulas em grande parte fur- cadas. Polybotrya espiritosantensis Brade nov. sp. Rhizomate late scandens 1-1,5 cm crasso, paleis rufis, membranaceis, linearis, 12-15 mm longis, 1 mm latis, mar- gine lacerate-fimbriatis, dense obtecto; stipitibus satis distantibus, viridio-stramineis, 25-28 cm longis, subcylindra- SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 29 — ceis, supra tenue sulcatis, paleis brunneis, ovato-lanceolatis, 7-9 mm longis, 1,5-2 mm latis, praecipue basim versus or- natis; la minis sterilibus ovatis, bipinnatis, 60-90 cm longis, 50-70 cm latis, subcoriaceis, pallide-viridibus, glabris, pinnis primariis alternis, pinnatis usque ad 4-jugis, 20-40 cm longis, 17-22 cm latis, pinnis secundariis ovato-lanceolatis, integris e basi cuneata sensin acuminatis, 8-12 cm longis, 2-3 cm latis, pinnis terminalis majoribus, margine integrimis, venae liberae, simplices, bifurcatis vel pinnatae, interdum rarius anastomasantibus; laminis fertilibus bipinnatis, pin- nulis integris, anguste ligulatis, usque ad 8 cm longis, 3-4 mm latis. (Estampas 3 e 4, fig. 1.) Habitat: Brasilia; Estado do Espírito Santo, Jatiboca, Município de Itaguaçu, na mata virgem 700-800 m. s. n. do mar. Leg. A. C. Brade 18.224, Altamiro Barbosa Pereira e Apparicio Pereira Duarte, 15-V-1946. — “Typus” Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro n.° 56.736. As frondes desta espécie, muito estranha, assemelham-se muito às de Alsophila corcovadensis . Taxonomicamente . pode-se colocá-la perto de P. Serratifolia (Fée.) KL, da qual distingue-se pelas fôlhas férteis bipinadas, com pinas secun- dárias lineares, de 6-8 cm de comprimento e sómente poucos (1-4) pares. Lista das espécies observadas . ' LYCOPODIACEAE 1. Lycopodium alopecuroides L. Alto Limoeiro, 900 m (n.° 56.906) — encontrada entre grama perto de nascentes de corregos, freqüente. Distribuição greográfica: América tropical e subtropical. Pouco representada na região explorada, é o subgênero Urostachya; achamos um único fragmento de L. dichoto- mum Jacq. e um exemplar novo de L. comana Chr. ou de uma espécie próxima. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 30 — SELAGINELLACEAE 1. Selaginella muscosa Spring. Jatiboca, 800 m (n.° 56.912) — em barranco sombrio. Distribuição geográfica: Brasil' (Minas Gerais — Espí- rito Santo até Rio Grande do Sul) — Paraguai — Uruguai — Argentina. 2. Selaginella flexuosa Spring. Jatiboca, 900 m (n.° 56.913) — em rochedos. Distribuição geográfica: Brasil (Minas Gerais — Espí- rito Santo até Santa Catarina) . 3. Selaginella sulcata (Desv.) Spring. Alto Limoeiro — beira da mata, 900 m (n.° 56.914) . Distribuição geográfica: Bolívia, Brasil (Mato Grosso — Pernambuco até Santa Catarina), Paraguai, Argentina. OPHIOGLOSSACEAE 1. Ophioglossum reticulatum L. Alto Limoeiro, 1.000 m sôbre pedras, rara (n.° 56.911) . Distribuição geográfica: África tropical, América tropi- cal, Samoa, Ilhas Carolinas. 1. MARATTIA Sw. 1. M. Raddii Desv. Cabeceiras do rio S. Sebastião-Sta. Maria, 900 m, na mata úmida sombria, não freqüente (n.° 56.907) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 31 — Distribuição geográfica: Brasil (Minas Gerais, Espírito Santo até Rio Grande do Sul) . 2. M. Kaulfussii J. Sm. Cabeceiras do rio S. Sebastião-Sta. Maria, 900 m, na mata úmida sombria, não raro (n.° 56908) . Ditribuição geográfica: América tropical até Rio Grande do Sul. 2. DANAEA Smith 1. D. elliptica Sm. Alto Limoeiro, 800 m, (n.° 56.910), na mata, de fre- quência regular. Distribuição geográfica : América tropical, no Brasil até Santa Catarina. 2. D. Moritziana Pr. var. brasiliensis Rosenst. Cabeceiras do rio S. Sebastião-Sta. Maria, 900 m, na mata úmida, sombria, não freqüente (n.° 56.909) . Ditsribuição geográfica: da espécie: Costa Rica, Peru; Jamaica; da variedade: Brasil (Minas, Espírito Santo até Santa Catarina) . OSMUNDACEAE Osmunda L. 1. O. regalis L. var. palustris Schrad. Alto Limoeiro, 900 m, freqüente. Distribuição geográfica: cosmopolita; da variedade: Brasil (Minas Gerais, Espírito Santo até Santa Catarina), Paraguai e Argentina. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 32 — SCHIZAEACEAE Anemia Sw. 1. A. flexuosa (Sav.) Sw. Alto Limoeiro, 900 m (n.° 56.913), não freqüente. Distribuição geográfica: América tropical, Paraguai, Uruguai, Argentina. 2. A. flexuosa (Sav.) Sw. var. oblonga (Sturm.) Prtl. Alto Limoeiro — Santa Maria, 900 m, rara (n.° 56.916) . Distribuição geográfica: Brasil — Minas Gerais, Espí- rito Santo, Estado do Rio, São Paulo) . 3. A. anthriscifolia Schrad. Vitória, nos rochedos dos arredores, freqüentes (56.920) . Distribuição geográfica: México, Perú, Paraguai, Brasil (Espírito Santo, Rio Grande do Sul), Uruguai, Argentina. 4. A. tenella Sw. Jatiboca, 600-700 m, freqüente na beira da mata (n.° 56.918). Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais, Estado do Rio, São Paulo) . 5. A. organensis Rosenst. Alto Limoeiro, 900 m, rara, beira da mata (n.° 56.917) . Distribuição geográfica: Brasil (Estado do Rio, Espírito Santo) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 33 — 6. A. collina Raddi. Jatiboca, 700 m, freqüente (n.° 56.919). Distribuição geográfica: Brasil (Minas Gerais, Espírito Santo, Estado do Rio) . 7. A. espirito-santensis Brade. hybr. nat. nov. (A. collina X A. tenella) Jatiboca, 700 m, rara. Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo), endê- mica . GLEICHENIACEAE Gleichenia Smith 1. G. squamosa (Fée) n. c. (= Mertensia squamosa Fée) Alto Limoeiro, na beira da mata, rara (n.° 56.800) . Distribuição geográfica: Brasil (Minas Gerais, Espírito Satno, Estado do Rio) . HYMENOPHYLLACEAE 1. Trichomanes L. 1 . T. polypodioides L. var. incisa Klf. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m (n.° 56.903), epifita nos troncos das Cyatheaceas, freqüente. Distribuição greográfica: América tropical (Brasil até Rio Grande do Sul, Argentina) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 34 — 2. T. accedens Pr. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m (n.° 56.904), terres- tre na mata, não freqüente. Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Paraná) . 3. T. corcovadense v. d. B. Alto Limoeiro, na mata, freqüente, 900 m (n.° 56.902) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio, São Paulo) . 4. T. elegans Rich. Alto Limoeiro, terrestre na mata, 900 m, não muito fre- qüente (n.° 56.901) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasü até Santa Catarina) . 2. Hymenophyllum Smith 1. H. hirsutum Sw. Alto Limoeiro, 900 m, epifita na mata, não freqüente (n.° 56.905). Distribuição geográfica: América tropical, África aus- tral. (Brasil até Rio Grande do Sul, Argentina) . CYATHEACEAE 1. Alsophila R. Brown 1 . A. leucolepis Mart. Jatiboca, 800 m (n.° 56.798) . Distribuição geográfica: América central (Costa Rica), Brasil (Rio de Janeiro, Espírito Santo) . SciELO/JBRJ — 35 — 2. Hemitelia R. Brown 1. H. setosa (Klf.) Mett. Alto Limoeiro -Santa Maria (900 m) , freqüente (n.° 56.799) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas até Rio Grande do Sul), Argentina. POLYPODIACEAE 1. Dryopteris Adanson Subgênero Lastraea Pr. : i 1. D. pachyrachis (Klf.) O. Ktze. Alto Limoeiro, 900 m, freqüente (n.° 56.702). Distribuição geográfica: Panamá, Venezuela, Equador, Brasil . Subgênero Steiropteris C. Chr. 2. D. densiloba C. Chr. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, rara nos rochedos na mata úmida (n.° 56.791) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo) . Subgênero Goniopteris Pr. 3. D. vivipara (Raddi.) C. Chr. Jatiboca, terrestre na mata, freqüente (n.° 56.786) . Distribuição geográfica: Costa Rica, Colombia, Brasil. Subgênero Ctenitis C. Chr. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 36 — 4. D. alsophilacea (Kze.) O. Ktze. Jatiboca, terrestre na mata, não muito freqüente (n.° 56.794). Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio, Estado de São Paulo) . « 5. D. falciculata (Raddi.) O. Ktze. Jatiboca, 600 m, beira da mata, freqüente (ns. 56.975 e 56.797). Distribuição geográfica: Guiana, Brasil (até Santa Ca- tarina) . 6. D. submarginalis (Lgsd. & Fisch.) C. Chr. var. te- nuifolia (Pr.) C. Chr. Jatiboca, 800 m, na mata, freqüente (n.° 56.790). Distribuição geográfica: Brasil (Ceará, Mato Grosso, até Rio Grande do Sul) ."Argentina. 7. D. grandis (Pr.) C. Chr. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, na mata úmida, não freqüente (n.° 56.793) . Distribuição geográfica: Brasil (Rio de Janeiro, Espí- rito Santo) . 8. D. abundans Rosenst. Alto Limoeiro, 900 m, na mata, rara. Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Rio, Pa- raná, Rio Grande do Sul) . Subgênero Parapolystichum Keys SciELO/JBRJ — 37 — 9. D. acuta (Klf.) O. Ktze. Jatiboca, 750 m, na mata (n.° 56.789), não freqüente. Jatiboca, 600 m (n.° 56.788) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Pa- raíba) . 10. D. effusa (Sw.) Urb. Jatiboca, 600 m (n.° 56.787), frequente. Ditsribuição geográfica: América tropical, Brasil (até Rio Grande do Sul), Paraguai, Argentina. 2. Stigmatopteris C. Chr. 1. St. prionites (Kze.) C. Chr. var. denticulata (Fée) C. Chr. Jatiboca, 800 m (n.° 56.784), na mata, freqüente. Distribuição geográfica: Brasil (Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro) . 2. St. prionites (Kze.) C. Chr. var. pseudocaudata Brade n. var. Jatiboca, 800 m (n.° 55.082), na mata, rara. Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo) . 3. St. caudata (Rad.) C. Chr. Jatiboca, 800 m, na mata úmida (n.° 56.783), freqüente. Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Rio de Janeiro até Santa Catarina) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 38 — 4. St. guianensis (Kl.) C. Chr. Alto Limoeiro, 800 m, na mata (n.° 56.785) . Distribuição geográfica: Jamaica, Guiana, Brasil (até Rio de Janeiro) . 3. Polystichum Roth 1. P. platyphyllum (W.) Prsl. P. aculeatum (L.) Schott. var.) Jatiboca, 700 m (n.° 56.781), não freqüente. Distribuição geográfica: América tropical. 2. P. montevidense (Spr.) Ros. Jatiboca, 800 m (n.° 56.782), rara. Distribuição geográfica: Brasil, Uruguai, Argentina. 4. Polybotrya H. B. W. 1. P. cylindrica Klf. Alto Limoeiro, 900 m, na mata, freqüente (n.° 56.737) . Distribuição geográfica: Brasil (América tropical). 2. P. espiritosantensis Brade n. sp. Jatiboca, 800 m, na mata virgem, rara (n.° 56.736) . Distribuição geográfica: Brasil, endêmica no Estado do Espírito Santo. 3. P. frondosa Fée. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m (n.° 56.738) . Distribuição geográfica: Brasü. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 39 — 5. Saccoloma Kaulf. 1. S. elegans Klf. Alto Limoeiro- Jatiboca, 800 m, na mata (n.° 56.739). Distribuição geográfica : América tropical (no Brasil até Minas Gerais e São Paulo) . 6. Ithycaulon Copeland. 1. I. brasiliense (Pr.) Mett. Alto Limoeiro, 900 m, freqüente na mata (n.° 56.745) . Distribuição geográfica: Brasil. 7. Dennstaedtia Bernh. 1. D. cicutaria (Sw.) Moore Alto Limoeiro-Santa Maria, 800 m, não freqüente (n.° 56.744) . Distribuição geográfica: América tropical. 8. Diplazium Sw. 1. D. plantaginifolium (L.) Urb. Alto Limoeiro- Jatiboca, freqüente na mata. Distribuição geográfica: América tropical (no Brasil até Rio Grande do Sul) . 2. D. Sepherdii Link. Alto Limoeiro, 800 m, freqüente na mata (n.° 56.777) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Rio Grande do Sul) , Argentina) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 40 — 3. D. celtidifolium Kze. Alto Limoeiro-Santa Maria, 800 m, na mata, não muito freqüente (n.° 56.779). Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 4. D. mutilum Kze. Jatiboca, 800 m, freqüente na mata (n.° 56.780) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 5. D. ambiguum Raddi. var. Alto Limoeiro-Santa Maria, beira da mata, não fre- qüente (n.° 56.778). Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Santa Catarina) . 9. Phyllitis Ludwig. 1. Ph. Balansae (Bak) C. Chr. Jatiboca, 600 m, terrestre na mata, rara (n.° 56.776). Distribuição geográfica : Paraguai, Brasil (Espírito San- to, Estado do Rio, Minas Gerais, São Paulo) . 10. Asplenium L. 1. A. auritum Sw. var. divergens (Mett.) Rosenst. Alto Limoeiro, 900 m, epifita não freqüente (n.° 56.773) . Distribuição geográfica : América tropical até Argentina. SciELO/JBRJ — 41 — 2 . A. Bradei Rosenst. Jatiboca, 600 m, sôbre pedras na mata, rara (n.° 56.761). Distribuição geográfica: Brasil ((São Paulo e Espírito Santo) . 3. A. Claussenii Hieron. Alto Limoeiro, terrestre na mata, freqüente, 800 m (n.° 56.765) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Rio Grande do Sul) . 4. A. cristatum Lam. Jatiboca, 600 m, terrestre na mata úmida, não freqüente (n.° 56.774) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 5 . A. harpeodes Kze. var. Glazioviana Hier. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, na mata úmida (n.° 56.769). Distribuição geográfica: Brasil (Minas Gerais, Espírrto Santo, Santa Catarina) . 6 . A. Kunzeanum Kl. Alto Limoeiro, 800-900 m, freqüente na mata (n.° 56.762) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Rio Grande do Sul), Argentina. 7 . A. Martianum C. Chr. Alto Limoeiro, 800 m, na mata, não freqüente (n.° 56.763) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 — 42 — Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Santa Catarina) . 8. A. oligophyllmn Klf. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifitica na mata (n.° 56.772), não muito freqüente. Distribuição geográfica: América tropical até Argen- tina, Madagascar. 9. A. praemorsum Sw. Alto Limoeiro, 900 m, sôbre pedras, rara (n.° 56.771) . Distribuição geográfica: Região tropical e subtropical. 10. A. pseudonitidum Raddi. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, terrestre, na mata úmida, não freqüente (ns. 56.758 e 56.759) . Distribuição geográfica: Venezuela, Equador, Brasil (Es- pírito Santo, Minas Gerais até Rio Grande do Sul) . 11. A. pteropus Klf. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifitica, na mata úmida, rara (n.° 56.770) . Distribuição geográfica: ? América tropical — Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais até Rio Grande do Sul) . 12. A. radicans L. Jatiboca — sôbre pedras na mata úmida, não muito fre- qüente (n.° 56.767) . Distribuição geográfica: América tropical — Brasil (até Santa Catarina) . SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 43 — 13. A. radicans L. var. cyrtopteron (Kze.) C. Chr. (= A. cyrtopteron Kze.) Jatiboca, 800 m, terrestre an mata, não muito freqüente (n.° 56.768). Distribuição geográfica: América tropical até Argentina. 14. A. sanguilolentum Kze. Alto Limoeiro, 900 m, epifítica na mata, rara (n.° 56.760) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Santa Catarina) . 15. A. semicordatum Raddi. Alto Limoeiro-Santa Maria, 800-900 m, epifítica na mata, não muito freqüente (n.° 56 . 775) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Santa Catarina) . 16 . A. serra Lgsd. & Fisch. Jatiboca, 800 m, não freqüente, terrestre na mata. Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Rio Grande do Sul), África ocidental tropical. 17. A. Stübelianum Hieron. Jatiboca, 600 m, terrestre na mata, rara (n.° 56 . 766) . Distribuição geográfica: Colômbia, Brasil (Espírito San- to e Minas Gerais) . 18. A. uniseriale Raddi. Jatiboca, 800 m, terrestre na mata úmida, não muito freqüente (n.° 56.764) . SciELO/JBRJ — 44 — Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Rio Grande do Sul) . 11. Blechnum L. 1. B. euraddianum Brade. (= Lomaria brasiliensis Raddi.) Alto Limoeiro, 900 m, freqüente na beira do corrego (n.° 56.726). Distribuição geográfica: Colômbia, Equador, Brasil (até Rio Grande do Sul) . 2. B. Mexiae Copei. Jatiboca — terrestre na mata úmida, rara. Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais até São Paulo) . 3. B. pteropus (Kze.) Mett. Alto Limoeiro, terrestre na mata, 800-900 m, freqüente (n.° 56.725) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até São Paulo) . 4. B. Sampaioanum Brade (= Lomaria mucronata Fée.) Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, terrestre na mata, rara (n.° 56.728) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais, Estado do Rio, São Paulo) . 5. B. serrulatum Rich. Alto Limoeiro, 900 m, no brejo, não freqüente (n° 56.727). SciELO/JBRJ — 45 — Distribuição geográfica: América, Ásia, Austrália tropi- cal (Brasil até Rio Grande do Sul) . 12. Stenochlaena J. Sm. 1. St.erythrodes (Kze.) Und. Alto Limoeiro, 900 m, na mata com rizoma escandente, não raro (n.° 56.729). Distribuição geográfica: Brasil (até Santa Catarina). 13. Lomagramma J. Sm. 1. L. guianensis (Aubl.) Ching. Alto Limoeiro-Jatiboca, na mata, com rizoma escan- dente, não raro. Distribuição geográfica: Guiana, Brasil (até Rio Grande do Sul), Argentina. 14. Gymnopteris Bernh. 1. G. tomentosa (Lam.) Und. Jatiboca, 800 m, nos rochedos, não freqüente (n.° 56.742) . Distribuição geográfica: Perú, Brasil (Ceará até Rio Grande do Sul), Argentina. 2 . G. tomentosa (Lam.) Und. forma pseudorufa Rosenst. Jatiboca, 600 m, terrestre na mata, rara (n.° 56.741) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Rio Grande do Sul) ? Argentina. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 46 — 15. Doryopteris J. Sm. 1. D. angularis Fée. Alto Limoeiro, 800 m, nas pedras úmidas, não freqüente (n.° 56.719). Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais até Estado do Rio e São Paulo) . I 2. D. collina (Raddi.) J. Sm. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, nos rochedos, não muito freqüente (n.° 56.724) . Distribuição geográfica : Brasil (Ceará, Santa Catarina), Guiana, Paraguai. 3. D. nobilis (Moore) C. Chr. Jatiboca, na mata, não freqüente (n.° 56.720) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo — Rio Grande do Sul) , Argentina) . 4. D. Raddiana (Pr.) Fée. Jatiboca, sôbre pedras na mata, 600-800 m, não muito freqüente (ns. 56.722 e 56.723) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo — Es- tado do Rio) . 5. D. sagittifolia (Raddi) J. Sm. Jatiboca, 800 m, sôbre pedras na mata, rara (n.° 56.721). Distribuição geográfica: Venezuela, Brasil (Espírito Santo, Minas Gerais até Santa Catarina) . SciELO/JBRJ — 47 — 16. Adiantopis Fée 1. A. regularis (Kze.) Moore. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, terrestre na mata„ rara (n.° 56.714) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Santa Catarina) . 17. Adiantum L. 1. A. curvatum Klf. Alto Limoeiro, 850 m, beira da mata, rara (n.° 56.731) . Distribuição geográfica: Brasil (Bahia, Minas Gerais, Espírito Satno até Santa Catarina) . 2. A. dolosum Kze. Jatiboca, 600 m, terrestre na mata, rara (n.° 56.735) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 3. A. ornithopodum Pr. Jatiboca, 800 m, beira da mata, rara (n.° 56.730) . Ditsribuição geográfica: Brasil (Goiaz, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais) . 4. A. pulverulentum L. Jatiboca, 600-800 m, na mata, freqüente (ns. 56.732 e 56.733). Distribuição geográfica: Antilhas, Brasil (até Rio Gran- de do Sul) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 48 — 5. A. subcordatum Sw. „ Jatiboca, 700 m, na mata, não frequente (n.° 56.734) . . Distribuição geográfica: Guiana, Brasil (até São Paulo). 18. Pteris 1. Pt. decurrens Pr. Alto Limoeiro, 800 m, terrestre na mata, não muito fre- qüente . Distribuição geográfica: Brasil (até Santa Catarina) . 2. Pt. denticulata Sw. Alto Limoeiro- Jatiboca, freqüente na mata, 800 m. Distribuição geográfica: Antilhas, Brasil, Argentina. 3. Pt. leptopylla Sw. Jatiboca, 600 m, na mata, freqüente. Distribuição geográfica: Colômbia, Brasil (Espírito San- to, São Paulo) . 19. Lonchitis L. 1. L. Lindeniana Hk. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, terrestre na mata, rara (n.° 56.743) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 20. Pteridium Gleditsch 1. Pt. aquilinum (L.) Kun. subsp. arachnoideum (Klf.) Max. SciELO/JBRJ — 49 — Alto Limoeiro, freqüente, 900 m. Distribuição geográfica: América tropical. 21. Antrophyum Kaulf. 1. A. lineatum (Sw.) Klf. Jatiboca, 800 m, epifítica na mata, rara. Distribuição geográfica: América tropical, Brasil (até Rio Grande do Sul), Argentina. 22. Polypodium L. 1. P. chnoophorum Kze. Jatiboca, 800 m, terrestre na mata úmida (n.° 56.752), rara. Distribuição geográfica: Brasil aust. (Espírito Santo até Rio Grande do Sul), Paraguai, Argentina. 2. P. fraxinifolium Jacq. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifítica na mata úmida, não muito freqüente (n.° 56.751) . Distribuição geográfica: América Central, Perú, Brasil (até Santa Catarina) . \ 3. P. fulgens Hieron. Alto Limoeiro-Jatiboca, 800 m, epifítica, rara (n.° 56.754) . Distribuição geográfica: América tropical, Brasil (Espí- rito Santo — São Paulo) . 4. P. Lindbergii Mett. Jatiboca, 600 m, epifítica na mata, não freqüente (n.° 56.747). SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 50 — Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo até Rio Grande do Sul), Argentina. 5. P. paradiseae Lgsd. & Fisch. Alto Limoeiro, 900 m, epifítica na mata, não muito fre- qüente (n.° 56.756) . Distribuição geográfica: América tropical, Brasil (até Rio Grande do Sul), Argentina. 6. P. paradiseae Lagsd. & Fisch. var. robustum (Fée.) Brade Jatiboca, 700 m, terrestre na mata úmida, não freqüente (n.° 56.746) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, São Paulo) . 7. P. pectinatum L. Alto Limoeiro, 900 m, epifítica na mata, rara (n.° 56.755) . Distribuição geográfica: América tropical, Brasil (até Rio Grande do Sul) . 8. P. recurvatum Klf. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifítica na mata, não freqüente (n.° 56.749) . Distribuição geográfica: Antilhas, Equador, Brasil e Ar- gentina . 9. P. repens Aubl. Jatiboca, epifítica na mata, não freqüente, 800 m (n.° 56.753). SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 51 — Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até Rio Grande do Sul) . 10. P. suspensum L. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifítica na mata, nos troncos de Cyatheaceae, rara (n.° 56.750). Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 23. Eschatogramma Trevisan 1. E. furcata (L.) C. Chr. Jatiboca, 700 m, epifítica na mata, rara (n.° 56.740) . Distribuição geográfica: Antilhas, América Central até Brasil (até São Paulo) . 24. Elaphoglossum Schott 1. E. flaccidum (Fée) Moore. s Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifítica na mata (n.° 56.718) , rara. Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 2. E. hymenodiastrum (Fée) Brade n. comb. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, terestre na mata, rara (n.° 56.717) . Distribuição geográfica: Brasil (Espírito Santo, Estado do Rio) . í SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 52 — 3. E. ornatum (Mett.) C. Chr. Alto Limoeiro, epifítica na mata, 900 m, não muito fre- qüente (n.° 56.716) . Distribuição geográfica: América austr. tropical (Brasil até Paraná) . 4. E. villosum (Sw.) J. Sm. var. Plumieri (Fée.) C. Chr. Alto Limoeiro-Santa Maria, 900 m, epifítica na mata úmida, rara (n.° 56.715) . Distribuição geográfica: América tropical (Brasil até São Paulo) . 2 3 4 SciELO/JBRJ ESTAMPA 1 X Anemia eepirito-santensis Brade SciELO/JBRJ ESTAMPA 2 N.° 18 481 Anemia collina Raddi N.° 56 918 Anemia tenella (Cav.) Sw. SciELO/JBRJ ESTAMPA 3 Polybotrya espírlto-santensis Brade ESTAMPA 4 jihlihlililililuiiihliíilili ^ilililililililmiililililih lu iihllllllllliljilil ill jlIlIJlWjlllljllHjl ;ljH^llli|lihjllt;j:M |., !j,r. 7 ^ r: ijüj ' ijlli. N | i'll|ii|||l|H|llll|[l)l|j1- . }.B 56785. Fig. 1. Fig. 2. Fig. 3. Fig. 4. Polybotrya espírito-santensls Brade Dryopteris prionltes (Kze.) c. Chr var Dryopteris prionites (Kze.) C. Chr var Dryopteris caudata (Raddi) C. Chr denticulata (Fée) C. pseudocaudata Brade Chr. NOVA APOCYNACEAE DO BRASIL DAVID AZAMBUJA Da Secção de Tecnologia do Serviço Florestai INTRODUÇÃO Quando estudamos os gêneros da família Apocynaceae, cujo resultado foi a monografia “Contribuição ao conheci- mento das Apocynaceae encontradas no Brasil”, determi- namos inúmeras espécies, das quais, algumas, ainda não haviam sido encontradas no Brasil . O presente trabalho tem por finalidade o estudo dessas espécies, pois verificamos que as diagnoses existentes são insuficientes, ou por não haver a descrição do fruto ou porque as diversas dimensões diferem das do material que possuímos. Incluímos, também, a espécie Stemmadenia grandiflora, cujo gênero não era citado como ocorrendo no Brasil, até a apresentação de (1) . A — Gênero Mandevilla Lindl. Secção Montanae Woodson. 1 — Mandevilla Pentlandiana (A.DC.) Woodson, Ann. Mo. Bot. Gard. 20:671 (1933) SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 58 — Sinonímia: Parsonsia ? bracteata (Hook. et Arn.) (1834); Laseguea Pentlandiana A.DC. (1844); Laseguea Hookeri Muell.-Arg. (1860); Laseguea bracteata (Hook. et Arn.) K.Sch. (1895); Laseguea Mandoni Britton ex.Rusby (1895) . Lianas subarbustivas, com caule mais ou menos espesso, cilíndrico, de puberulento ou hirtelo a glabro; folhas opos- tas, pecioladas, ovais, de ápice agudo a acuminado, base cordada, de 5-9 cm de comprimento, por 3, 5-6, 5 cm de lar- gura, membranáceas, página superior ligeiramente pilosa e a inferior densamente tomentosa, com 3-4 glândulas fusi- formes na base ventral da nervura principal; pecíolo de 1-1,7 cm * de comprimento (seg. Woodson ,4, pg. 671, de 1,5-4 cm) ; inflorescência lateral ou raramente terminal, ra~ cemosa simples, com um comprimento igual a duas vezes ao das folhas que a subentendem, sustentando inúmeras flores (seg. Woodson, 4, pg. 672, de 15-40 cm) branco-esver- deadas ou cremes, congestas acima da metade do pedún- culo; pedicelos 0,25-0,5 cm de comprimento; bracteas es- treitas, lanceolado-oblongas, pilosas, de 0,9-1,35 cm de com- primento, subfoliáceas; lacínios do cálice estreitos, lanceo- lado-oblongos, de 1,1-1, 4 cm de comprimento, subfoliáceos, puberulentos (seg. Woodson, 4, pg. 672, são glabros ou ligei- ramente papilosos), com escamas indefinidamente distri- buídas; corola tubular hipocrateriforme, de tubo reto, tendo de 0,6-0, 8 cm de comprimento e cêrca de 0,1 cm de diâ- metro na base, com lacínios obliquamente ovados, de 0,25-0,3 cm de comprimento, erectos; estames inseridos acima da metade do tubo da corola, com anteras de 0,5- 0,52 cm de comprimento, côncavas na base; filete densa- mente piloso; ovário oblongo-ovoide de cêrca de 0,15 cm, glabro; estigma 0,3-0,35 de comprimento; disco com 5 lo- bolos, livres ou parcialmente concrescidos, cujo compri- (*) Para maior facilidade de verificação das diferenças entre £J diagnose de Woodson e a nossa, grifamos as principais e seguimos a ordem de descrição da- quele autor. SciELO/JBRJ — 59 — mento ultrapassa ao da metade do ovário, truncado-obo- vóide; folículos não existentes (mas de acordo com Woodson, 4, pg. 672, muitas vezes falcados, contínuos, de puberulento- papilosos a glabros, de 15-20 cm de comprimento; sementes 0,5-0,75 cm de comprimento, com pincel de pelos pálido-es- curo, tendo cêrca de 1,5 cm de comprimento (Fot. n.° 1) . Distribuição geográfica: Bolívia, Argentina e Brasil: R. G. do Sul, Município de Santa Maria, 18-8-936, Dr. Ran n.° 32, J. Botânico do Rio de Janeiro, 43.526. B — Gênero Stemmadenia Benth. Subgênerc Ochrodaphne Woodson. 2 — Stemmadenia grandiflora (Jacq.) Miers, Apoc. SO. Am. 75 (1878); Woodson, Ann. Mo. Bot. Gard. 15:364, pl. 47, fig. 4 (1928); Mgf., Notizblatt, XIV: 151 (1938) . Sinonímia: Tabernaemontana grandiflora Jacq. (1762) . Arbusto ou pequenas árvores; folhas oblongo-elíticas, cunea- das na base, com ápice acuminado, muitas vezes curvo, de 6-9 cm de comprimento (seg. Woodson, 5, pg. 364, de 6-8 cm) , por 2, 5-3, 5 de largura (seg. Woodson, 5, pg. 364, de 3-5 cm), membranáceas, glabras, com pecíolos de 4-5 mm de comprimento (seg. Woodson, 5, pg. 364, de 5-7 mm) ; in- florescência com 2-9 flores (seg. Woodson, 5, pg. 364) ; co- rola hipocrateriforme, branco-amarelada, com tubo cilín- drico, de 3-5,5 cm de comprimento, com 4-5 mm de largura no orifício da garganta, com lacínios desigualmente obo- vados ou dolabriformes, de 1,5-2 cm de comprimento; brac- ISciELO/ JBRJ — 60 — teas 1 ou 2, próximas do cálice, de cêrca do mesmo com- primento, foliáceas, de base truncada; cálice com cêrca de 1/3 do comprimento do tubo da corola, tendo sepalas largas, membranáceas, imbricadas, as 3 interiores mais es- treitadas, de 15-17 mm de comprimento, por 4-5 mm de largura, e as 2 exteriores com 12-15 mm de comprimento e 9-12 mm de largura, possuindo numerosas escamas inde- finidamente dispostas; estames inseridos acima da metade do tubo da corola, com anteras livres, estreitas, de 4-5 mm de comprimento; disco 5 lobado, membranáceo, com cêrca da metade do comprimento do ovário: ovário obovado, de mais ou menos 2 mm de altura, terminando por um estigma cônico, espesso, com anel de base ampliada, 5 lobada; fo- lículos 2, oblongos, agudos no ápice, com 3-3,5 cm de com- primento e 2-3 cm de largura, tendo o cálice persistente. (Fot. n.° 2) . Distribuição geográfica: México, Costa Rica, Panamá, Venezuela, Colômbia, Guianas, Brasil : Amazonas, Serra Mu- rupuzinho, Rio Branco, colhido por A. Ducke, em 6-7-1937, J .Botânico do Rio de Janeiro, 35.160; Amazonas, Bôa Vista, Rio Branco, colhido por J. G. Ktjhlmann, 579, em Julho de 1913, J. Botânico do Rio de Janeiro, 3.649. C — Gênero Plumeria L. 3 — Plumeria aff. Pudica Jacq. As imperfeitas diagnoses existentes desta espécie e o in- completo material que possuimos não nos permitem classi- ficar, com absoluto acerto, o exemplar n.° 35.164 existente no herbário do J. Botânico do Rio de Janeiro. SciELO/JBRJ — 61 — Markgraf classificou-o como Plumeria aff. Pudica Jacq. e nós não alteramos essa determinação pelas razões acima expostas. Cremos, porém, que se trata de uma nova es- pécie; procuraremos resolver êste assunto solicitando mais material ao Dr. Ducke, que foi o coletor. De acordo com a chave de Woodson (3), não foi pos- sivel chegar a um resultado concludente. Eis a parte que nos interessa dessa chave: a — “Corola subinfundibuliforme, com tubo gra- dualmente dilatando-se acima da inserção dos .es- tames e o orifício com cêrca de 2 vezes o diâmetro da base”. aa — “Corola exclusivamente hipocrateriforme, o orifício do tubo quase igual ao diâmetro da base ou levemente estreitado”. O exemplar que possuímos enquadra-se no item a, o que nos leva às divisões: b — “Folhas definidamente pecioladas, de obo- vado-elíticas a oblanceoladas, não panduratas ou « cocleadas; lacínios da corola totalmente contorcidos no botão, majestosamente espiraladas na estivação; Colômbia, Guiana Inglesa”. — P. inodora. bb — “Folhas subsesseis, oboval-ablongas, mais ou menos panduratas ou cocleadas; lacínios da co- rola parcialmente convolutos no botão, longitudi- nalmente na estivação, ou escassamente espirala- das; Venezuela, Martinica” — P. pudica. « Analisando êsses dois itens, verificamos que o material em aprêço não se enquadra, perfeitamente, em nenhum dêles. Suas folhas são definidamente pecioladas, porém a corola não possui lacínios totalmente contorcidos no botão. ISciELO/ JBRJ — 62 — Quanto à forma, se pandurata ou cocleada, não nos é pos- sivel precisar claramente, pois possuimos apenas 2 delas. Woodson (3), também, não apresenta uma diagnose detalhada das espécies que citamos, o que mais dificulta uma apreciação correta. (Fot. n.° 3) . Distribuição geográfica: Colômbia, Venezuela, Marti- nica, Brasil: Amazonas, Serra Grande, Rio Branco, colhido por A. Ducke, em 30-6-1937, J. Botânico do Rio de Janeiro, 35.164. BIBLIOGRAFIA 1 — Azambuja, David de — Contribuição ao conhecimento das Apocynaceae encontradas no Brasil, 75 (1945) — No prelo. 2 — Markgraf, Fk. — Die Amerikanischen Tabernaemontanoi- deen, em Notizblatt, XIV: 151-162 (1938). 3 — Miers, John — In the Apoc. SO. Am. 75-76 (1878) . 4 — Woodson, Robert E. Jr. — Studies in the Apocynaceae, IV, The American Genera of Echitoideae, em Ann. of Mo. Bot. Garden, 20:671-672 (1933). 5 — Woodson, Robert E. Jr. — Studies in the Apocynaceae, II. A Revision of the genus Stemmadenia, em Ann. of Mo. Bot. Garden, 15:364-365 (1928). 6 — Woodson, Robert E. Jr. — Studies in the Apocynaceae, VII: An evoluation of the genera Plumeria L. and Himatanthus Willd, em Ann. of Mo. Bot. Garden, 25:205 (1938). ISciELO/ JBRJ cm 1 .SciELO/ JBRJ FOTOGRAFIA N.° 1 li'andevilla Pentlandiana (A.DC.) Woodson FOTOGRAFIA N.° 2 Stemmadenla grandiflora (Jacq.) Miers. SciELO/JBRJ SciELO/JBRJ cm 1 Plumeria aíf. pudica Jacq. FOTOGRAFIA N.° 3 cm .. CHAVE PARA A DETERMINAÇÃO DE GÊNEROS INDÍGENOS E EXÓTICOS DAS COMPOSITAE NO BRASIL GRAZIELA MACIEL BARROSO Da Secção de Botânica Sistemática INTRODUÇÃO Depois de estudarmos algum tempo a família Compo- sitae — quer consultando a mais recente bibliografia a respeito, quer examinando todo o material existente no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro — foi-nos possível apresentar êste modesto trabalho para cuja reali- zação só tivemos a intenção de remover — dentro do pos- súvel — as dificuldades que sua sistemática apresenta. Apelamos, aqui, para quantos se dedicam ao estudo dessa família, que nos auxiliem nesta tarefa, não só criti- cando, construtivamente, o que vamos produzindo, como nos remetendo material para maiores pesquisas. A todos que nos atenderem, o nosso sincero reconhe- cimento . Aos Drs. J. G. Kuhlmann, A. C. Brade e Liberato Joaquim Barroso, respectivamente, Diretor, Chefe da Secção de Botânica Sistemática, do Jardim Botânico, e agrônomo silvicultor, o nosso agradecimento pelo estímulo que nos dispensaram. Ao hábil desenhista do Serviço Florestal Newton Paes Leal, é a quem devemos os desenhos que ilustram êste tra- balho, e os fotos ao esforçado técnico João Barbosa. ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 68 — FAMÍLIA COMPOSITAE (Série Campanulatae ) (chave para a determinação das tribos) 1 Tôdas as corolas liguladas (fig. 8) Cichorieae Sem êsse característico 2 2 Capítulos unissexuais (ovário sem óvu- lo cu anteras sem polen) 3 Sem êsse característico 5 3 Corola das flores femininas filiforme (figs, 15 e 17) ou curto ligulada (fi- gura 16) Astereae Sem êsse característico 4 4 Flores femininas nuas (fig. 28) Heliantheae Sem êsse característico Mutisieae 5 Capítulos com tôdas as flores herma- froditas 6 Sem êsse característico 31 6 Filetes inseridos no fundo da corola . . 7 Sem êsse característico 20 7 Ramos do estilete com pelos (figs. 1, 2) 8 Sem êsse característico 13 8 Papus numeroso comprido e filiforme (fig. 3) 9 Sem êsse característico 10 9 Elementos do papus do verticilo exte- rior mais curtos que os do interior (fig. 33) Vernonieae Sem êsse característico 84 10 Estilete com pelos abaixo do ponto de bifurcação (fig. 1) 85 Sem êsse característico 11 11 Flores amarelas 97 Flores não amarelas 12 12 Receptáculo com páleas (fig. 7) ou cerdas 89 Receptáculo sem páleas 79 ISciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm ± — 69 — 13 Corola das flores marginais, ou tôdas, labiadas (figs. 4, 5) Mutisieae Sem êsse característico 14 14 Papus falta ou de tamanho muito re- duzido (menor que o ovário) — figs. 49, 74, 90 — 15 Sem êsse característico 17 15 Anteras caudadas (figs. 6, 56) 72 Anteras não caudadas 16 16 Tôdas as corolas bialadas (fig. 32) ... Anthemideae Sem êsse característico Heliantheae 17 Anteras caudadas (figs. 6, 56) 73 Anteras não caudadas . 18 18 Ramos do estilete longos, claviformes (fig. 20) 106 Sem êsse característico 19 19 Brácteas involucrais de ápice espinho- so ou terminando em gancho (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico 98 20 Ramos do estilete de ápice agudo (fig. 1) 21 Sem êsse característico 25 21 Flores amarelas 100 Flores não amarelas 22 22 Estitele com pelos abaixo do ponto de bifurcação (fig. 1) 82 Sem êsse característico 23 23 Folhas ou brácteas involucrais, ou am- bas, com glândulas (figs. 26, 27) Helenieae Sem êsse característico 24 24 Receptáculo com páleas (fig. 7) Heliantheae Receptáculo sem páleas Senecioneae 25 Anteras caudadas (figs. 6, 56) 81 Anteras não caudadas 26 26 Tôdas as flores labiadas (figs. 4, 5) . . Mutisieae Sem êsse característico 27 27 Folhas armadas : Cynareae Folhas inermes 28 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. — 70 — 28 Brácteas involucrais espinhosas ou com apêndice no ápice (íigs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico 29 29 Ramos do estilete longos, subulados (fig. 20) Eupatorieae Sem êsse característico 30 30 Receptáculo com páleas (fig. 7) Heliantheae Sem êsse característico ' 96 31 Anteras caudadas (figs. 6, 56) 32 Anteras não caudadas 34 32 Corola das flores femininas filiforme (figs. 15, 17) Inuleae Sem êsse característico 33 33 Brácteas involucrias espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico 92 34 Receptáculo com páleas ou cerdoso (fig. 7) 35 Sem êsse característico 38 35 Papus das flores centrais falta ou de comprimento muito reduzido (menor que o ovário) 36 Sem êsse característico 69 36 Flores marginais neutras, isto é, sem óvulo ou com anteras sem polen 37 Sem êsse característico 65 37 Lígulas (fig. 8) alvas Anthemideae Lígulas não alvas Heliantheae 38 Ramos do estilete das flores femininas, ou de tôdas, cobertos de pelos (figs. 1, 2) 39 Sem êsse característico 49 39 Corola das flores marginais filiforme (figs. 15, 17) 40 Sem êsse característico 42 40 Tôdas as flores femininas férteis (com óvulo) 41 Sem êsse característico 71 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm — 71 — 41 Brácteas involucrais dispostas em uma só série (figs. 27, 29) Senecioneae Brácteas involucrais dispostas em mais de uma série (figs. 12, 38, 59, 61) Astereae 42 Folhas com glândulas (ver na página inferior) Helenieae Folhas sem glândulas 43 43 Folhas alternas, espiraladas ou rosu- ladas 44 Folhas opostas ou verticiladas 47 44 Folhas profundamente partidas, pare- cendo, às vezes, folhas compostas ... 45 Sem êsse característico 46 45 Papus filiforme (fig. 3) Senecioneae Papus não filiforme Helenieae 46 Brácteas involucrais dispostas em uma só série (figs. 27, 29) Senecioneae Brácteas involucrais dispostas em mais de uma série (figs. 12, 38, 59, 61) .... Astereae 47 Flores femininas centrais férteis (com óvulo) 48 Sem êsse característico Heliantheae 48 Aquênio com papus Helenieae Aquênio sem papus Heliantheae 49 Papus das flores centrais, ou de tôdas, falta ou de comprimento muito redu- zido (menor que o ovário) 50 Sem êsse característico 53 50 Brácteas involucrais de ápice e mar- gens membranáceos 52 Sem êsse característico 51 51 Estilete das flores hermafroditas dila- tado na parte superior (fig. 18) Arctotideae Sem êsse característico 75 52 Aquênios curvos, com o dorso murica- do (fig. 19) Calenduleae Sem êsse característico 70 53 Ramos do estilete com um pincel de pelos no ápice (fig. 10) 54 Sem êsse característico 58 ISciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 72 — 54 Tôdas as corolas tubulosas (fig. 11) . . 55 Sem êsse característico 56 55 Corola das flores femininas filiforme (figs. 15, 17) Astereae Sem êsse característico Cynareae 56 Brácteas involucrais em uma só série (figs. 27, 29) 57 Brácteas involucrais em mais de uma série (figs. 12, 38, 59, 61) 76 57 Papus formado de escamas ou cerdas (figs. 13, 14) Helenieae Papus filiforme (fig. 3) Senecioneae 58 Tôdas as corolas tubulosas (fig. 11) .. 59 Sem êsse característico • 61 59 Brácteas involucrais (fig. 12) paleá- ceas, em mais de duas séries, alvas cu coloridas Inuleae Sem êsse característico 60 60 Corola das flores marginais filiforme (figs. 15, 17) Astereae Sem êsse característico Cynareae 61 Ramos do estilete das flores centrais, planos em forma de fita (fig. 9) Astereae Sem êsse característico 62 62 Tôdas as flores labiadas (figs. 4, 5) . . Mutisieae Sem êsse característico 63 63 Brácteas involucrais (fig. 12) paleá- ceas, em mais de duas séries, alvas ou coloridas Inuleae Sem êsse característico 64 64 Estilete das flores hermafroditas es- pessado na parte superior (fig. 18) ... Arctotoideae Sem êsse característico Helenieae 65 Tôdas as flores alvas ' 66 Sem êsse característico Heliantheae 66 Lígulas (fig. 8 ) até 15 milímetros de comprimento ou faltam 67 Lígulas além de 15 milímetros de com- primento Heliantheae !scíelo/jbrj — 73 — 67 Brácteas do invólucro de ápice e mar- gens escariosos • 68 Sem êsse característico .... ... Heliantheae 68 Folhas profundo partidas, parecendo, às vezes, folhas compostas Anthemideae Sem êsse característico Heliantheae 69 Papus membranáceo, terminando em longa arista (fig. 13) Helenieae Sem êsse característico 74 70 Estilete das flores hermafroditas dila- tado na parte superior (fig. 18) Arctotoideae Sem êsse característico Anthemideae 71 Brácteas involucrais foliáceas, cobrin- do os botões florais (figs. 25, 53) Heliantheae Sem êsse característico Astereae 72 Brácteas involucrais (fig. 12) paleá- ceas, em mais de duas séries, alvas ou coloridas Inuleae Sem êsse característico 80 73 Brácteas involucrais (fig. 12) paleá- ceas, em mais de duas séries, alvas ou coloridas Inuleae Sem êsse característico 88 74 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Heliantheae 75 Flores marginais filiformes (figs. 15, 17) Inuleae Sem êsse característico Heliantheae 76 Papus de pelos AStereae Papus 'de páleas ou escamas 77 77 Papus de páleas ou de escamas livres entre si 78 Papus de páleas ou de escamas con- crescidas Anthemideae 78 Escamas ou páleas aristadas (fig. 13) . . Helenieae Sem êsse característico Astereae 79 Ramos do estilete de ápice agudo 87 Ramos do estilete de ápice obtuso Eupatorieae SciELO/JBRJ — 74 — 80 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Mutisieae 81 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Mutisieae 82 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) 83 Sem êsse característico Vernonieae 83 Ramos do estilete concrescidos, apenas levemente livres no ápice Cynareae Sem êsse característico Vernonieae 84 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico 95 85 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) 86 Sem êsse característico 93 86 Ramos do estilete concrescidos, apenas levemente livres no ápice Cynareae Sem êsse característico Vernonieae 87 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nulatías ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Vernonieae 88 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Mutisieae 89 Papus membranáceo, terminando em longa arista (fig. 13) Helenieae Sem êsse característico 90 90 Flores bilabiadas (figs. 4, 5) Mutisieae Flores não bilabiadas 91 91 Brácteas involucrais espinhosas, laci- nuladas ou apendiculadas no ápice SciELO/JBRJ cm — 75 — (figs. 21, 22, 23, 24) Cynareae Sem êsse característico Heliantheae 92 Papus membranáceo ou terminando em longa arista (fig. 13) Helenieae Sem êsse característico 101 93 Receptáculo paleáceo (íig. 7) Heliantheae Receptáculo não paleáceo 94 94 Capítulos com uma só flor; brácteas involucrais concrescidas (fig. 72) Heliantheae Sem êsse característico Vernonieae 95 Estilete com pelos abaixo do ponto de bifurcação (fig. 1) 105 Sem êsse característico 104 96 Papus filiforme Senecioneae Papus paleáceo (fig. 13) Helenieae 97 Receptáculo com páleas (fig. 7) .'. Heliantheae Receptáculo sem páleas Helenieae 98 Receptáculo com páleas (fig. 7) Heliantheae Receptáculo sem páleas 99 99 Brácteas involucrais com glândulas (fi- gura 376) Helenieae Sem êsse característico Senecioneae 100 Anteras caudadas (figs. 355, 405) Inuleae Sem êsse característico 103 101 Aquênio curvo (fig. 368) Calenduleae Sem êsse característico 102 102 Papus presente Mutisieae Papus nulo Calenduleae 103 Receptáculo com páleas (fig. 356) Heliantheae Receptáculo sem páleas Helenieae 104 Brácteas involucrais e folhas com glân- dulas Helenieae Sem o conjunto dêsses caracteres Senecioneae 105 Brácteas involucrais e folhas com glân- dulas Helenieae Sem o conjunto dêsses caracteres Vernonieae 106 Brácteas involucrais e folhas com glân- dulas Helenieae Sem o conjunto dêsses caracteres Eupatorieae SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 76 — TRIBO VERNONIEAE Gêneros 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Flores marginais liguladas (fig. 8) . . Stokesia (X) Sem êsse característico 2 Capítulos de capítulos (figs. 58, 59) . . 25 Sem êsse característico 3 Invólucro duplo (fig. 82) 4 Invólucro simples 8 Capítulos sésseis 7 Capítulos pedunculados 5 Papus nulo ou caduco no aquênio 6 Sem êsse característico Vernonia Invólucro interno (verdadeiro invólu- cro) com brácteas apendiculadas no ápice (fig. 60) Centratherum Sem êsse característico 44 Tôda a planta densamente lanuginosa (foto A) ; ápice do aquênio sem co- roazinha cartiloginosa) Sipolisia Tôda a planta denso alvo-tomentosa (foto B) ; aquênio com uma coroazi- nha cartilaginosa (fig. 90) Heterocoma Fruto 3-4 anguloso, glanduloso entre os ângulos (fig. 63) 9 Sem o conjunto dêsses caracteres 10 Ápice do aquênio com um anel carti- laginoso (fig. 86) Struchium = Sparganopho- rus Sem êsse característico Ethulia (X) Até 10 flores em cada capítulo 20 Mais de 10 flores em cada capítulo . . 11 Receptáculo alveolado (fig. 62) 12 Sem êsse característico 15 Papus de pelos (figs. 3, 5, 34, 35) Sem êsse característico \ Papus uniseriado (fig. 50) Papus biseriado 14 13 Proteopsis Stilpnopappus SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 11 — 14 Brácteas involucrais concrescidas na ■base (fig. 61) Albertinia Sem êsse característico Vernonia 15 Anteras caudadas (fig. 6) ; brácteas involucrais caducíssimas ' Piptocarpha Sem o conjunto dêsses caracteres 16 16 Papus de escamas (figs. 49, 50) ou pá- leas 17 Sem êsse característico 18 17 Brácteas involucrais exteriores arista- das (fig. 60) Proteopsis Sem êsse característico Piptolepsis 18 Papus uniseriado 19 Papus biseriado Vernonia i 19 Folhas de margem inteira até 3 cen- tímetros de largura Piptolepsis Sem o conjunto dêsses caracteres Pacourina 20 Papus de cerdas (figs. 14, 64) ou de pelos (figs. 3, 5, 34, 35) '21 Sem êsse característico 24 21 Papus uniseriado (figs. 3, 4, 5, 13, 14, 47, 50) 22 Papus bi ou mais seriado (fig. 33) . . . 23 22 Anteras caudadas (fig. 6) ; brácteas in- volucrais caducíssimas Piptocarpha Sem o conjunto dêsses caracteres Blanchetia 23 Até 5 flores em cada capítulo 42 Mais de 5 flores em cada capítulo Vernonia 24 Até 4 flores em cada capítulo Oliganthes Mais de 4 flores em cada capítulo 43 25 Glomérulos pedunculados 26 Glomérulos sésseis 32 20 Caule alado; folhas decurrentes Goroeixia Sem o conjunto dêsses caracteres 27 21 Folhas além de 20 centímetros de com- primento, profundo partidas Pithecoseris Sem o conjunto dêsses caracteres 28 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 78 — 28 Até 5 cerdas no aquênio, dilatadas na base (fig. 87) Elephantopus Sem êsse característico 29 29 Até 5 flores em cada capítulo 30 Mais de 5 flores em cada capítulo 47 30 Papus caduco 31 Papus persistente Eremanthus 31 Ervas; glomerulos solitários (foto C).. Glaziovianthus (1) Sem o conjunto dêsses caracteres Vanillosmopsis 32 Aquênios biformes Lychnophoriopsis Aquênios uniformes 33 33 Papus biseriado (fig. 33) 34 Papus uniseriado 36 34 Folhas pecioladas Chronopappus Folhas sésseis 35 35 Peças internas do papus caducas Peças internas do papus persistentes . . 46 Eremanthus 36 Papus de cerdas (figs. 14, 64) Sem êsse característico 37 Até duas flores em cada capítulo iMais de duas flores em cada capítulo 38 Só duas brácteas involucrais, sendo a interior aristada; papus formado por uma corôa de escamas irregularmente denteada no ápice (fig. 88) Sem o conjunto dêsses caracteres 39 Papus formado por um anel cartilagi- noso (fig. 86) ; capítulos axilares Sem o conjunto dêsses caracteres 40 Até 5 cerdas no papus (figs. 87, 89) . . Mais de 5 cerdas no papus 41 Duas cerdas do papus, ou tôdas, pli- cada ou contorcidas no ápice (fig. 89) ; glomérulos dispostos em espigas Sem o conjunto dêsses caracteres 40 37 38 39 Rolandra Haplostephium Struchium = Sparganopho- rus 45 41 Orthopappus Pseudolephantopus Elephanthopus 42 Papus caduco no aquênio Vanillosmopsis Papus persistente no aquênio Vernonia ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 79 — 43 Aquênios densamente pilosos Stilpnopappus Aquênois glabros ou quase glabros Piptolepsis .44 Papus nulo Oiospermum Sem êsse característico Centratherum 45 Capítulos axilares; papus menor que o aquênio (figs. 49, 74) Capítulos terminais; papus maior que Telmatophila o aquênio Soaresia 46 Ervas Elephantopus Nunca ervas Lychnophcra 47 Até 12 flores em cada capítulo Eremanihus Mais de 12 flores em cada capítulo Vemonia TRIBO EUPATORIEAE Gêneros 1 Apice da antera apendiculado (fig. 56) 4 Sem êsse característico 2 2 Até 10 flores em cada capítulo; aquê- *' nio não glanduloso Ophyrosporus Sem o conjunto dêsses caracteres 3 3 Papus constituído de 3 a 5 glândulas (fig. 65) Adenostemma Sem êsse característico Gymnocoronis ' 4 Até 7 estrias no aquênio 5 Mais de 7 estrias no aquênio 25 5 Papus nulo 6 Papus presente 7 6 Até 10 flores em cada capítulo Planaltoa Mais de 10 flores em cada capítulo . . 26 ; 7 Até 5 flores em cada capítulo 8 Mais de 5 flores em cada capítulo 12 8 Papus concrescido na base; folhas co- riáceas Symphyopappus Sem o conjunto dêsses caracteres .... 9 9 Brácteas involucrais em uma só série (figs. 27, 29) 10 .SciELO/ JBRJ ^ 12 13 x 4 15 cm .. — 80 — Brácteas involucrais em mais de uma série (íigs. 12, 38, 39, 61) 11 10 Até 4 brácteas no invólucro Mikania Mais de 4 brácteas no invólucro Stevia 11 Papus caduco Leptoclinium Papus persistente Eupatorium 12 Parte superior da corola expandida (fig. 66) Trichogonia Sem êsse característico 13 13 Até 10 flores em cada capítulo 14 Mais de 10 flores em cada capitulo . . 16 14 Papus do tamanho ou maior que a co- rola 15 Sem êsse característico Eupatoriopsis 15 Elementos do papus de tamanhos desi- guais (fig. 73) Dissothrix Sem êsse característico Eupatorium 16 Papus formado de pelos (figs. 3, 5, 34, 35) 22 Sem êsse característico 17 17 Escamas do papus obtusas, imbricadas (fig. 74) Carelia Sem êsse característico 18 18 Papus coroniforme (figs. 69, 75) 19 Sem êsse característico 20 19 Dentes do papus iguais entre si; folhas não partidas Ageratum Dentes do papus desiguais; folhas par- tidas Lomatozoma 20 Até 20 páleas no papus 21 Mais de 20 páleas no papus Agrianthus 21 Folhas até 5 milímetros de largura, co- riáceas Agrianthus Sem o conjunto dêsses caracteres Ageratum 22 Papus do tamanho ou maior que a co- rola Eupatorium Sem êsse característico 23 23 Ramos do estilete pilosos Stylotrichium Sem êsse característico 24 ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 81 — 24 Papus plumoso (fig. 4) ; aquênio com- primido lateralmente Eupatoriopsis Sem o conjunto dêsses caracteres Neomattfeldea = Arrojadoa 25 Até 4 brácteas involucrais em cada ca- pítulo Kanimia Mais de 4 brácteas involucrais em cada .. capítulo Brickelia 26 Corola expandida na parte superior (fig. 66) Trichogonia Sem êsse característico Alomia TRIBO ASTEREAE Gêneros 1 Capítulos unissexuais (ovário sem óvu- lo ou anteras sem polen) 5 Sem êsse característico 2 2 Flores do disco férteis (com óvulo) . . . 6 Flores do disco estéreis (sem óvulo) . . 3 3 Flores marginais com a corola tubulosa filiforme (figs. 15, 17) Baccharidastrum Sem êsse característico 4 4 Capítulos solitários 15 Capítulos não solitários 16 5 Receptáculo dos capítulos femininos com páleas (fig. 7) 22 Sem êsse característico Baccharis 6 Aquênios rostrados (fig. 34) 21 Aquênios não rostrados 7 7 Papus em duas séries (fig. 33) Hysterionica Papus falta ou em uma só série 8 8 Folhas partidas de segmentos rígidos, espinescentes ou aguçados Sommerfeltia Sem êsse característico 9 9 Ápice do aquênio com um anel carti- laginoso, denteado (fig. 69) Egletes Sem êsse característico 10 4 SciELO/JBRJ ^ 12 13 10 Folhas trifurcadas Vittadinia Sem êsse característico 11 11 Papus íormado de páleas ou cerdas rí- gidas (figs. 13, 14, 50, 64) 12 Papus íormado de pelos filiformes (fig. 3) 13 12 Papus caduco no aquênio Grindelia Papus persistente no aquênio Gutierrezia 13 Flores marginais femininas filiformes (fig. 15) Erigeron Sem êsse característico 14 14 Flores marginais faltam ou, quando presentes, em uma ou duas séries 18 Flores marginais em mais de duas sé- ries .• Erigeron 15 Folhas partidas de segmentos rígidos, espinescentes ou aguçados Sommerfeltia Sem êsse característico 17 16 Folhas partidas de segmentos rigidos, espinescentes ou aguçados Sommerfeltia Sem êsse característico Heterothalamus 17 Fôíhas radicais ou rosuladas; capitulos longe pedunculados Inulopsis Sem o conjunto dêsses caracteres Heterothalamus 18 Lígulas (fig. 8) presentes — 19 Lígulas faltam Aster 19 Lígulas (fig. 8) violáceas ou alvas Aster Lígulas não violáceas e nem alvas 20 20 Capítulos solitários; cada capítulo com 80 ou mais flores liguladas; invólucro denso piloso Asteropsis Sem o conunto dêsses caracteres 23 21 Lígulas (fig. 8) até 5 milímetros de comprimento Podocoma Lígulas além de 5 milímetros de com- primento Asteropsis 22 Capítulos com tôdas as flores mas- culinas Pseudobaccharis Sem êsse característico Heterothalamus SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 — 83 — 23 Aquênio com as margens espessadas (fig. 35) Aster Sem êsse característico 24 24 Capítulos numerosos (além de 20) dis- postos em panícula Solidago Sem o conjunto dêsses caracteres Podocoma TRIBO INULEAE Gêneros • 1 Receptáculo paleáceo (íig. 7) 25 Receptáculo não paleáceo 2 2 Anteras quatro; uma das anteras dl- ferente das outras (fig. 71) Stuckertiella (X) Sem o conjunto dêsses caracteres 3 3 Aquênio rostrado (fig. 34) Chevreulia Aquênio não rostrado 4 4 Tôdas as flores hermafroditas 5 ' Sem êsse característico 7 5 Até 15 flores em cada capítulo 6 Mais de 15 flores em cada capítulo . . . 27 6 Até 6 flores em cada capítulo Stenocline > Mais de 6 flores em cada capítulo Leucopholis 7 Invólucro até 15 milímetros de diâ- metro Invólucro além de 15 milímetros de 10 diâmetro 8 8 Caule alado; folhas decurrentes Stenachenium Sem o conjunto dêsses caracteres 9 9 Brácteas involucrais pilosas Stenachenium Sem êsse característico • Helichrysum (X) 10 Papus plumoso (fig. 4) 11 Papus não plumoso 12 11 Papus em uma série Papus em duas séries, sendo a exterior constituida de 8 a 12 pelos cirrosos no Facelis ápice (fig. 77) Berroa SciELO/ JBRJ ^ 12 13 ^ cm .. — 84 — 12 Até 6 flores em cada capitulo 13 Mais de 6 flores em cada capítulo 15 13 Cada capítulo com uma ou duas flores hermafroditas 14 Cada capítulo com mais de duas flores hermafroditas Stenoclyne 14 Brácteas involucrais alvas Leucopholis Brácteas involucrais não alvas Achyrocline 15 Até 10 flores marginais femininas em cada capítulo 16 Mais de 10 flores marginais femininas em cada capítulo 19 16 Até 20 flores em cada capítulo 17 Mais de 20 flores em cada capítulo . . Chionolaena 17 Ramos fastigiados; folhas até dois mi- límetros de largura; papus além de quatro milímetros de comprimento ... Oligandra Sem o conjunto dêsses caracteres 18 18 Cada capítulo com uma ou duas flores femininas Leucopholis Cada capítulo com mais de duas flores femininas Chionolaena 19 Caule alado 20 Caule não alado 21 20 .Capítulos dispostos em espiga Pterocaulon Capítulos não dispostos em espiga 24 21 Capítulos solitários ou aos pares Lucilia Sem êsse característico 22 22 Até 25 flores centrais em cada capítulo 23 Mais de 25 flores centrais em cada ca- pítulo Pluchea 23 Ervas; flores centrais hermafroditas . . Gnaphalium Nunca ervas; flores centrais masculinas Tessaria 24 Papus presente Pluchea Papus nulo Epaltes 25 Folhas cordiformes Buphthalmum (X) Folhas não cordiformes 26 26 Até 10 flores hermafroditas em cada capítulo Micropsis ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 85 — Mais de 10 flores hermafroditas em cada capítulo Ammobium (X) 27 Folhas até 5 milímetros de largura . . . Folhas além de 5 milímetros de largura Chionolaena Helichrysum (X) TRIBO HELIANTHEAE Gêneros 1 Capítulos unissexuais (ovário sem óvu- lo ou anteras sem polen) Sem êsse característico 2 4 2 Flores femininas nuas Sem êsse característico 3 Podanthus 3 Invólucro dos capítulos das flores fe- mininas muricado (fig. 76) ou espi- nhoso Sem êsse característico Xanthium Ambrosia 4 Até 10 flores em cada capítulo Mais de 10 flores em cada capítulo . . . 5 16 5 Cada capítulo com uma só flor; brác- teas involucrais concrescidas (fig. 72) Sem o conjunto dêsses caracteres Lagascea 6 6 Até 3 flores em cada capítulo; uma das brácteas involucrais cordiforme-arre- dondada (fig. 25) Sem o conjunto dêsses caracteres El vira 7 7 Até 4 brácteas involucrais, coriáceas . . Sem o conjunto dêsses caracteres Riencourtia 8 8 Capítulos solitários, no ápice dos ra- mos; duas das brácteas involucrais ar- redondadas (fig. 53) Sem o conjunto dêsses caracteres Staurochlamys 9 9 Tôdas as corolas tubulosas (fig. 11) . . Sem êsse característico 10 11 10 Tôdas as flores férteis (com óvulo) . . Sem êsse característico Calea Clibadium 11 Até 3 flores femininas em cada capí- tulo; lígula até meio milímetro de 2 3 4 SciELO/JBRJ cm .. — 86 — comprimento Greenmania Sem o conjunto dêsses caracteres 12 12 Aquênios diformes (figs. 78, 79) Synedrella Sem ês se característico 13 13 Tôdas as flores férteis (com óvulo) . . 14 Sem êsse característico Baltimora 14 Papus aristado (fig. 40) ou nulo 15 Papus paleáceo (figs. 49, 50) Calea 15 Papus nulo Monactis Papus presente Blainvillea 16 Até 12 flores em cada capítulo 17 Mais de 12 flores em cada capítulo .... 23 17 Capítulos com flores liguladas (fig. 8) 18 Sem êsse característico- 21 18 Aquênios biformes (figs. 78, 79) Synedrella Sem êsse característico 19 19 Papus de páleas lineares de 4 a mais milímetros de comprimento Calea Sem êsse característico 20 20 Papus com duas a três aristas (fig. 40) Blainvillea Sem êsse característico Eleutheranthera 21 Tôdas as flores férteis (com óvulo) ... 22 Sem êsse característico Clibadium 22 Papus de páleas lineares de 4 ou mais milímetros de comprimento Calea Sem o conjunto dêsses caracteres Eleutheranthera 23 Tôdas as flores férteis (com óvulo) .. 41 Sem êsse característico 24 24 Só as flores marginais férteis (com óvulo) .' 25 Só as flores centrais férteis (com óvulo) 30 25 Tôdas as corolas tubulosas (fig. 11) . . Icthyothere Sem êsse característico 26 26 Aquênio unido às páleas que envolvem as flores masculinas por meio de fila- mentos que se desprendem de sua mar- ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm — 87 — gem (fig. 80) Parthenium Sem êsse característico 27 27 Aquênios truncados no ápice (fig. 48) Melampodium Aquênios não truncados no ápice 28 28 Aquênios muricados (fig. 81) Acanthospermum Sem êsse característico 29 29 Até 10 flores liguladas (fig. 8) em cada capitulo Baltimora Mais de 10 flores liguladas em cada ca- pítulo Polymnia 30 Aquênios alados (figs. 42, 45) 31 Aquênios não alados 32 31 Invólucro duplo (fig. 82) ; aquênio com duas aristas largas, sem corôa de es- camas intermediárias Dimerostemma Sem o conjunto dêsses caracteres Oyedea 32 Papus paleáceo (figs. 49, 50) ou de es- camas 33 Papus aristado (figs. 40, 42) ou nulo ; . 35 33 Páleas ou escamas de papus livres en- tre si 34 Páleas ou escamas do papus concres- cidas 80 34 Até duas páleas ou escamas no papus 67 Mais de duas páleas ou escamas no papus 83 35 Aquênio rostrado (fig. 34) Cosmos Aquênio não rostrado 36 36 Brácteas involucrais interiores concres- cidas 72 Tôdas as brácteas involucrais livres en- tre si 37 37 Aristas do papus persistentes 38 Aristas do papus faltam ou caducas . . 39 38 Aristas com farpas (fig. 40) Bidens Aristas sem farpas 66 39 Lígulas faltam ou até 15 flores ligu- ladas (fig. 8) em cada capítulo 40 Mais de 15 flores liguladas em cada capítulo Helianthus (X) SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 88 — 40 Receptáculo cônico ou cilíndrico (figs. 67, 91) Rudbeckia Sem êsse característico 81 41 Brácteas involucrais interiores envol- vendo o aquênio (íig. 43) 42 Sem êsse característico 44 42 Brácteas involucrais com pelos glandu- líferos (íig. 57) Siegesbeckia Sem êsse característico 43 43 Tubo da corola exteriormente piloso na base (íig. 84) ; capítulos pedunculados Jaegeria Sem o conjunto dêsses caracteres Enhydra 44 Páleas do receptáculo planas, estreitas, lineares (íig. 46) Eclipta Sem êsse característico 45 45 Capítulos com uma ou mais séries de flores liguladas (íig. 8 ) 46 Sem êsse característico 59 46 Aquênios marginais, ou todos, alados (figs. 42, 45) 47 Aquênios não alados 49 47 Papus com uma coroazinha de escamas entre as aristas (fig. 45) Zexmenia Sem êsse característico 48 48 Aquênios biformes (figs. 78, 79) 102 Aquênios uniformes Verbesina 49 Lígulas (fig. 8 ) escariosas, persistentes no aquênio; ápice das páleas dilatado e fimbriado (fig. 52) Zinnia Sem o conjunto dêsses caracteres 50 50 Margem dos aquênios ciliada (fig. 51) 75 Sem êsse característico 51 51 Papus nulo 52 Papus presente 53 52 Aquênios biformes (figs. 78, 79) Chrysanthellum Sem êsse característico 69 53 Ramos do estilete longos, subulados (fig. 20) Isostigma Sem êsse característico 54 .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm — 89 — 54 Papus bi ou tri aristado (fig. 42) ou bidenteado 71 Sem. êsse característico 55 55 Papus de escamas ou de aristas plumo- sas ou, ainda, ciliadas (figs. 4, 47) ... 56 Sem êsse característico 57 56 Aquênios marginais sem papus Galinsoga Aquênios marginais com papus Tridax 57 Elementos do papus concrescidos na base (lig. 49) 58 Sem êsse característico Calea 58 Base do aquênio contraída em estipe . . Sphagneticola Sem êsse característico Wedelia 59 Aquênios alados (fig. 45) 100 Aquênios não alados 60 60 Papus de escamas ou aristas plumosas, ciliadas ou farpadas (figs. 4, 40, 47) . . 73 Sem êsse característico 61 61 Aquênios ciliados nas margens (fig. 51) .76 Sem êsse característico 62 62 Páleas ou aristas do papus desiguais ou nulas 63 Papus ou aristas do papus iguais en- tre si 64 63 Brácteas involucrais em mais de uma série (figs. 12, 38, 39, 59, 61) ; capítulos pedunculados 86 Brácteas involucrais em uma só série; capítulos sésseis Trichospira 64 Aristas do papus em número de duas, muito curtas e filiformes Spilanthes Sem êsse característico 65 65 Ramos do estilete longos, subulados (fig. 20) ; papus aristado 95 Sem o conjunto dêsses caracteres .... 77 66 Aristas livres entre si 68 Aristas concrescidas na base Aspilia 67 Invólucro duplo; brácteas exteriores estreitas ou curtas, herbáceas; brácteas interiores ovais ou oblongas, verde- SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. — 90 — amareladas ou purpúreas Coreopsis (X) Sem o conjunto dêsses caracteres Helianthus (X) 68 Invólucro duplo; brácteas exteriores . estreitas ou curtas, herbáceas; brácteas interiores ovais ou oblongas, verde- amareladas ou purpúreas Coreopsis (X) Sem o conjunto dêsses caracteres 74 69 Folhas proíundo partidas, parecendo Xôlhas compostas Dahlia (X) Sem êsse característico 70 70 Folhas híspidas; receptáculo até dois centímetros de diâmetro 101 Sem o conjunto dêsses caracteres Dahlia (X) 71 Folhas proíundo partidas, ou parecen- do íôlhas compostas 96 Sem êsse característico Spilanthes 72 Segmentos do limbo da íólha estrei- tos, subulados; receptáculo até dois centímetros de diâmetro Thelesperma Sem o conjunto dêsses caracteres Dahlia (X) 73 Brácteas involucrais interiores concres- cidas Thelesperma Sem êsse característico 99 74 Margem do aquênio comprimida e ci- liada (fig. 85) Encelia (X) Sem êsse característico Melanthera 75 Capítulos solitários ou aos pares 97 Sem êsse característico 78 76 Capítulos solitários ou aos pares Spilanthes Sem êsse característico 79 77 Papus paleáceo (íigs. 49, 50) Calea Sem êsse característico 91 78 Receptáculo cônico ou cilíndrico (íigs. 67, 91) Spilanthes Sem êsse característico 98 79 Receptáculo cônico ou cilíndrico (íigs. 67, 91) Spilanthes Sem êsse característico Encelia (X) 80 Receptáculo alto, cónico ou cilíndrico (íigs. 67, 91) Rudbeckia Sem êsse característico 82 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 91 — 81 Pedúnculos inflados na parte superior (fig. 92) Tithonia (X) Sem êsse característico 84 82 Escamas ou páleas do papus muito ru- dimentares (fig. 83) Gymnolomia Sem êsse característico 87 83 Pedúnculos inflados na parte superior (fig. 92) Tithonia (X) Sem êsse característico Viguiera 84 Páleas membranáceas por ocasião da maturação dos frutos (aquênios) 85 Sem êsse característico Montanoa (X) 85 Aquênio carnoso; plantas além de um metro e oitenta centímetros de altura Wulffia Sem o conjunto dêsses caracteres Melanthera 86 Aquênios centrais, ou todos, comprimi- dos lateralmente 88 Sem êsse característico 89 87 Pedúnculos inflados na parte superior (fig. 91) , Tithonia (X) Sem êsse característico 92 88 Aristas do papus com escamas entre si Salmeopsis Sem êsse característico Spilanthes 89 Flores alvas 90 Flores não alvas Melanthera 90 Papus presente, muito caduco, porém, no fruto (aquênio) Melanthera Papus ausente Isocarpha 91 Margem do aquênio comprimida e ci- liada (fig. 85) Encelia (X) Sem êsse característico 94 92 Folhas alternas Viguiera Folhas opostas 93 93 Escamas do papus contraídas na base (fig. 67A) • Aspilia Sem êsse característico Viguiera 94 Aquênios sem papus Melanthera Aquênios com papus Trichospira SciELO/JBRJ 92 — 95 Brácteas involucrais uniseriadas; capí- tulos sésseis Trichospira Sem o conjunto dêsses caracteres Isostigma 96 Aristas do papus farpadas (fig. 40) . . Bidens Sem êsse característico . . Dahlia (X) 97 Aristas do papus farpadas (fig. 40) . . Bidens Sem êsse característico Spilanthes 98 Aquênios com as margens muito com- primidas, parecendo alados (fig. 85) . . Encelia (X) Sem êsse característico Bidens 99 Aristas do papus farpadas (fig. 40) . . Bidens Sem êsse característico Tridax 100 Ala da mesma côr da parte central do aquênio Encelia (X) Ala de côr diferente da parte central do aquênio Verbesina 101 Aquênios com o ápice provido de uma saliência aneliforme (fig. 94) Wedelia Sem êsse característico Wulffia 102 Alas do aquênio recortadas (fig. 79) . . Synedrella Sem êsse característico Chrysanthellum TRIBO HELENIEAE Gêneros 1 Receptáculo cerdoso Gaillardia Receptáculo não cerdoso 2 2 Folhas ou brácteas involucrais, ou am- bas, com glândulas (figs. 26, 27) oleí- feras 3 Sem êsse característico 6 3 Papus cerdoso (fig. 14) 4 Papus escamoso (fig. 13) 5 4 Folhas pectinadas (fig. 70) Pectis Sem êsse característico Porophyllum 5 Papus de 10 escamas, iguais Thymophylla (X) Papus de menos de 10 escamas, desi- guais Tagetes SciELO/JBRJ — 93 — 6 Aquênios com papus 7 Aquênios sem papus Flaveria 7 Até 10 escamas largas no papus (fig. 13) 8 Sem êsse característico 10 8 Até 10 flores em cada capítulo Schkuria Mais de 10 flores em cada capítulo . . 9 9 Brácteas involucrais ovais, obtusas (fig. 38 ^ Hyimenoxys Sem êsse característico Helenium 10 Capítulos solitários Jaumea Capítulos não solitários Geissopappus TRIBO ANTHEM1DEAE Gêneros 1 Receptáculo com páleas (fig. 7 ) 2 Receptáculo sem páleas 3 2 Invólucro até 4 milímetros de diâme- tro; capítulos denso-corimbosos; pá- leas do receptáculo pilosas na parte superior...; Achillea (X) Sem o conjunto dêsses caracteres Anthemis 3 Flores marginais dos capítulos apétalas 4 Sem êsse característico 5 4 Estilete persistente no aquênio (fig. 31) Soliva Sem êsse característico Cotula 5 Flores femininas bilabiadas (fig. 30) . . Plagiocheilus Sem êsse característico 6 6 Flores femininas filiformes (figs. 15, Artemísia Sem êsse característico 7 7 Corola das flores hermafroditas com 4 lacínios Cotula Sem êsse característico 8 8 Brácteas involucrais iguais ou quase iguais entre si, em duas ou três sé- ries: aauênios dorsalmente convexos . . Matricaria (X) Sem o conjunto dêsses caracteres Chrysanthemum (X) SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 94 — TRIBO SENECIONEAE Gêneros 1 Tôdas as flores hermafroditas 3 Sem êsse característico 2 2 Corolas femininas liguladas (fig. 8) .. 5 Sem êsse característico - Erechthites 3 Invólucro com bractéolas (fig. 37) ... Senecio Sem êsse característico 4 4 Flores amarelas 6 Flores não amarelas Emilia (X) 5 Invólucro com bractéolas (fig. 37) Senecio Sem êsse característico 7 6 Folhas alternas, espiraladas, rosuladas ou radicais Ligularia (X) Folhas opostas Arnica (X) 7 Folhas alternas, espiraladas, rosuladas ou radicais Ligularia (X) Folhas opostas Arnica (X) TRIBO CALENDULEAE 1 Aquênios do disco com as margens es- pessas ou aladas (fig. 93) Dimorphotheca (X) Sem êsse característico Calendula (X) TRIBO ARCTOT1DEAE Só um gênero no Brasil Arctotis (X) TRIBO CYNAREAE Gêneros 1 Folhas armadas 2 Folhas inermes 3 2 Filetes livres 4 Filetes concrescidos 9 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 95 — 3 As folhas radicais, ou' tôdas, cordifor- mes; aquênios fixos por uma articula- ção basal Arctium (X) Sem o conjunto dêsses caracteres Centaurea 4 Papus plumoso (fig. 4) 5 Papus não plumoso .. 6 5 Invólucro até 4 centímetros de compri- mento Cirsium (X) Invólucro além de 4 centímetros de comprimento Cynara 6 Aquênios presos pelo dorso (fig. 68) . . 7 Aquênios presos pela base Carduus (X) 7 Papus presente 8 Papus nulo Carthamus (X) 8 Papus constituído de 10 cerdas exte- riores longas e 10 interiores curtas; ápice do aquênio com a margem den- teada (fig. 68) Cnicus (X) Sem o conjunto dêsses caracteres Carthamus (X) 9 Caule alado Onopordon (X) Caule não alado 10 10 Folhas radicais ou rosuladas Onopordon (X) Folhas não radicais nem rosuladas . . Silybum (X) TRIBO MUTISIEAE Gêneros 1 Anteras caudadas (figs. 6, 56) ou fal- tam 2 Anteras não caudadas 9 2 Flores unissexuais, por atrofia do gine- ceu ou androceu (ovário sem óvulo ou anteras faltam ou, ainda, com anteras sem polen) 27 Sem êsse característico 3 3 Tôdas as corolas tubulosas (figs. 3, 11, 54) 4 Sem êsse característico 10 4 Papus plumoso (figs. 4, 54) ; ápice das pétalas piloso (fig. 54) Chuquiragua Sem o conjunto dêsses caracteres 5 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ' — 96 — 5 Papus, ao cair, concrescido em anel na base Wunderlichia Sem êsse característico 6 6 Até 18 flores em cada capítulo 23 Mais de 18 flores em cada capítulo . . 7 7 Brácteas involucrais obtusas Stifftia Brácteas involucrais agudas 8 Seris Nunca ervas Gochnatia 9 Papus das flores marginais plumoso . . Barnadesia Sem êsse característico Schleehtendalia 10 Tôdas as flores hermafroditas 16 Sem êsse característico 11 11 Papus plumoso (figs. 4, 54) ; ápice das folhas com gavinhas Mutisia Sem o conunto dêsses caracteres 12 12 Capítulos com flores trimorfas (femi- ninas liguladas, femininas filiformes e hermafroditas bilabiadas) Chaptalia Sem o conjunto dêsses caracteres 13 15 Nunca ervas 14 14 Flores centrais tubulosas (figs, 3, 11, Onoseris Flores centrais bilabiadas (figs. 4, 5) . . Branchyclados 25 • Flores não amarelas 26 16 Tôdas as corolas bilabiadas (figs. 4, 5) 17 Sem êsse característico Plazia 17 Aquênio sem papus Pamphalea Aquênio com papus 18 18 Papus plumoso (fig. 4) 28 Papus não plumoso • 19 19 Papus de pelos 20 Sem êsse característico Cephalopappus 20 Flores azuis ou purpúreas 29 Flores não azuis e nem purpúreas 21 cm l SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 — 97 — 21 Brácteas involucrais em uma só série Trixis Brácteas involucrais em mais de uma série (figs. 12, 38, 61) 22 22 Aquênios cilíndricos Trixis Aquênios comprimidos Perezia 23 Folhas caducas Cyclolepis (X) Folhas persistentes 24 24 Folhas até 4 centímetros de compri- mento, orbiculares, ovais ou elíticas . . Gochnatia Folhas além de 4 centímetros de com- primento, lanceoladas ou oblongas Mcquinia 25 Aquênios rostrados (fig. 34) Gerbera (X) Aquênios não rostrados Trichocline 26 Aquênios rostrados (fig. 34) Gerbera (X) Aquênios não rostrados Onoseris 27 Elementos do papus concrescidos na base; flores marginais dos capítulos masculinos liguladas (fig. 8) , e dos fe- mininos bilabiadas (figs. 4, 5) Lycoseris (X) Sem o conjunto dêsses caracteres .... Moquinia 28 Receptáculo paleáceo (fig. 7) Jungia Receptáculo não paleáceo Leuceria (X) 29 Papus de cerdas iguais entre si, porém dispostos em mais de uma série Perezia Papus de cerdas iguais entre si, dis- postas em uma só série Leuceria (X) TRIBO CICHORIEAE Gêneros 1 Receptáculo com páleas (fig. 7) Hypochaeris Receptáculo sem páleas 2 2 Aquênio rostrado (fig. 34) 4 Aquênio não rostrado 3 3 Flores amarelas 5 Flores não amarelas 11 4 Brácteas externas dos capítulos foliá- ceas (fig. 36) Picris Sem êsse característico 6 SciELO/JBRJ 10 Sonchus 8 7 Taraxacum (X) 9 Tragopogon (X) Picrosia Crepis (X) Lactuca (X) Hieracium Crepis (X) Crepis (X) Cichorium (X) OBS. — Estão assinalados com (X) os gêneros exóticos. Os desenhos são para orientar os interessados no que diz respeito à forma da corola, disposição do papus, etc., nem sempre, por êsse motivo, privativos dos gêneros a que se referirem . GÊNEROS, TRIBOS E SUBTRIBOS CONSTANTES DÊSTE TRABALHO A Gêneros Tribos Subtribos 1 Acanthospermum Schrk. . . . Heliantheae • i Melampodinae 2 Achillea L. (X) Anthemideae Anthemidinae 3 Achyrocline Less Inuleae Gnaphalinae 4 Adenostemma Forst Eupatorieae Piquerinae 5 Ageratum L Eupatorieae Ageratinae 6 Agrianthus Mart Eupatorieae Ageratinae 7 Albertinia Spr Vernonieae Vernoninae 8 Alomia H.B.K Eupatorieae Ageratinae 9 Ambrosia L Heliantheae Ambrosinae 10 Ammobium R. Br Inuleae Gnaphalinae 11 Anthemis L. (X) Anthemideae Anthemidinae 12 Arctium L. (X) Cynareae Carduinae 13 Arctotis L. (X) Arctotideae Arctotidinae 14 Arnica L. (X) Senecionae Senecioninae 15 Arrojaâoa Mattf. = Neo- mattfeldea Eupatorieae Ageratinae 16 Artemísia L. (X) Anthemideae Chrysantheminae — 98 — 5 Aquênios cilíndricos Aquênios comprimidos 6 Peças do invólucro em uma só série . . . Peças do invólucro em mais de uma sé- rie 7 Brácteas involucrais exteriores reflexas (fig. 37) ; aquênios muricados na parte superior Sem o conjunto dêsses caracteres 8 Papus plumoso (fig. 4) Papus não plumoso 9 Brácteas involucrais híspidas no dorso Brácteas involucrais glabras no dorso. 10 Aquênios truncados no ápice Aquênios contraídos no ápice 11 Papus de pelos Sem êsse característico SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 99 — 17 Aspilia Thours . 18 Aster L 19 Asteropsis L 20 Baccharidastrum Cabrera . . 21 Baccharis L 22 Baltimora L 23 Barnadesia Mutis 24 Berroa Beauv 25 Bidens L 26 Blainvillea Cass 27 Blanchetia DC 28 Brachyclados Don. (X) 29 Brickelia Elliott 30 Buphthalmum L. (X) 31 Calea L 32 Calendula L. (X) 33 Carduus L. (X) 34 Carelia Less 35 Carthamus L. (X) 36 Centaurea L 37 Centratherum Cass 38 Cephalopappus Nees et Mart. 39 Chaptalia Vent 40 Chevreulia Cass 41 Chionolaena DC 42 Chronopappus DC 43 Chrysanthellum Rich 44 Chrysanthemum L. (X) . . . 45 Chuquiragua Juss 46 Cichorium L. (X) 47 Cirsium Adans 48 Clibadium L 49 Cnicus Gardn. (X) 50 Coreopsis L. (X) 51 Cosmos Cav. (X) 52 Cotula L 53 Crepis L. (X) 54 Cyclolepis D. Don. (X) 55 Cynara L. (X) 56 Dahlia Cav. (X) 57 Dirtterostemma Cass 58 Dissothrix A. Gray Heliantheae Verbesinae Astereae Asterinae Astereae Asterinae B Astereae Baccharidinae Astereae Baccharidinae Heliantheae Melampodinae Mutisieae Mutisinae Inuleae Gnaphalinae Heliantheae Coreopsidinae Heliantheae Verbesininae Vernonieae Vernoninae Mutisieae Mutisinae Eupatorieae Adenostylinae Inuleae Buphthalminae C Heliantheae Galinsoginae Calenduleae Cynareae Carduinae Eupatorieae Ageratinae Cynareae Centaureinae Cynareae Centaureinae Vernonieae Vernoninae Mutisieae Nassaurinae Mutisieae Mutisinae Inuleae Gnaphalinae Inuleae Gnaphalinae Vernonieae Lychnophrinae Heliantheae Coreopsidinae Anthemideae Chrysantheminae Mutisieae Gochnatinae Cichorieae Cichorinae Cynareae Carduinae Heliantheae Milleninae Cynareae Centaureinae Heliantheae Coreopsidinae Heliantheae Coreopsidinae Anthemideae Chrysantheminae Cichorieae Crepidinae Mutisieae Gochnatinae Cynareae Carduinae D Heliantheae Coreopsidinae Heliantheae Verbesininae Eupatorieae Ageratinae SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 100 — 59 Eclipta L 60 Egletes Cass 61 Elephantopus L 62 Eleutheranthera Poit, 63 Elvira Cass 64 Emilia Cass 65 Encelia Adans. (X) . 66 Enhydra Lour 67 Epaltes Cass 68 Erechthites Raf 69 Eremanthus Less. .. . 70 Erigeron L 71 Ethulia L. (X) 72 Eupatoriopsis Hieron 73 Eupatorium L 74 Facelis Cass. 75 Flaveria Juss, 76 Gaillardia Foug 77 Galinsoga Ruiz et Pav 78 Geissopappus Benth 79 Gerbera Gronov. (X) 80 Glaziovianthus G. M. Bar- roso 81 Gnaphalium L 82 Gochnatia H.B.K 83 Gorceixia Bak 84 Greenmania Hieron 85 Grindelia Willd 86 Gutierrezia Lag 87 Gymnocoronis DC 88 Gymnolomia H.B.K 89 Haplostephium Mart. 90 Helenium L 91 Helianthus L. (X) 92 Helichrysum Gardn. (X) . . . 93 Heterocoma DC 94 Heterothalamus Less 95 Hieracium L E Heliantheae .... Verbesininae Astereae Bellidinae Vernonieae Lychnophorinae Heliantheae Verbesininae Heliantheae Millerinae Senecionae Senecioninae Heliantheae Verbesininae Heliantheae Verbesininae Astereae Plucheinae Senecionae Senecioninae Vernonieae Vernoninae Astereae Asterinae Vernonieae . Vernoninae Eupatorieae Ageratinae Eupatorieae Ageratinae F Inoleae Gnaphalinae Helenieae . Heleninae G Helenieae Heleninae Heliantheae . Galinsoginae Helenieae . Jauminea Mutisieae Mutisinae Vernonieae Lychnophorinae Inuleae Gnaphalinae Mutisieae . Gochnatinae Vernonieae Lychnophorinae Heliantheae . Milleninae Astereae . Solidaginae Astereae . Solidaginae Eupatorieae . Piquerinae Heliantheae Verbesininae H Vernonieae Lychnophorinae Helenieae Heleninae Heliantheae Verbesininae Inuleae Gnaphalinae Vernonieae Vernoninae Astereae Baccharidinae Cichorieas Crepidinae SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 101 — 96 Hymenoxis Cass Helenieae Heleninae 97 Hypochoeris L Cichorieae Leontodontinae 98 Hysterionica Willd Astereae T Solidaginae 99 Ichthyothere Mart Heliantheae Melampodinae 100 Inulopsis Hoff Astereae Solidaginae 101 Isocarpha R. Br Heliantheas Verbesininae 102 Isostigma Less Heliantheae J Coreopsidinae 103 Jaegeria H.B.K Heliantheae Verbesininae 104 Jauviea Pers Helenieae Jauminae 105 Jungia L. f Mutisieae K Eupatorieae L Nassauvinae 106 Kanimia Gardn Adenostylinae 107 Lactuca L. (X) Cichorieae Crepidinae 108 Lagascea Cav Heliantheae Lagascinae 109 Leuceria Lag. (X) Mutisieae Nassaurinae 110 Leucopholis Gardn Inuleae Gnaphalinae 111 Leptoclinium Gardn Eupatorieae Ageratinae 112 Ligularia Cass. (X) Senecionae Senecioninae 113 Lomatozoma Bak Eupatorieae Ageratinae 114 Lucilia Cass Inuleae Gnaphalinae 115 116 Lychnophora Mart Lychnophoriopsis Schultz- Bin Vernonieae Vernonieae Lychnophorinae Lychncphorinae Gochnatinae 117 Lycoseris Cass Mutisieae M Anthemideae 118 Matricaria L. (X) Chrysantheminae 119 Melampodium Schrk Heliantheae Melampodinae 120 Melanthera Rohr Heliantheae . . . . , Verbesininae 121 Micropsis DC Inuleae Filagininae 122 Mikania Willd Eupatorieae Ageratinaie 123 Monactis H.B.K Heliantheae Verbesininae 124 Montanoa Llav. et Lex. (X) Heliantheas Verbesininae 125 Moquinia DC Mutisieae Gochnatinae 126 Mutisia L.f Mutisieae Mutisinae SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 102 — N 126A Neomattfeldea G. M. Bar- roso Eupatorieae O 127 Oiospermum Less Vernonieae 128 Oligandra Less Inuleae 129 Oliganthes Cass Inuleae 130 Onopordon L. (X) Cynareae 131 Onoseris DC Mutisieae 132 Ophryosporus Meyen Eupatorieae 133 Orthopappus Gleason Vernonieae 134 Oyedaea DC Heliantheae P 135 Pacourina Aubl Vernonieae 136 Pamphalea Lag Mutisieae 137 Parthenium L Heliantheae 138 Pectis L Helenieae 139 Perezia Lag Mutisieae 140 Picris L. (X) Cichorieae 141 Picrosia Don Cichorieae 142 Piptocarpha R. Br Vernonieae 143 Piptolepis Schultz-Bip Vernonieae 144 Pithecoseris Mart Vernonieae 145 Plagiocheilus Amott Anthemideae — 146 Planaltoa Taub Eupatorieae 147 Plazia Ruiz et Pav Mutisieae 148 Pluchea Cass Astereae 149 Podanthus Lag. (X) Heliantheae 150 Podocoma Cass Astereae 151 Polymnia L Heliantheae 152 Porophyllum Vaill Helenieae 153 Pmteopsis Mart Vernonieae 154 Pterocaulon Eli Astereae 155 Pseudelephantopus Rohr. .. . Vernonieae 156 Pseudobaccharis Cabrera . . . Astereae R 157 Riencourtia Cass Heliantheae 158 Rolandra Rottb Vernonieae 159 Rudbeckia L. (X) Heliantheae S . 160 Salmeopsis Benth Heliantheae 161 Schkuria Roth Helenieae Ageratinae Vemoninae Gnaphalinae Gnaphalinae Carduinae Gochnatinae Piquerinae Lychnophorinae Verbesininae Vernoninae Nassauvinae Melampodinae Tagetininae Nassauvinae Leontodontinae Crepidinae Vernoninae Vemoninae Lychnophorinae Chrysantheminae Ageratinae Gochnatinae Plucheinae Petrolinae Asterinae Melampodinae Tagetininae Vernoninae Plucheinae Lychnophorinae Baccharidinae Millerinae Lychnophorinae Verbesininae Verbesininae Heleninae SciELO/JBRJ cm .. — 103 — 162 Schlechtendalia Less 163 Senecio L 164 Seris Less 165 Siegesbeckia L 166 Silybum Vaill. (X) 167 Sipolisia Glaziou 168 Soaresia Schultz-Bip 169 Solidago L 170 Soliva Ruiz et Pav 171 Sommerfeltia Less 172 Sonchus L. (X) 173 Sparganophorus Vaill. = = Struchium 174 Sphagnaticola Hoff 175 Spilanthes L 176 Staurochlamys Bak 177 Stenachenium Benth 178 Stenocline DC 179 Stevia Cav 180 Stilpnopappus Mart 181 Stokesia L’Hér. (X) 182 Stuckertiella Beauv 183 Stylotrichium Mattf 184 Symphyopappus Turez 185 Synedrella Grtn Mutisieae Mutisinae Senecionae Senecioninae Mutisieae Gochnatinae Heliantheae Verbesininae Cynareae Carduinae Vemonieae Vernoninae Vernonieae Lychnophorinae Astereae Solidaginae Anthemideae Chrysantheminae Astereae Asterinae Cichorieae Crepidinae Vemonieae Vernoninae Heliantheae Coreopsidinae Heliantheae Verbesininae Heliantheae Verbesininae Astereae Plucheinae Inuleae Gnaphalinae Eupatorieae Ageratinae Vernonieae Vernoninae Vemonieae Vernoninae Inuleae Gnaphalinae Eupatorieae Ageratinae Eupatorieae Ageratinae Heliantheae Coreopsidinae T 186 Tágetes L 187 Taraxacum Hall 188 Telmatophila Mart 189 Tessaria Ruiz et Pav 190 Thelesperma Less 191 Thymophylla Lag. (X) 192 Tithonia Desf. (X) 193 Tragopogon L. (X) 194 Trichocline Cass 195 Trichogonia Gardn 196 Trichospira H.B.K 197 Tridax L 198 Trixis P. Pr 199 Vanillosmopsis Schultz-Bip. 200 Verbesina L 201 Vernonia Schreb 202 Viguiera H.B.K 203 Vittadinia A. Rich Helenieae Tagetininae Cichorieae Crepidinae Vernonieae Lychnophorinae Astereae Plucheinae Heliantheae Coreopsidinae Helenieae Tagetininae Heliantheae .... Verbesininae Cichorieae Leontodontinae Mutisieae Mutisinae Eupatorieae Ageratinae Heliantheae Coreopsidinae Heliantheae Galinsoginae Mutisieae Nassauvinae V Vernonieae Vernoninae Heliantheae Verbesininae Vernonieae Vernoninae Heliantheae .... Verbesininae Astereae Asterinae SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. — 104 — W 204 Weãelia Jacq 205 Wuljfia Neck 206 Wunderlichia Ried Heliantheae Heliantheae Mutisieae Verbesininae Verbesininae Gochnatinae X 207 Xanthium L Heliantheae Ambrosinae Z 208 Zexmenia Llav. et Lex. 209 Zinnia L Heliantheae . . . : Heliantheae Verbesininae Zinninae BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1 — Baker, Joannes Gilbertus — Compositae, in Martius, Flora Brasiliensis, VI-II, VI-III, 1-398 e 1-442, tab. 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ESTAMPA II Flí. 12 — brácteas lnvolucrals dispostas em várias séries; ílg. 13 — papus de escamas arlstadas; flg. 14 — papus de cerdas; ílgs. 15 e 17 — ílores lemlninas ílllformes; ílg. 16 — corola curto-llgulada; ílg. 18 — estilete dilatado na parte superior; ílg. 19 — aquenio curvo e muricaio; ílgs 21, 22, 23 e 24 — brácteas lnvolucrals espinhosas, laclnuladas ou apendlcui&das no ápice; ílg. 25 — bráctea lnvolucral follácea cordsdo-arredondada. SciELO/JBRJ cm .. Fig. 26 — folhas com glândulas; flgs. 27 e 29 — Invólucro com brácteas uniseriadas; flg. 27 — brácteas involucrais com glândulas; flg. 28 flor feminina nua; fig. 30 — corola bilabiada; flg. 31 — estilete persistente no aquenlo; flg. 32 — corola blalada; flg. 33 — papus em duas séries- fig. 34 — aquenio ro-trado; fig. 35 — papus de pelos simples; flg. 36 — brácteas involucrais foliáceas; fig. 37 — brácteas Involucrais e°xteriores reflexas; flg. 38 — brácteas involucrais largas, em mais de uma série; fig. 39 — brácteas involucrais agudas; fig. 40 — papus de aristas- fio- 41 — pàlea navicular; flg. 42 — aquenio alado e biaristado SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA IV Fig. 43 — brácteas involucral envolvendo a flor feminina; ílg. 44 — pálea do receptáculo; fig. 45 — aquenlo alado; fig. 46 — pálea estreita, linear; fig. 47 — páleas ou escamas do papus cilladas; ílg. 48 — aquenlo Irregular; ílg. 49 — papus de escamas; fig. 50 — papus paleáceo; fig. 51 — aquenlo com as margens ciladas; fig. 52 — pálea do receptáculo com o ápice dilatado e fimbriado; ílg. 53 — lnvolucro com brácteas íoliáceas; fig. 54 — ápice dos lacinlos com pelos; fig. 55 — ramos de estilete curtos e planos; ílg. 56 — antera caudada; ílg. 57 — brácteas involucrais glandulosas; flgs. 58 e 59 — glomerulo de capitulos e um capitulo Isolado; ílg. 60 — brácteas involucrais acuminadas. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. F , is ' , 61 , — Brácteas involucrais concrescidas na base; íig 62 — receDtáeulo alveolado; íig. 63 — aquenio glanduloso entre os ângulos; íig 64 — oamis do aquenio concrescido na base; íig. 65 — papus glanduloso- íig «S P — corola com o ápice expandido; íig. 67 — receptáculo cônico- íig 67-a — escamas do papus contraídas na base. ’ SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 ESTAMPA VI Ficr 68 — aquenlo com articulação dorsal; fig. 69 — papus constituído de° uma coroazinha cartilaginosa; fig. 70 — ÂpU** P^^nada; uma antera diferente das demais; fig. 72 — bracteas involucrals concres- cidas; fig. 73 — elementos do papus de tamanhas desiguais; fig. 74 papus de escamas obtusas; fig. 75 — papus coroniforme; fig. 76 invó- lucro das flores femininas com ganchas ou pontas; fig. 77 — papus ex- terior de pelos cirrosos no ápice e o interior de pelos plumosos; figs. 78 e 79 aquenios biformes; fig. 80 — flores masculinas presas à feminina por filamentos; fig. 81 — aquento com ganchos ou pontas. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Fig. 82 — Invólucro duplo; íig. 83 — papus constituído de escamas rudi- mentares; flg. 84 — corola com pelos na base; fig. 85 — aquenio compri- mido nas margens; fig. 86 — papus constituído de um anel cartilaginoso; íig. 87 — cerdas dilatadas na base; fig. 88 — papus formado por uma oorôà de escamas irregularmente denteadas; flg. 89 — cerdas do papus pllcadas ou contorcidas no ápice; fig. 90 - — papus constituído de uma coroazinha cartilaginosa; fig. 91 — ■ receptáculo cilíndrico; fig. 92 — ápice do pedúnculo inflado; fig. 93 — aquenio com as margens espessadas ou aladas; fig. 94 — aquenio com o ápice provido de uma saliência aneliíorme. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm 1 ISciELO/JBRJ FOTO A Hábito de Sipclisia lanuginosa Glaziou. SciELO/JBRJ cm 1 FOTO B Hábito de Heterocoma albida DC. SciELO/ JBRJ FOTO C Hábito de Glaziovianthus purpureus G. M. Barroso NOVAS APOCYNACEAE ENCONTRADAS NO BRASIL DAVID AZAMBUJA Da Secção de Tecnologia do Serviço Florestal Aspidosperma paniculatum Azambuja, n. sp. A presente espécie, proposta sob o nome de Aspidos- perma paniculatum, tem afinidade com o grupo formado por A. desmanthum Benth., A. Woodsonianum Mgf., A. cen- trále Mgf. e A. Sandwithianum Mgf., e é particularmente próxima de A. desmanthum. Entre as características que permitiram fácil separação da nova entidade taxinômica, têm especial importância as seguintes: a) Posição e tipo da inflorescência; h) Dimensões do tubo e dos lacínios da corola e o tipo revoluto dêstes; c) Dimensões e forma do fruto; d) Forma, dimensões e característicos das folhas, espe- cialmente o revestimento da página inferior. Arbor parva, ramulis leviter nigrescentibus ad partem inferiorem tectis tomento canescenti peradpresso. Folia al- terna, tenuiter coriacea, petiolus 2-2,5 cm longus, tomento ' simili ramulis; lamina oblongo-obovata, usque ad 14-18 cm longa et 4-5 cm lata, apice attenuato, late acuminato, basi SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 118 — cuneato-attenuata, obliqua, supra glabra, nitens, subtus tecta tomento canescenti, peradpresso; nervis secundariis dense aproximatis, sub-parallelis, interstitialibus sub-conspi- cuis. Inflorescentiae subaxilares, laxae paniculae, cimosae, 9-9,5 cm altae et 4, 5-6, 5 latae, tectae tomento simili laminis ínferioribus, leviter clariori; bracteae lineares, 0,1-0,15 cm longae et 0,05 cm latae, albo-canescentes . Flores ad pedun- culorum ápices laxae glomerati, tecta tomento canescenti, plerumque albi-canescenti, peradpresso; pedicellus 0,1-0,15 cm longus, canescens. Calyx tectus tomento simili, intus glaber, totus 0,2 cm longus; lobi quincunciales, deltoidi- acuti, 0,1 cm longi, 0,05 cm lati, eglandulosi. Corolla le- viter pubescens tubo plicato-pentagonali, fauce constricto, 0,2 cm longo, 0,1 lato; lobi sinistrosum torti revoluti cau- dato-acuminati, 0,25 cm longi. Antherae ovatae, glabrae, 0,05 cm longae, in tertia parte superiore tubi insertae; es- tamines pars inferior plana, alongata, pilosa. Stigma capi- tatum, glabrum, breve apiculatum, antheram non attingens; stylus 0,15 cm longus. Ovarium glabrum, 0,1 cm aitum, globosum, biloculare, apocarpum, pauciovulatum . Mericar- pium ligncsum, orbiculare-elypticum, obliquum, 5,5 cm lon- gus, 5 cm latum; extus, sub lente, sub-tomentosum, brevis- sime tuberculatum, intus glabrum, flavum. Semina mihi def uerunt . Habitat Brasilia: Amazonas, Manáus, Rio Turumá- mury, campina arenosa. Leg. A. Ducke, 10-4-1942 flores, 19-4-1943 frutos e 10-3-43 infiorescências novas — Typus: Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, n.° 50.970. Árvore pequena, com rámulos ligeiramente enegrecidos, revestidos na parte inferior de tomento canescente, forte- mente adpresso. Fôlha alterna, levemente coriácea; pecíolos de 2-2,5 cm de comprimento, com revestimento semelhante ao dos rámulos; lâmina oblonga-obovada, com 14-18 cm de comprimento e 4-5 cm de largura, ápice atenuado, largo- acuminado, base cuneada-atenuada, obliqua, com página superior glabra, brilhante e página inferior coberta de to- SciELO/JBRJ cm i — 119 — mento canescente fortemente adpresso; nervuras secundá- rias muito aproximadas, sub-paralelas, intersticiais, sub- conspícuas. Inflorescências subaxilares, em panículas pouco densas, cimosas, 9-9,5 cm de comprimento e 4, 5-6, 5 de lar- gura, cobertas de tomento semelhante ao das páginas in- feriores das folhas, geralmente um pouco mais claro; brac- teas lineares, 0,1-0,15 cm de comprimento e 0,05 de largura, alvo-canescentes . Flores dispostas nas extremidades de pe- dúnculos laxos, revestidas de tomento canescente, quasi sempre alvo-canescente, fortemente adpresso; pedicelos de 0,1-0,15 cm de comprimento, canescentes. Cálice coberto de tomento semelhante, glabra interiormente, com 0,2 cm de comprimento; lacínios quinconciais, deltoide-agudos, 0,1 cm de comprimento, 0,05 cm de largura, não glandulosos. Co- rola levemente pubescente, com tubo piicado-pentagonal, constrito na garganta, 0,2 cm de comprimento, 0,1 de lar- gura; lacínios sinistrorsos, revolutos, caudado-acuminados, 0,25 cm de comprimento. Anteras ovais, glabras, 0,05 cm de comprimento, inseridas na têrça parte superior do tubo; região abaixo do ponto de inserção dos estames com pilo- sidade disposta em faixas alongadas. Estigma capitado, glabro, breve apiculado, não atingido pelas anteras; estilete com 0,15 cm de comprimento. Ovário glabro, com 0,1 cm de altura, globoso, bilocular, apocarpo, com poucos óvulos. Mericarpo lenhoso, orbicular-elítico, oblíquo, 5,5 cm de com- primento, 5 cm de largura; externamente, sob lente, sub- tomentoso, brevíssimo tubérculo, internamente glabro, flavo. Semente não vista. EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA 1 — Ramo florido. 2 — Flor. 3 — Córte da corola, mostrando a posição de inserção do estame ^ e a faixa pilosa abaixo dêle. 4 — Cálice. 5 — Córte do cálice, deixando ver o gineceu. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm 1 SciELO/JBRJ Aspidosperma paniculatum Azambuja cm RELATÓRIO DA EXCURSÃO BOTÂNICA REALIZADA À SERRA DO ITATIAIA PELO NATURALISTA PAULO OCCHIONI (*) Originou-se esta excursão, como é do vosso conheci- mento, da necessidade que tinha de fazer observações sôbre espécies das famílias Canellaceae e Iridaceae, em seu ha- bitat natural, assim como de coligir material dessas espécies as quais há muito venho estudando. Pelas indicações que possuia, parecia-me ser esta a época propícia, embora soubesse que teria dificuldades para realizar meu plano de trabalho, pois, êste período do ano é o de maior precipitação atmosférica naquela zona. Real- mente, apenas 6-8 dias não choveu, sendo que só tive o prazer de ver o sol durante dois dias. A chuva quase cons- tante e o intenso nevoeiro que tanto caracterizam, no verão, a Serra do Itatiaia, prejudicou-me, de certo modo, no ren- dimento das excursões, assim como na preparação do ma- terial coligido. Como nas dependências do Parque Nacional do Itatiaia não houvese estufa ou fôrno para a preparação do material de herbário, auxiliado pelo dedicado servidor Jocelino José Sampaio (pôsto à minha disposição pelo Administrador do Parque) improvisei, ao lado da casa do “Pinheiral”, um fôrno rústico, cuja fonte de calor era a lenha. Assim pre- (•) Excursão realizada de acordo com a ordem de Serviço n.° 13. de 19 de fe- vereiro de 1947. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 124 — paravamos o material e secavamos o papel, o que exigiu de nós trabalho insano devido à chuva contínua e conse- qüente humidade atmosférica. Infelizmente, o acidente mais comum nestas operações surpreendeu-nos certo dia — o in- cêndio. Assim é que ficaram totalmente inutilizados 15 pares de prensas de madeira e o respectivo papel chupão, perdendo-se por isto mesmo uma parte do material. Contudo, considero-me recompensado do esforço dis- pendido, devido não somente ao significado de alguns spe- cimens para as nossas coleções, como também à quantidade apreciável de material coligido. Interessava-me, particularmente, por espécies de certas famílias vegetais, porém, não limitei minhas atividades em tôrno das mesmas, herborizando indistintamente; pareceu- me oportuno coligir tudo que me fôsse possivel, pois essa época do ano, pelas razões acima expostas, raras vezes tem sido escolhida pelos Naturalistas, para excursões botânicas. Realmente, o material coligido, embora ainda em estudo, permite-me adiantar que um bom número de espécies são, agora, pela primeira vez, incorporados em nosso herbário; algumas outras espécies ainda não tinham sido notificadas, na flora do Itatiaia. Enumerarei, a seguir, resumidamente, os trechos mais interessantes explorados em minhas excursões: Margem do Rio Campo-Belo (Ponte Grande); Lago Azul; Matas dos Lotes 21, 26 e 30; Rio Bonito; Matas dos Lotes 86 e 90; Picadão da Engenharia; Cachoeira do Ma- romba; Macieiras; Planalto (Picada do Pinheiral, Base das Agulhas Negras, Vale das Flores, trecho das margens dos Rios das Flores e o da Base) . SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 — 125 — RELAÇÃO DO MATERIAL COLIGIDO FAMÍLIAS Acanthaceae . . . Amarantaceae . . Amaryllidaceae . Anonaceae Apocynaceae . . . Asclepiadaceae . Balanophoraceae Begoniaceae . Bignoniaceae . . . Borraginaceae . . . Bromeliaceae . .. . Campanulaceae . Caryophyllaceae . Cloranthaceae . . Clethraceae Commelinaceae . Compositae Droseraceae Ericaceae Eriocaulaceae . . . Euphorbiaceae . . Gesneriaceae . . . . Guttiferae Icacinaceae Iridaceae Labiatae Lauraceae NÚMERO DE ESPÉCIES AMOSTRA DE MADEIRA 7 1 — 2 — 3 2 1 — ' 4 — 3 — 6 — 1 — 1 — 1 — 4 — 1 — 1 1 2 1 1 — 19 — 1 — 1 — 1 — 6 1 1 — 2 1 1 1 4 — 8 — 2 2 SciELO/JBRJ — 126 — FAMÍLIAS NÚMERO DE ESPÉCIES AMOSTRA DE MADEIRA Leguminosae 14 5 Lentibulariaceae 2 — Loasaceae 1 — Loganiaceae 2 — Loranthaceae 1 — Lythraceae 1 — Magnoliaceae 1 1 Malpighiaceae 1 \ Malvaceae 4 — Melastomataceae 15 4 Monimiaceae 1 — Moraceae , 1 — Myrsinaceae 2 — Myrtaceae 2 1 Ochnaceae 1 — Oenotheraceae 2 — Orchidaceae 8 — Oxalidaceae 3 — Passifloraceae 3 — Phytolaccaceae 3 1 Piperaceae . . ; 5 — Polygalaceae 4 — Polygonaceae 1 Primulaceae 1 Ranunculaceae 1 — Rosaceae 1 1 Rubiaceae 7 3 Sabiaceae 1 1 !scíelo/jbrj — 127 — NÚMERO AMOSTRA FAMÍLIAS DE DE ESPÉCIES MADEIRA Sapindaceae 2 1 Sapotaceae 2 2 Saxifragaceae 1 1 Scrophulariaceae . 2 — Solanaceae 5 Umbelliferae 2 — Urticaceae 3 — Valerianaceae 2 — Verbenaceae 5 2* Violaceae 3 — Total: famílias 65 espécies .... 201 Trouxe, ainda, herborizadas, 8 espécies de Pteriodo- phyta, bem como plantas vivas para cultura, compreen- dendo 22 espécies de Orchidaceae, 3 espécies de Iridaceae, 1 espécie de Acanthaceae e 4 espécies de Amaryllidaceae ; para a coleção carpológica trouxe material das famílias Li- liaceae, Sábiaceae e Verbenaceae e, ainda mais 32 amostras de madeira para a coleção da Seção de Botânica Geral. Eis, em síntese, o relatório da excursão que realizei, no mês de março do corrente ano, na Serra do Itatiaia. Rio, 19 de Abril de 1947. , — _ iSciELO/ JBRJ^ 12 13 x 4 15 — 128 — RELAÇÃO DAS AMOSTRAS DE MADEIRA :W f i i ■ ! ' FAMÍLIAS COLETOR P. OCCHIONI NÚMERO ESPÉCIES Araucariaceae S. N. Araucaria angustifolia ( B e r t o 1 . ) O. Kuntze. Anonaceae 810 Guatteria sp. ? Anonaceae 955 Guatteria sp. ? Clethraceae 953 Clethra brasiliensis Cham. Cloranthaceae 815 Hedyosmum brasiliense Mart. Euphorbiaceae 820 Croton sp. Guttiferae 886 Vismia micrantha Mart. Icacinaceae 889 •Villaresia megaphylla Miers. Lauraceae 993 ? Lauraceae 996 ? Leguminosae 830 Inga sp. Leguminosae 837 ? Leguminosae 963 Dalbergia brasiliensis Vog. Leguminosae 972 ? Leguminosae 979 Melanoxylon Brauna Schott Magnoliaceae 985 Drimys brasiliensis Miers Melastomataceae 958 Tibouchina sp. Melastomataceae 964 ? Melastomataceae 991 ? Myrtaceae 825 ? Phytolaccaceae 997 Seguieria sp. Rosaceae 842 Prunus sp. Rubiaceae 827 ? Rubiaceae 990 ? Rubiaceae 995 ? Sabiaceae 966 Meliosma itatiaiae Urb. Sapindaceae 957 Cupania sp. ? Sapotaceae 814 Chrysophyllum sp. Sapotaceae 954 Lucuma sp. ? Saxifragaceae 867 Escallonia Montevidensis (Cham. et Schl.) D. C. Verbenaceae 994 Aegiphila sp. Verbenaceae 956 Vitex sp. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm 1 SciELO/JBRJ _1 12 13 14 15 A. J. SAMPAIO, O NATURALISTA O Passado se distingue do Presente principalmente por isso que das cousas passadas perdemos o senso de comple- xidade . Êsse pensamento profundo que nos legou o gênio de Poincaré encerra o destino coletivo das vidas de qúe é feita a História: à medida que o tempo corre os contrastes vio- lentos vão desaparecendo e muitas cousas ocultas surgem por entre a espuma desfeita das aparências. E assim nossa época, cheia de contradições ásperas, deixará entrever no futuro existências obscuras e distantes, mas vividas na pro- cura da harmonia que rege as expressões da Vida. Os que tiveram o prazer de conhecer de perto êsse ideal sabem o quanto êle encerra de estímulos e compensações . Só êsses podem verdadeiramente compreender como surgem in- trepidez, paciência e abnegação — a serviço de uma causa abstrata. É que êsse trabalho, mais do que nenhum outro, atesta a cada passo a identidade do Bem, do Belo e do Ver- dadeiro, que desde Sócrates vem dando aos espíritos a es- tabilidade e a esperança de que necessitam para viver no- bremente . Muitas vezes o naturalista itinerante vê nascer glorio- samente o Sol enquanto começa sua caça às plantas novas. Vibra na alegria de encontrar espécies raras e longamente procuradas. Adormece com a plena conciência de um es- forço altruista, na serenidade das noites em que só a es- curidão obriga a parar a pesquisa . Descortina os panoramas das serras, vendo o desenrolar dos planaltos, ondulantes e SciELO/JBRJ — 130 — verdes, que se perdem nas distâncias fartas. Penetra nas matas escuras, em que há árvores seculares, e que estão cheias dos sons de uma sinfonia fantástica. Percorre de- sertos arenosos, com ilhas vegetais semeadas de espinhos. Sonda grandes massas de oceano à procura de algas. Imagens que sugerem a moldura imensa destinada a conter o quadro da Evolução. Enquanto êsses viajam e colecionam, outros, dando vasão a um temperamento diferente, trabalham sôbre pe- quenas amostras colhidas, como quem procura entrever a paisagem através da seteira resgada na espessura da mu- ralha. Cercam- se de mil aparelhos, dotando o pensamenj» com sentidos mais agudos. Teem olhos poderosos, que veem com diversas radiações e dedos mecânicos que manipulam delicadas células. Decifram as estruturas, em que a cons- trutividade da Natureza se esmerou, colorindo-as com tintas brilhantes. Vivem as surprezas incriveis e desconcertantes dos resultados de experimentos, em que a Vida revela suas potencialidades ocultas. Descobrem os baixo-relêvos soter- rados que atestam tentativas fracassadas de vários modos de ser. Em todo êsse trabalho filtram uma aluvião de dados, separando a causalidade da ganga das correlações. E assim tecem uma tela, sempre provisória, feita de en- genhosos raciocínios . Mas sabem voltar à Natureza, fugindo ao cipoal dos símbolos, quando êstes, enovelados e irritantes, embaraçam e confundem o espírito que busca a verdade. Regressam à planura dos fatos, onde a inteligência se sente livre como um solitário num campo batido pelo vento, face a face com o desconhecido, podendo começar tudo de novo, muitas e muitas vezes, lutando sempre e alegremente, até o fim. L. F. G. Labouriau. SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 NOTICIÁRIO JARDIM BOTÂNICO Melhoramentos-- Intercâmbio Aspéto da reforma da estufa n.° 1 Entre os melhoramentos realizados no parque do J. Botânico no exercício de 1946 destaca-se a reforma integral das estufas ns. 1 e 3. Na estufa n.° 1 ampliou-se ainda o ripado a fim de suportar o número crescente de exemplares - de orquídeas . Êste ano introduziram-se, provenientes dos Es- tados do E. Santo e Santa Catarina, 1.305 exemplares de orquídeas, contando a nossa coleção com 7.185 exemplares. SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm l .SciELO/JBRJ — 132 — Uma área considerável vem sendo aterrada e ajardi- nada a fim de se aumentarem as coleções. Neste local foram construidos dois pontilhões em concreto armado como via de acesso ao novo ajardinamento. Vista da ampliação do ripado Vista da estufa n.° 3 reformada cm .. — 133 — Intercâmbio — O Jardim Botânico vem mantendo cor- respondência e troca de sementes com 22 estabelecimentos congêneres dos seguintes países: França, Itália, Inglaterra, Portugal, Espanha, Rússia, Suíça, Argentina, Áustria, Ho- landa, Bulgária, Irlanda, Estados Unidos, Chile. Dêste in- tercâmbio já recebemos 96 espécies diferentes de sementes. Aspéto da nava área que vem sendo incorporada ao J. Botânico SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15